sexta-feira, 14 de novembro de 2008

p.s.

É quase meia noite e meia e duas coisas me atormentam. Por partes: acabei de chegar do show da Ana “cara de conteúdo” bacana, no Studio SP. Som bacana, voz legal, mas faltou liga na coisa. Sabe aquele show que você olha pra cantora e acha a performance dela totalmente falsa? E essa sensação só aumentava quando eu olhava para o lado e via aquele salão cheia de pessoas com cara de conteúdo, fingindo que estavam achando o máximo um show em que ninguém sabia as letras das músicas, ninguém dançava e ninguém fazia, além de olhara para o palco com aquele ar blasé que só chatos de calça xadrez, cabelo esquisito, cara de sujo e all-star sabem fazer. Ok, isso pode soar elitista e com cara de patricinha de balada da Vila Olímpia. Mas eu não entendo porque diabos as pessoas precisam se fantasiar de intelectuais para verem um show de música. É só música, cantar, dançar, entrar na onda, meditar, o que seja... ninguém deixa de ser inteligente se não parecer inteligente. Estilo não tem nada a ver com QI, carambolas. Mas voltando ao show... música muito bacana, mas eu confesso: minha cabeça estava no Parque Antártica e eu estava completamente fissurada para saber o resultado do jogo.

1x0 Palmeiras, com gol de pênalti.

PFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF...

Devia ter sido mais bacana e ter ficado curtindo a Ana.
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O segundo tormento: sim, agora, já em casa, ouvindo músicas. Por que diabos Sweet Child of mine me soa tão brega, sem criatividade, previsível, sem sal nem açúcar, lerdo quase parando? Tudo bem, não tenho mais 12 anos, incorporei muita coisa bacana ao meu repertório musical, mas essa é uma música que eu cresci ouvindo, me lembra muita coisa bacana, faz parte de uma parte da minha vida! Deveria ser igual Beatles, que eu escuto mil vezes e amo sempre (ta bom, ok, eu forcei a barra, nada se compara ao trio de Liverpol. Vamos lá, REM ta legal). Enfim, eu não deveria ouvir Guns e ter vontade de comer uma maça. Cansei de pirar o cabeção em bailinhos na minha terra ouvindo o solo de guitarra mais grudento do universo e sempre achei super divertido. Por isso, tanto tédio só pode ser uma coisa, ao meu ver: tédio daquilo que a música me faz recordar...
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Esse ano não to muito escrevinhadora. Deve ser porque minha vida ta essa coisa adulta chata. Eu trabalho, pago contas, vou pra academia, limpo a casa, cozinho, separo as roupas para levar para a lavanderia, leio as notícias do dia/semana, vou ao cabeleireiro e à manicure, encontro o namorado no final de semana, saímos com os amigos ou ficamos em casa vendo filme, vamos ao supermercado, assistimos e comentamos o jogo de futebol... nada além da mesmice de uma vidinha medíocre de classe média. Sou feliz medianamente e sigo a vida assim. Quando a inspiração voltar, estaremos na ativa novamente. Enquanto isso, é torcer para que apareça algum tormento musical/intelectual noturno, para que isso não fique às moscas.

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