terça-feira, 8 de abril de 2008

O que aconteceu no Tricolor - Versão Censurada

Por Mauro Beting

O jornalista deve buscar a melhor versão possível dos fatos.
O jornalista que publica "a verdade" de um fato, qualquer fato, começa faltando com a tal "verdade".Existe a minha "verdade", a sua "verdade", a dos outros.

Todas respeitáveis, por mais absurdas. Ou "mentirosas".Na Sexta-Feira do Terror (buuuu!) na concentração são-paulina, o nosso André Kfouri publicou a versão verosimílima do caso.Ou, no caso, a melhor versão possível.

Não a "verdade".Porque ele não estava lá.E, quem estava, pode querer contar a sua "verdade". Ou dar uma versão parcial. Ou apenas incompleta. Passional. Política. Escapista.

Mal sabemos o que se passa com a gente e com a nossa casa. Imagine com a dos outros.

Honestamente, já ouvi todas as versões possíveis. E, confesso, nenhuma me pareceu razoavelmente completa.Agora, seja qual for, e daí?

O São Paulo já os afastou.Abafou o caso - mais mal que bem.E bola pra frente, segue o jogo.

*** Mas, como solerte jornalista, tive acesso a algumas versões verossímeis, embora ficcionais: Uma me foi passada por um famoso jornalista esportivo:“Ao chegar 3 horas e meia atrasado para a concentração, Carlos Alberto ficou sabendo que seria multado em 145% dos salários de junho - de 2014.

Irritado, tentou atropelar Marco Aurélio Cunha. Por sorte do superintendente tricolor, a suspensão do jipe de Carlos Alberto é muito alta e ele passou por cima do ortopedista, mas sem atropelá-lo (por motivos sabidos).

Ao ouvir o barulho, Rogério Ceni se adiantou, saiu correndo da meta, e conseguiu jogar o doutor para o lado; ainda chutou com efeito o pneu traseiro do jipe, que capotou 17 vezes. Alguns jogadores do elenco acharam que o capitão só fez isso para aparecer, e para mostrar que o rei ali era ele, e não Adriano, que, no momento, estava relaxando na banheira do CCT, mas que estava cheia de sakê, não de água...

Richarlyson se irritou e foi reclamar com Muricy, que resmungou, não quis conversa, e disse que não era pago pra tratar daquele assunto. O presidente do São Paulo saiu de sua sala, jogou três cubas de gelo no chão, ligou pra Juan Figer, e, possesso, apalavrou a contratação de dois jogadores do Real Madri para junho. E mais Henrique, Diego Souza, Valdivia e Marcos (para a reserva de Rogério), que serão apresentados à imprensa no intervalo do segundo jogo das semifinais.

Fábio Santos só apareceu no CCT meia hora depois, com duas carabinas, três pistoleiras, sete ex-BBBs, quatro ex-namoradas de jogadores do Corinthians e do Palmeiras, e uma ex-namorada de 19 jogadores do Sertãozinho. Todos num jipe que ele havia acabado de bater no poste, logo depois de fazer rolo com um vizinho de um vendedor de carros amigo de um parceiro empresário de casa noturna que pertence à amante do dealer - cuja mulher é sobrinha de um conselheiro são-paulino que é financiador do Al-Qaeda e empresário do grupo Sambosta, cuja assessora de imprensa é filha da sogra de um conselheiro da oposição, que estaria devendo no jogo para um contato de um guerrilheiro taliban infiltrado na Yakuza.

Ao perguntar contra quem seria o jogo de domingo, Fábio Santos recebeu como resposta de Carlos Alberto que seria contra o Moleque Travesso. O volante ficou irritado, acho que CA estava falando dele, pegou uma das carabinas, e começou a atirar no meia. Por sorte, a pontaria de Fábio Santos teve a precisão de seus passes e Carlos Alberto escapou ileso.

Porém, algumas balas chegaram à Academia do Palmeiras, que pediu mais um laudo para a PM, agora vetando treinos e concentrações na Barra Funda. Marco Polo Del Neto ficou de estudar".

* * * A outra versão é da direção do São Paulo:“Ao chegar ao CCT meia hora antes do horário previsto, como é hábito de todo o elenco, Fábio Santos estranhou que a vaga do estacionamento ao lado estava vazia. Cismado, foi até a portaria e perguntou quem ainda não havia chegado, faltando apenas 30 minutos para o horário marcado!

Como o São Paulo é um exemplo de administração reconhecido pela revista Forbes, o porteiro tinha o GPS de todos os carros dos atletas, e, rapidamente, constatou que Carlos Alberto é quem estava faltando, e que estava com o veículo parado em região de farta comercialização de pombinhas.

Preocupado com o companheiro, Fábio Santos pediu autorização para procurá-lo. Três vans de diretores são-paulinos o acompanharam, igualmente sobressaltados. Os outros 19 adjuntos continuaram na concentração do clube, tomando cuidado dos mínimos detalhes, e já planejando a temporada 2010.

Ao chegarem ao bas-fond, todos se aliviaram ao ver Carlos Alberto distribuindo marmitas para os necessitados. Satisfeitos com a benemerência de seu jogador, a delegação voltou ao CCT, onde serviram sopa para o atleta, e duas horas de Reffis para os desabrigados.A única altercação ocorrida naquela noite, antes da oração ecumênica, foi quando dois ex-guerrilheiros das Farc que faziam fisioterapia no Reffis reconheceram dois mafiosos de Nova Jersey que moram no Reffis, num convênio entre o São Paulo, o FBI, o governo dos EUA, a Nasa e a Fundação Nobel para a proteção de testemunhas.

Um deles teria berrado para outro refugiado tibetano: - Bin Laden, você não é corintiano?Infelizmente, a partir dessa desinteligência, as coisas não ocorreram como deveriam.Mas já está tudo solucionado com rapidez, como do feitio da história, das tradições e da ética dos cardeais são-paulinos:Todos os participantes dos episódios foram multados em 29 dias. Mas, por ser um clube-modelo, o São Paulo não irá mandar a conta para as famílias.E ainda irá pagar pelas despesas funerais dos envolvidos".

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Solução de Cuba Comunista: fazendas privadas

By ANDREA RODRIGUEZ and WILL WEISSERT, Associated Press Writers Sat Apr 5, 3:12 PM

Tradução: Fernando Olszewski,

GUIRA DE MELENA, Cuba – Num país onde quase todos trabalham para o estado comunista, o leiteiro Jesus Diaz é seu próprio patrão. Ele gosta disto – e também o governo.

ivendo num terreno grande apenas para quatro vacas pastarem, Diaz produz leite suficiente para vender cerca de um quarto por dia para o estado.Isto é produção independente numa escala pequena, mas tem se provado tão eficiente que Cuba decidiu fazer uma grande expansão de seu programa para distribuir suas terras pouco usadas ou desocupadas para fazendeiros particulares e cooperativas.“É uma maneira para a terra acabar nas mãos daqueles que querem produzir. Eu vejo isto como uma coisa muito boa,” disse Diaz, 45.

Ele recebeu sua terra e vacas do estado em 1996, e agora tem esperanças de ter acesso a mais propriedade.O governo está se preparando para uma “distribuição massiva de terra,” Orlando Lugo, presidente da associação nacional de fazendeiros, disse última semana. Fazendeiros particulares começaram a receber terras para ganharem dinheiro sobre café e tabaco, e irão brevemente serem capazes de arrendar terras do estado para outras culturas.A idéia é de revolucionar a agricultura, um pequeno terreno por vez.

Enquanto a atenção tem se voltado para o Presidente Raul Castro em sua manobra popular de permitir qualquer cubano que possa arcar com os custos, de comprar um telefone celular ou se hospedar num hotel de luxo, distribuição de terras para agricultura tem sido menos noticiada e é potencialmente muito mais importante para melhorar a falta crônica de comida.

A aposta é que fazendeiros independentes irão fazer melhor por conta própria do que trabalhar para empresas agrícolas estatais, que sofrem com a burocracia, mau planejamento e falta de fundos.

“As autoridades, eles te deixam sozinho e deixam você produzir,” disse Aristides Ramon de Machado, que conseguiu permissão para plantar bananas, papaia e goiaba num terreno perto de sua casa em Boca Ciega, leste de Havana.De Machado apenas planta o suficiente para sua família comer e é proibido de vender qualquer excedente. Mas ele disse que confiando em fazendeiros particulares maiores e com mais terras irá encorajá-los a aumentar a produção.“Ver o fruto de seu próprio trabalho te dá prazer sob formas que trabalhando para outra pessoa não dá,” ele disse.

Os revolucionários de Fidel Castro tomaram todas as grandes fazendas para o estado depois de derrubarem o ditador Fulgencio Batista em 1959, e oficiais insistem que a nova liberalização não é uma traição aos valores revolucionários.

Fazendeiros independentes ainda irão enfrentar regras sobre o que e quanto eles podem plantar, e o risco de perderem suas terras se eles falharem em atingir as quotas de produção do governo. Eles também são obrigados por lei a vender qualquer excedente para o mercado de fazendeiros.Aumentar a produção de comida tem sido uma prioridade para Raul Castro, de 76 anos, que sucedeu seu irmão como presidente em fevereiro.

Enquanto distribuir terras para indivíduos já foi tentado antes em Cuba, desta vez o governo parece disposto a abrir mão de mais controle para obter melhores resultados.Por exemplo, ele autorizou lojas estatais a venderem materiais diretamente a fazendeiros – uma concessão chave, já que por décadas, indivíduos têm tido problemas para obterem legalmente uma pá sequer. O estado também está provendo fertilizantes e ração de graça.

E desta vez, associações locais de fazendeiros estão sendo apoderadas para tomar conta da realocação de terra, uma prerrogativa antes reservada ao Ministério da Agricultura em Havana, apesar de Lugo ter acrescentado que as delegações municipais ainda precisam prestar contas a “central de controle central” senão a distribuição de terra iria “degenerar em caos”.

Cuba gasta $1.6 bilhão anualmente em comida importada, cerca de um terço vem dos Estados Unidos, que isenta exportação de comida e produtos agrícolas de seu embargo à ilha. Cuba ainda importa 82 por cento do $1 bilhão em arroz, leite em pó e outros produtos essenciais que então raciona para o público a preços subsidiados – um número assombroso para um país tão fértil.

Em mercados de fazendeiros, produtos básicos como couve e laranjas são quase sempre disponíveis, mas tomates e alface desaparecem durante o verão chuvoso, e maçãs importadas são consideradas artigo raro.

Cooperativas controladas pelo estado operam como mega-fazendas modernas em grandes pedaços de terra, geralmente usando equipamento pesado e sistemas sofisticados de irrigação. As cooperativas controlam ainda todo tipo de culturas, incluindo produtos famosos como açúcar, mas o tabaco de alta qualidade que encontramos nos famosos charutos cubanos já está na maior parte em mãos privadas.Muitas grandes cooperativas estão perdendo dinheiro e falhando em atingir quotas de produção. Seus trabalhadores têm poucos incentivos para melhorarem as coisas, já que salários se mantêm baixos não importa quão bem suas fazendas estejam.

Enquanto isso, muitos dos 250.000 fazendeiros particulares cubanos precisam plantar e colher com as mãos, arar com bois e regar com baldes. Em Guira de Melena, 30 milhas ao sul de Havana, El Guateque é uma das três lojas fornecedoras em toda ilha que estão agora autorizadas a vender materiais diretamente para fazendeiros particulares. Ela oferece pequenos itens como luvas, machetes, enxadas, freios para cavalos.

Tais ferramentas podem ser humildes e de baixa tecnologia, mas elas ajudam a produzir 60 por cento do total de comida em apenas um terço da terra arável em Cuba.

Em outras jogadas para revigorar a indústria, Cuba tem liquidado grandes dívidas com fazendeiros e mais do que duplicou o que paga a produtores de leite e carne. Fazendeiros dizem que o governo também está pagando mais por batata, cocos, café e outros produtos.Mas se uma revolução agrícola está por vir, ainda não trouxe grandes lucros para fazendeiros. Diaz ganha 2,50 pesos por quarto de leite, vindo de um peso. Um peso vale pouco menos que cinco centavos de dólar.