segunda-feira, 7 de abril de 2008

Solução de Cuba Comunista: fazendas privadas

By ANDREA RODRIGUEZ and WILL WEISSERT, Associated Press Writers Sat Apr 5, 3:12 PM

Tradução: Fernando Olszewski,

GUIRA DE MELENA, Cuba – Num país onde quase todos trabalham para o estado comunista, o leiteiro Jesus Diaz é seu próprio patrão. Ele gosta disto – e também o governo.

ivendo num terreno grande apenas para quatro vacas pastarem, Diaz produz leite suficiente para vender cerca de um quarto por dia para o estado.Isto é produção independente numa escala pequena, mas tem se provado tão eficiente que Cuba decidiu fazer uma grande expansão de seu programa para distribuir suas terras pouco usadas ou desocupadas para fazendeiros particulares e cooperativas.“É uma maneira para a terra acabar nas mãos daqueles que querem produzir. Eu vejo isto como uma coisa muito boa,” disse Diaz, 45.

Ele recebeu sua terra e vacas do estado em 1996, e agora tem esperanças de ter acesso a mais propriedade.O governo está se preparando para uma “distribuição massiva de terra,” Orlando Lugo, presidente da associação nacional de fazendeiros, disse última semana. Fazendeiros particulares começaram a receber terras para ganharem dinheiro sobre café e tabaco, e irão brevemente serem capazes de arrendar terras do estado para outras culturas.A idéia é de revolucionar a agricultura, um pequeno terreno por vez.

Enquanto a atenção tem se voltado para o Presidente Raul Castro em sua manobra popular de permitir qualquer cubano que possa arcar com os custos, de comprar um telefone celular ou se hospedar num hotel de luxo, distribuição de terras para agricultura tem sido menos noticiada e é potencialmente muito mais importante para melhorar a falta crônica de comida.

A aposta é que fazendeiros independentes irão fazer melhor por conta própria do que trabalhar para empresas agrícolas estatais, que sofrem com a burocracia, mau planejamento e falta de fundos.

“As autoridades, eles te deixam sozinho e deixam você produzir,” disse Aristides Ramon de Machado, que conseguiu permissão para plantar bananas, papaia e goiaba num terreno perto de sua casa em Boca Ciega, leste de Havana.De Machado apenas planta o suficiente para sua família comer e é proibido de vender qualquer excedente. Mas ele disse que confiando em fazendeiros particulares maiores e com mais terras irá encorajá-los a aumentar a produção.“Ver o fruto de seu próprio trabalho te dá prazer sob formas que trabalhando para outra pessoa não dá,” ele disse.

Os revolucionários de Fidel Castro tomaram todas as grandes fazendas para o estado depois de derrubarem o ditador Fulgencio Batista em 1959, e oficiais insistem que a nova liberalização não é uma traição aos valores revolucionários.

Fazendeiros independentes ainda irão enfrentar regras sobre o que e quanto eles podem plantar, e o risco de perderem suas terras se eles falharem em atingir as quotas de produção do governo. Eles também são obrigados por lei a vender qualquer excedente para o mercado de fazendeiros.Aumentar a produção de comida tem sido uma prioridade para Raul Castro, de 76 anos, que sucedeu seu irmão como presidente em fevereiro.

Enquanto distribuir terras para indivíduos já foi tentado antes em Cuba, desta vez o governo parece disposto a abrir mão de mais controle para obter melhores resultados.Por exemplo, ele autorizou lojas estatais a venderem materiais diretamente a fazendeiros – uma concessão chave, já que por décadas, indivíduos têm tido problemas para obterem legalmente uma pá sequer. O estado também está provendo fertilizantes e ração de graça.

E desta vez, associações locais de fazendeiros estão sendo apoderadas para tomar conta da realocação de terra, uma prerrogativa antes reservada ao Ministério da Agricultura em Havana, apesar de Lugo ter acrescentado que as delegações municipais ainda precisam prestar contas a “central de controle central” senão a distribuição de terra iria “degenerar em caos”.

Cuba gasta $1.6 bilhão anualmente em comida importada, cerca de um terço vem dos Estados Unidos, que isenta exportação de comida e produtos agrícolas de seu embargo à ilha. Cuba ainda importa 82 por cento do $1 bilhão em arroz, leite em pó e outros produtos essenciais que então raciona para o público a preços subsidiados – um número assombroso para um país tão fértil.

Em mercados de fazendeiros, produtos básicos como couve e laranjas são quase sempre disponíveis, mas tomates e alface desaparecem durante o verão chuvoso, e maçãs importadas são consideradas artigo raro.

Cooperativas controladas pelo estado operam como mega-fazendas modernas em grandes pedaços de terra, geralmente usando equipamento pesado e sistemas sofisticados de irrigação. As cooperativas controlam ainda todo tipo de culturas, incluindo produtos famosos como açúcar, mas o tabaco de alta qualidade que encontramos nos famosos charutos cubanos já está na maior parte em mãos privadas.Muitas grandes cooperativas estão perdendo dinheiro e falhando em atingir quotas de produção. Seus trabalhadores têm poucos incentivos para melhorarem as coisas, já que salários se mantêm baixos não importa quão bem suas fazendas estejam.

Enquanto isso, muitos dos 250.000 fazendeiros particulares cubanos precisam plantar e colher com as mãos, arar com bois e regar com baldes. Em Guira de Melena, 30 milhas ao sul de Havana, El Guateque é uma das três lojas fornecedoras em toda ilha que estão agora autorizadas a vender materiais diretamente para fazendeiros particulares. Ela oferece pequenos itens como luvas, machetes, enxadas, freios para cavalos.

Tais ferramentas podem ser humildes e de baixa tecnologia, mas elas ajudam a produzir 60 por cento do total de comida em apenas um terço da terra arável em Cuba.

Em outras jogadas para revigorar a indústria, Cuba tem liquidado grandes dívidas com fazendeiros e mais do que duplicou o que paga a produtores de leite e carne. Fazendeiros dizem que o governo também está pagando mais por batata, cocos, café e outros produtos.Mas se uma revolução agrícola está por vir, ainda não trouxe grandes lucros para fazendeiros. Diaz ganha 2,50 pesos por quarto de leite, vindo de um peso. Um peso vale pouco menos que cinco centavos de dólar.

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