sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O tempo, esse irremediável

Não faz muito tempo eu estava aqui, nesse blog, entre uma curta soneca de duas horas da Luísa, escrevendo sobre os desafios da maternidade recém. E cá estou eu, finalmente conseguindo um tempinho no meio da loucura de gerir uma empresa e cuidar de uma casa enquanto impeço que a Luísa enfie o dedo na tomada ou tente se pendurar na mesa de centro da sala pra fala: como o tempo passa rápido!

Minha bebezinha é minha bebê, agora. Senta, engatinha, se arrasta, se pendura e, quem diria, fica em pé no berço sozinha. Come as papinhas, come fruta, faz bagunça com a comida. Rola no trocados enquanto tento trocar as fraldas. Se eu piscar, ela enfia o tubo de desitin na boca. Pega a fralda e fica sacudindo e rindo. Daqui a pouco, estará andando por ai e eu correndo atrás dela feito louca.

São 9 meses que parecem nove anos. Acho que eu envelheci uns 10 anos nesse início de vida da Luísa fisicamente. Por outro lado, me sinto tão feliz como uma criança de 10 anos tomando banho de chuva e brincando de lama. Cada sorriso, cada nova conquista, cada evolução enche o coração da mamãe com uma alegria sem tamanho.

Juntos com as alegrias, ficam pra trás as angústias. Sim, as angústias. Porque por mais que te falem "cada bebê é único", duvido que alguma mãe fique tranquila vendo os outros bebês da mesma idade que a sua fazendo coisas que a sua não tá nem perto de fazer. Fiquei um mês com coração na mão. quando Luísa completou 8 meses, ela mal se arrastava. Vendo bebês fazendo várias coisas, a máquina de produzir catástrofes que é a mente materna entrou em ação.

Juntei o fato dela engordar pouco, com o fato dela não ter dentes, com o fato dela só rolar e conclui que ela devia ter algum problema de desenvolvimento. Sim, agora,  um mês e pouco depois, to rindo do quanto fui ridícula, mas a maternidade é isso ai. O divertido é que em um mês ela aprendeu a se arrastar, engatinhar e agora, ficar em pé. Continua sem dentes, mas vou deixar pra me torturar por isso novamente mais pra frente.

Contrariando TODAS AS MINHAS EXPECTATIVAS PRÉ PARTO, eu continuo amamentando. E mais: Luísa LARGOU A CHUPETA E MAMADEIRA. Vocês conhecem algum bebê que já fez isso? Porque eu não. Como larga? Pois é, largando. Ela simplesmente não quer mais saber de nenhum dos dois. Até toma mamadeira pra beber água. Só. Qualquer outra coisa que eu coloque lá, ela empurra a mamadeira e puxa meu peito. As chupetas viraram um brinquedo que ela joga, lambe, mas usar da maneira tradicional, necas de piriquitiba. Tenho ou não uma criança atípica?

Sei que entre uma mamada e outra (elas agora acontecem de hora em hora quando estou em casa), cá estamos, bem perto do aniversário de um aninho do maior amor desse mundo. E em total preparação para o primeiro Natal com minha filha aqui no colo, do lado de fora, curtindo comigo. Um Natal com vários presentes inéditos: as culpas, as ansiedades, os medos inerentes à maternidade. Mas com o maior presente dessa vida: a Luísa. Saudável, sapeca e linda, com seus quase 1 ano de vida que passaram num piscar de olhos.

Dingo Bel!
Como é notável, Luísa não curtiu muito o Papai Noel

Sendo linda!

Minha duendezinha 
Agora sim, livre e solta no chão, fazendo bagunça.


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Estamos todas loucas

Sim, estamos. A maternidade enlouquece. Ao ponto de mães que se conhecem da internet se ofenderem num nível que se fossem nossos filhos, estaríamos envergonhadas de criar criaturinhas tão intolerantes.

Esses dias estava num grupo de Facebook que participo. Uma mãe postou um link para uma matéria sobre um bebê que tina morrido sufocado na cama dos pais e acrescentou o seguinte comentário: "sobre cama compartilhada".

Foi o suficiente para chover uma enxurrada de comentários acusando a autora do tópico de ser preconceituosa, de falar besteira. Teve uma mãe que disse que quem não faz cama compartilhada não se conecta de verdade com o filho.

Lembrei também dessa página no Facebook - Menas Main - que destila uma raiva incomum sobre mulheres que não optam pelo parto humanizado e pela amamentação prolongada. Lembro que quando descobri essa página, fiquei tão chocada que senti pena das crianças, filhas dessas mães que querem ser tão boas, que gastam sem tempo ridicularizando outras maneiras de criar filhos.

A verdade é que estamos todas inseguras que agimos como cachorros acuados. Ou, pra adequar à minha realidade, como gatos. Vou pegar o Ludwig como exemplo. Ele é um gato tão medroso e assustado, que avança, dá patada e morde por medo de ser atacado.

Acho nossas reações como mães muito semelhantes. Temos tanto medo das nossas escolhas e que outras pessoas questionem nossas escolhas, somos tão pressionadas e, muitas vezes, mal resolvidas, que nossa reação é atacar qualquer questionamento que se possa fazer sobre algo que tenhamos adotado na nossa maneira de criar filhos.

E, nessa ansiedade inteira para sermos perfeitas, acabamos cometendo erros que eu, particularmente, considero gravíssimo: que é atacar qualquer coisa que nos contrarie, sem parar para pensar ou raciocinar sobre o que estamos fazendo e porque estamos agindo tão na defensiva.

Eu compreendo que uma mãe que queria um parto natural fique muito puta quando alguém a chame de louca ou irresponsável pela sua escolha. Mas não entendo essa mesma mãe reagir tentando ridicularizar quem opta por uma escolha diferente da dela. Embora essa seja a reação natural, a ideia não é combater preconceitos? Como se combate preconceitos criando outros?

Um dos pontos que nunca gostei e jamais me atraiu nos grupos de parto humanizado é exatamente essa necessidade de falar mal da cesária. Será que não podemos exaltar o parto normal sem ridicularizar ou diminuir a outra opção?

Outra situação que me deparei esses dias num grupo de mães que participo foi um desabafo de uma mãe que amamenta contra a amiga que não quis amamentar. Ela questionava se a amiga realmente amava a filha, já que ela se recusou a dar o peito. Eu amamento, não pretendo parar tão cedo, mas sempre acho que se a mulher opta por não amamentar - seja lá quais forem as razões dela - temos que respeitar. Afinal, estamos proibidas de não querer amamentar sem sermos crucificadas?

Parece que quando o tema é maternidade, é impossível escolher um caminho sem tentar desmerecer outros caminhos, outras escolhas, outras alternativas. E é por isso que acho que estamos todas loucas. Porque não acho que a tolerância mora por ai. E entendo que mais do que parto, peito ou qualquer outra coisa, ser mãe é ensinar princípios para formar um cidadão que saiba respeitar o próximo, seja educado, tenha bom caráter, etc. Agora, como faremos isso se não conseguimos nós mesmas respeitar as diferenças entre nós, sem conseguimos tolerar nossas próprias diferenças?


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Primeiros Selfies da Lulu

Ai sua filha está enlouquecida porque você tirou o catarro dela com aspirador nasal, berrando sem parar.

O que a menas main aqui faz? Dá o celular pra quiança se acalmar, claro. E o que ela faz?

TIRA UM MONTE DE SELFIE.






Pode isso, Arnaldo?

A bolha da maternidade

Sim, a maternidade é uma bolha. E você não tem consciência dela. E quando toma, tenta escapar, mas invariavelmente falha. Não sei se isso vai mudar (espero que sim), mas sou realmente uma daquelas pessoas monotemáticas que só falam sobre o filho se deixar. Eu realmente não entendia porque as mulheres tinham filhos e ficavam desse jeito. Por isso, me sinto na obrigação de escrever esse texto.

Primeiro, pra fazer uma mea culpa. Desculpem o tema único na minha vida: a maternidade e seus subtemas (parto, amamentação, etc). É difícil pensar em qualquer coisa fora da bolha quando tem uma bebê linda na sua frente de fabricação própria e mil descobertas. Porque, sim, uma das coisas mais incríveis de se ter um filho é ver ele crescer e virar gente. Eu fico babando o suficiente pra encher a Cantareira e acabo esquecendo que meu time tá ai, na merda, que nunca mais fui a um bar, que nem tenho roupas que cabem em mim, já que to aqui com meu corpitcho pós parto de mulher normal (ou seja, gorda e barriguda).

Aproveito pra pedir desculpas para todos os meus amigos e amigas que fizeram aniversário ou me convidaram pra qualquer coisa nos últimos 7 meses e eu não aceitei. Acreditem,  não foi por mal ou por falta de vontade.  A logística de sair com um bebê e o tanto que ele demanda é algo tão gigante que, às vezes, é melhor não ir a atrapalhar todo mundo. E peço desculpas também por ter ficado chateada por me sentir esquecida pelos meus amigos sem filhos que me "esqueceram" nesses meses de maternidade. É normal e natural, mas às vezes, é difícil de entender pra gente que tá aqui, gorda, cansada e sem tempo pra ser qualquer coisa que não seja ser mãe.

E pra quem não sabe, quero contar: a vida na bolha é cansativa. Ou melhor, exaustiva. A gente fica aqui, rodeada de fraldas, chupetas e fóruns e grupos de mãe brigando pra impor o seu modelo de maternidade, entre um cochilo e outro. Mas a vida na bolha também é bem bacana. A gente fica boba a cada consulta médica, cada quilo, cada roupinha perdida. Entre sorrisos pra cá e uma sentadinha pra lá, a gente entende porque é tão incrível ficar aqui dentro da bolha. A gente renuncia, mesmo sem querer e temporariamente, a ser a mulher e vira mãe porque, no final das contas, tem um serzinho rindo pra ti quando ganha um colo e beijo.

E também, no meio dessa bolha, a gente acha outras pessoas normais que estão apenas tentando sobreviver à maluquice que é a maternidade. E a gente se ajuda e, quando vê, fica feliz por alguém que nunca viu na vida. Se emociona porque o filho da amiga de fórum que era alérgico comeu ovo. Fica feliz que acabou a fase de cólicas da outra amiga. E comemora quando a bebê da sua colega que acorda a cada 2h passa a dormir 6h seguidas.

Pra quem está fora da bolha, isso tudo parece uma insanidade. E é. Mas, a menos que você decida não ter filhos, a bolha te espera. Pelo menos, durante um tempo, já que dizem que, com o tempo, eles crescem e saem debaixo da nossa asa. Mas, mesmo sendo mãe, vira e mexe, eu corro pra baixo da asa da minha mãe. A gente até sai da bolha uma hora, mas aparentemente, ela sempre estará ali, pronta pra te receber de volta.

No momento, estou totalmente imersa na bolha e, por isso, não esperem me ouvir falar sobre outras coisas por um bom tempo. Mas não desista de mim. Prometo que, com planejamento e se você tiver um pouquinho de paciência, eu tento dar uma escapadinha pra tomar um chope e falar sobre a vida, o universo e tudo mais que rola na vida ai fora.


terça-feira, 26 de agosto de 2014

A maternidade e o Palmeiras

E minha filha nasceu em 2014. E o time do meu coração está completando 100 anos em 2014. Hoje. E, embora o nascimento da minha filha tenha me feito dar menos atenção do que normalmente eu costumo dar para o meu time do coração, o amor é o mesmo. É como ter um filho mais velho. Quando nasce um menor, ele demanda mais. E recebe mais atenção. Mas você continua amando igual.

Ser mãe me fez perceber como amar o um time é como amar um filho. Tem momentos difíceis. Cansativos. Enlouquecedores. Que você quer fugir para as colinas. Mas ai, aparece aquele sorriso. Aquele jogo inesquecível. E como não amar isso enlouquecidamente?

A gente chora de tristeza. Chora de cansaço. E chora de alegria. Uma alegria imensa, gigantesca. E essas alegrias valem por todo e qualquer momento difícil. Um simples sorriso compensa toda uma noite em claro. Um simples gol, na final de um campeonato Paulista, apaga todos os anos de sofrimento e humilhações. 

Os momentos bons são tão intensos que compensam qualquer momento ruim. Mesmo aqueles que fazem a gente ter vontade de desistir e faz a gente se perguntar: meu Deus, será que eu nasci pra isso? Pra ser mãe? Pra torcer pra esse time com esse bando de jogador vagabundo? E a resposta é sempre "sim". Sim, não há nada melhor do que amar um filho. Sim, não há nada melhor do que ser palmeirense. Não se abandona um filho. Não se abandona o Palmeiras. Nunca.

Em 2014, eu descobri que ser mãe e ser palmeirense é muito semelhante: em ambos os casos, estou padecendo no paraíso. E nada poderia ser melhor, sendo tudo exatamente do jeito que as coisas são.

Obrigada, Luísa. Obrigada, Palmeiras. Meus amores eternos, imutáveis, e inabaláveis.  Estaremos sempre juntos, vivendo as delícias e as dores  da vida em verde e branco.



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Seis meses com Luísa

E o tempo voou e cá estamos nós. Seis meses. Meio ano. Você, cada dia mais esperta, curiosa, atenta. Eu, cada mais apaixonada por você. Nós, cada vez mais cúmplices. Eu estava cheia de medos até às 16h daquele sábado, 22 de fevereiro. Foi quando eu e o papai nos instalamos no quarto da maternidade. Finalmente você chegaria. Foram tantas angústias, medos e incertezas ao longo dos nove meses em que você esteve dentro de mim. Mas nós conseguimos e chegamos ao fim. E logo você nasceria. E logo estaria comigo. E ai, uma paz tomou conta da mamãe. Acho que nunca me senti tão tranquila do que naqueles momentos em que eu estava na maca, indo para o centro cirúrgico. Eu estava tranquila e calma porque sabia que, dali em diante, tudo daria certo. E deu! Você nasceu linda, cabeluda e fazendo biquinho. Você nasceu esperta, mamando certinho, ajudando a mamãe a superar o medo da amamentação ser algo ruim. Você se comportou bem, sendo um bebê sem cólicas - outro medo que a mamãe tinha. Você dorme bem, bastante, igual à mamãe e ao papai. Você ri, chora berra.  Dá uma canseira danada na mamãe. E quando eu me pego pensando: Jesus, o que eu faço agora? Você sorri pra mim. Em todos os momentos difíceis nesses seis meses (e eles foram muitos) você sempre sorriu pra mim quando eu estava em meio as lágrimas, me lembrando que problemas existem, mas nada é maior do que esse nosso amor. Você me consolou com esse sorriso perfeito. Você me faz sentir a maior felicidade do mundo quando vou te buscar de manhã no seu berço, me vê, e abre o sorriso. Você me faz ver como é gigante e indescritível o amor que sinto quando a saudade bate enquanto você está na escolinha. Você me lembra o quanto compartilhar é a coisa mais incrível desse mundo cada vez que está junto a mim, mamando. Você me mostra como não há nada mais importante do que ter saúde cada vez que tosse, espirra ou o nariz escorre. Você me faz ver que olheiras, cansaço, crpor gordo, roupas que não cabem, falta de tempo pra se arrumar, comer ou até mesmo escovar os dentes, é uma bobagem perto da imensidão de sentimentos que é ter você na minha vida.

Obrigada, Luísa, pelos seis meses mais fantásticos e transformadores da minha vida.

#obrigadabebê
#mãedemenina
#amormaior






quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sobre Cama Compartilhada

E dai que eu sempre fui totalmente contra cama compartilhada. Afinal, lugar de bebê é no berço, certo? Além disso, é uma prática que a OMS condena por representar riscos para o bebê.

Mas acontece que eu adoro fazer tudo o que a OMS recomenda. Só que ao contrário. E quando a Luísa ficou gripada, com dois meses e meio, ela veio pra nossa cama.

Até então, ela dormia  no berço desmontável no nosso quarto. Mas, doente, sem querer comer, como eu ia deixar minha pequena e frágil bebéia sozinha dentro de um berço? Nem ferrando. Carreguei ela pra cama.

Nas primeiras noites, mal dormia, com medo de sufocar ela. Depois, descobri as delícia de amamentar deitada. Ficamos de lado, ela pega o peito, eu a abraço e ela mama. Muito melhor do que ficar sentada na poltrona!

Ela se curou e foi para o berço. Mas quando acordava de madrugada, pra chorar, eu pegava e trazia pra amamentar na minha cama. E não devolvia mais para o berço. E ela começou a dormir super bem. E nos acostumamos com a rotina. O primeiro sono no berço, o segundo, na cama da mamãe e do papai.

Só que ai teve uma noite que a mamãe dormiu esperando ser acordada às 4h da manhã, as usual. Quando acordei, levei um susto. Eram 6h30 e a Luísa não tinha chorado! Corri pro berço pensando no pior. Mas ela só estava dormindo.

E assim seguiram-se os dias. E assim eu tenho um bebê que dorme a noite inteira, entre 22h e 8 ou 9h. E foi assim que a cama compartilhada ajudou minha filha a ter um sono tranquilo. Hoje, às vezes, eu tenho que ir buscar ela no berço de manhã, porque ou ela não acorda, ou acorda, fica brincando com o móbile e esquece de mamar.

Sem nana neném, sem choro controlado, sem traumas, eu boto ela no berço, dou um beijo e digo, "boa noite, filha, durma bem". E ela dorme.


Luísa e a escolinha

Graças a Deus, tenho um trabalho que me dá a flexibilidade de ficar com minha filha. Só que nem sempre é possível e depois de seis meses trabalhando em 50% da capacidade, conversamos muito aqui em casa e decidimos: Luísa iria pra escolinha.


Primeiramente, gostaria de dizer que adoraria ganhar na mega sena e não precisar trabalhar. Adoraria ser mãe em tempo integral e ter como único trabalho além da Luísa, escrever neste blog. Até porque, quem é mãe, sabe: não há trabalho tão árduo e difícil como cuidar de uma criança. A gente fica acabada. E eu não faço parte da camada da população que pode ter empregada e babá. Logo, ficou apertado cuidar de uma empresa, coordenar funcionários, manter clientes felizes, ir atrás de novos clientes e cuidar de um bebê no meio dessa confusão toda.

Por outro lado, não me agradava a ideia de deixar minha filha a semana inteira no berçário; afinal, ser a dona do próprio negócio me permite poder acompanhar mais de perto essa fase mágica onde um bebê começa a aprender a ser gente. Tendo isso em vista, fui atrás de escolinhas e achei uma perfeita pra nós. Na School Be Do, onde a Luísa vai, há um sistema que eles chamam de "Day Care", onde a criança não precisa ir todos os dias. Eles aceitam a criança esporadicamente e você paga pelo dia de uso. Fui conhecer a escolinha, amei o atendimento a estrutura, a equipe pedagógica e a dona. Berçário pequeno, só pra criancinhas até 4 anos, bilíngue, cheio de atividades legais.

Então, batemos o martelo: Luísa iria 2x por semana pra escola pra mamãe poder dar um gás no trabalho. E lá fomos nós para o primeiro dia de aulas. Arrumei a bolsa dela com a listinha de coisas pedidas pela escolinha, peguei a Lulu e fomos. Chegando lá, ela foi direto pro colo da Maria, berçarista que já tinha ficado com ela nas duas visitas que fiz à escolinha antes de me decidir por ela. Nem um chorinho. Ela foi pra sala dos bebês e eu fiquei na recepção preenchendo mil papéis. Demorei uns 40 minutos fazendo isso. A adaptação, oficialmente, é de 2h. Fui lá na sala de bebês após 1h. Luísa estava no colo da Maria (ela é a bebê mais nova), vendo os videozinhos em inglês que estavam sendo mostrado para os bebezinhos. Me viu, fez uma cara de interrogação, como querendo falar "por que você não me pega no colo?". Mas não chorou. Fiquei dez minutos, ali, acompanhando a atividade, olhando pra ela. Ela também ficou olhando o tempo inteiro pra mim, mas não chorou, só me olhou. 


Se eu tinha qualquer dúvida sobre a minha decisão, acabou ali. Sai e avisei que já ia pra casa, pois ela estava bem e eu também. Cheguei em casa e fui trabalhar. Duas horas depois, liguei na escola pra saber se estava tudo bem (mas eu sabia que estava). Comunicaram pra mim que ela tinha chorado um pouco pra dormir, mas que era normal por ser o primeiro dia. Eu quase respondi que era normal porque ela sempre chora pra dormir (e não chora pouco). Pedi algumas fotos e, pouco tempo depois, uma das moças que trabalham na escolinha me mandou várias fotos no whatsapp. Ela parecia normal, tranquila. Fiquei feliz.

Quando deu a hora, fui lá buscar. A Maria trouxe ela e, junto, a agenda dela com todos os horários de comida, sono e a rotina do dia. As tias acham ela uma boneca e disseram que ela gosta muito de música. Me senti super orgulhosa, ahahahaha! Peguei a pequena, que estava sonolenta, entre no táxi e vim pra casa (muita chuva pra vir andando). Ela começou a acordar, olhou pra mim e sorriu. Acho que ela aprovou a escolinha. E eu também.

E digo que, diferente de 99% das mães, não sofri. Não me acho uma mãe pior por ela ir pra escolinha "tão cedo". Não sinto ciúme das tias do berçário, mesmo que ela adore a tia Maria no futuro. Fiquei imensamente feliz de ver minha filha ir para uma ótima escolinha que, tenho certeza, vai ajudar muito nesse desenvolvimento inicial dela. E fiquei muito orgulhosa do bom comportamento e os comentários das "tias" sobre a minha "princesa". 






Eu não sou a mãe perfeita - e nem quero ser

Se tem uma coisa que jamais entenderei nesse universo de fóruns, grupos do Facebook e afins sobre a maternidade, é a predisposição de quem participa para tentar impor seu modelo de maternidade. Mulheres ficam umas enfiando o dedo no nariz da outra pra dizer que o jeito certo de educar é o dela, e não o da outra. Mães questionam o pediatra alheio, mesmo sem ter nenhum conhecimento do histórico médico da criança. Questionam a alimentação do filho alheio. Julgam a situação da outra pela sua própria ótica. Todas querem/são mães perfeitas. Um danoninho dado a um bebê de 10 meses por um parente vira motivo pra começar a terceira guerra mundial.

Eu, particularmente, acho que falta moderação de todos os lados. Tem mãe que não quer dar nada industrializado pra criança comer nunca. Tem outras que dão papinha de biscoito maisena pro filho com 5 meses. Quem tá certa? As duas! E quem tá errada? As duas, se ambas questionam a decisão alheia. Mas parece que é impossível pensar dessa forma. A mulherada corre mesmo em criminalizar o consumo de danoninho pelas crianças, afinal, você já viu a quantidade de sódio, açúcar e conservantes que tem nessa bomba? Se der um, a criança vai ficar obesa e morrer aos 30 anos de um ataque cardíaco.

Se tem algo que aprendi com a maternidade é não dizer nunca. Eu não pretendo da porcarias pra Luísa enquanto ela for bebezinha. Mas não vou morrer do coração e nem me achar uma mãe pior se ela comer uma "porcaria" e gostar. Afinal, eu, Núbia, jamais vou fazer danoninho de inhame pra Luísa porque é mais saudável. E não questiono quem faz. Mas eu não farei simplesmente porque acho que, com moderação, criança pode comer porcaria sim.Aliás, bala, chiclete, chocolate, batata frita e cachorro quente faz parte de uma infância feliz.

E, não, não é pra viver disso e nem pra dar agora pra ela, com seis meses. Mas não pretendo ser mãe natureba. Se já acho chato adulto #geraçãopugliesi, eu é que não serei uma mãe assim com a minha filha. Ah, mas e se ela for gorda? Vou me culpar? Não, porque a ideia é ensinar a comer com moderação e se ela comer moderação e, mesmo assim, tiver tendência a engordar, paciência, essa é minha genética e eu apenas terei transmitido isso pra ela. TV é outro tópico que bomba nas discussões sobre a maternidade perfeita. "Meu filho não vê TV. A sua vê? Que absurdo!" Aqui em casa, Luísa vê TV. Adora o Peixonauta, a Peppa e o Julius Jr. Na escolinha, vê filminhos em inglês. Também, brinca, come, dorme. De novo, com moderação, não acho ruim. Se alguém olha torto pra mim, eu ignoro.

Participo de todos esses grupos porque colho muitas ideias e gosto da experiência de outras mães. Mas não pretendo e não quero ser uma mãe perfeita. Quero ser a melhor mãe que minha filha possa ter dentro das minhas possibilidades. Perfeita? Nunca. Dedicada, amorosa, presente e carinhosa eu sou e sempre serei. Mas não nasci pra ser a mãe perfeita e nem ter a filha perfeita dentro do molde de perfeição atual. Sou ótima em ser eu mesma e péssima em seguir modelos que estão na moda. Por exemplo, provavelmente eu nunca vou comprar papinha orgânica pra minha filha (embora no berçário dela, a comida seja assim). Mas minha filha sempre vai poder contar com meu colo, com meus elogios e com as broncas necessárias.

Penso que o nosso estilo de vida está criando uma geração de mães que competem entre si pra ver quem é melhor na arte de manter o filho saudável, dar tudo de bom e do melhor e ter a mais eficiente educação positiva. No meio dessa competição toda, eu sou a mãe que não sabe que tipo de mãe é, que sabe que tem um monte de defeitos, mas que se preocupa mais em dizer os nãos que forem necessários para minha filha ser uma adulta que sabe ser tolerante, ter valores e respeitar as pessoas, do que em proibir o danoninho que não vale por um bifinho.




domingo, 20 de julho de 2014

Enxoval: o que mais uso e o que não usei

Mãe de primeira viagem é perdida, né, gente? Você não sabe o que comprar, pega listas com um milhão de coisas e sai comprando tudo que mandam. Tem coisas que eu achava um desperdício e que hoje não vivo sem e, outras coisas, que eu achava que seriam super úteis, acabei nem usando. Por isso, hoje vou tentar ajudar as mamães de primeira viagem contando um pouco da minha experiência.



O que valeu cada centavo:

Esterilizador de mamadeira: É extremamente útil e prático. Só colocar tudo lá dentro e deixar 5 minutinhos na microondas. Fácil de usar e você não vai correr o risco de dormir enquanto a mamadeira está fervendo e botas fogo na casa. Invista!

Uma boa mamadeira: Para as mamães que optam por usar mamadeira, eu recomendo que vocês comprem uma boa. Esse é item em que não dá pra economizar. Claro que tem a questão do bebê aceitar a mamadeira. A que tenho usado é a First Bottle, da MAM, recomendação de outra mãe que estava perto de mim na Alô Bebê quando eu estava comprando e me indicou. Ela é super prática porque desmonta inteira, é anti-cólica e auto esterilizável - dá pra enfiar tudo dentro dela, jogar uma água e por ela sozinha no microondas. Sem contar que ela desmonta inteira, o que é bem prático na hora de lavar.

Um chocalho MUITO barulhento: Luísa ganhou um milhão de chocalhos (mentira, foram NOVE). Mas o que funciona é um da gatinha Marie que faz um barulho lazarento. Ela adora e quando tá naquele desespero, berrando feito louca, é só eu balançar o chocalho que ela para na hora. MUUUUITO ÚTIL.

Tapete de atividades: Quando a criança começa a interagir, sério, não há nada mais útil pra ela e pra VOCÊ do que esses tapetinhos de atividades. Eu coloco a Luísa lá e ela super se diverte puxando a corrida do brinquedo pra tocar música, tentando pegar os penduricalhos e rolando pra lá e pra cá. É outra peça que vale DEMAIS o investimento.

Conchas de amamentação: Útil demais da conta. Antes do bebê nascer ajuda na formação do bico. Depois, dá um alívio para o bico, protegendo do atrito com  roupa. Ajuda o leite a não molhar a roupa e a não empedrar o leite.

Sling: amei DEMAIS! Só me arrependo de ter comprado o argola, e não o wrap, porque agora Luísa tá grande pra ele. É incrível como a criança fica bem dentro dele. Era colocar ela dentro do Sling pra ela dormir. Para os bebês com cólicas, o sling também acalma. É um acessório maravilhoso - e digo isso com a palavra de quem antes de ter filho, achava o sling coisa de riponga da Vila Madalena, ahahaha!

O que não compensou o investimento:

Termômetro de Banheira: É a coisa mais inútil dessa vida. Só mãe de primeira viagem pra usar esse troço. Eu testei durante umas duas semanas, até que me toquei que enfiar eu antebraço na água era mais eficiente. Não vale gastar.

Bicos de mamadeira pra cada mês: Outra inutilidade. Comprei, estou com uma gaveta com vários bicos e, na prática, só uso o RN pra leite e o de 3 meses pra suco. Só esses dois valem o investimento.

Carrinho sem fechamento guarda-chuva: Carrinho é sempre uma coisa. A gente não sabe exatamente o que precisa e acaba comprando um carrinho grande. O meu da Burigotto eu uso pra Luísa dormir e ir ao mercado. Acabei comprando um com fechamento guarda-chuva da Safety 1st e é a melhor coisa pra quem não dirige/anda a pé/pega táxi.

Bico de silicone: sei que ajuda muitas mamães, mas no meu caso, nem usei.

Garrafa de café do kit higiene: Só coloquei água lá UMA SEMANA. Adotei os lenços umedecidos da Johnsons Recém Nascido (do pacote amarelo) e a garrafa não foi mais usada. Até desci com ela pra cozinha porque só tava ocupando espaço no kit higiene. Gastei uma grana porque queria uma garrafa branca com um design meio moderninho pra nada.

Canguru: pode ser que eu mude de ideia, mas até o momento, não me adaptei. Com o sling rolou um amor à primeira vista. O canguru só usei um dia e achei meio desconfortável, principalmente porque quando a criança dorme, ela fica pendurada.

Bom, essa é minha lista de amo/odeio! Espero poder ajudar as futuras mãezinhas e ouvir a opinião de quem já é mãe! Concorda? Discorda? Deixe um comentário!

Beijos!