quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Fabricando dinheiro, destruindo riqueza

Do Blog do Rodrigo Constantino

“The great inflations of our age are not acts of God. They are man-made or, to say it bluntly, government-made. They are the offshoots of doctrines that ascribe to governments the magic power of creating wealth out of nothing and of making people happy by raising the ‘national income’.” (Mises)

Em As Aventuras de Jonas, O Ingênuo, Ken Schoolland explica, de forma divertida e simples, inúmeros princípios da liberdade. Por mais incrível que isso possa parecer, o livro, escrito para crianças, é uma fonte muito melhor para aprender noções básicas de economia do que artigos de certos economistas com Prêmio Nobel. O foco na lógica dos argumentos é muito mais importante que o apelo à autoridade.

Um caso típico está na questão do dinheiro e a origem da inflação. Um macro-economista como Paul Krugman, por exemplo, recomenda o déficit fiscal do governo como meio para estimular a economia e, portanto, a produção de riqueza. Imprimir dinheiro para gastar seria uma forma de aquecer o consumo e, por tabela, aumentar a produção e o emprego. A carroça vem na frente dos bois, puxando-os!

Mas Jonas, o garoto ingênuo que se perde numa ilha, faz perguntas incômodas. Ele pergunta coisas bem simples, que renomados e premiados economistas preferem simplesmente ignorar.Quando Jonas escuta um ruído de máquinas que parecem uma impressora, ele fica animado, pensando se tratar de um jornal. No entanto, ele acaba descobrindo que o barulho vem da Casa da Moeda. Sua imediata decepção é porque ele pensava estar diante de uma impressora de considerável importância, responsável por divulgar notícias relevantes sobre a cidade. Mas o casal nativo explica que aquela é a impressora mais importante da ilha, pois pertence ao órgão responsável pela felicidade de muitas pessoas.

As impressoras trabalham para imprimir montanhas de dinheiro, para fazer as pessoas felizes. Jonas parece achar aquilo uma grande idéia. Ora, se ele pudesse imprimir algum dinheiro... Mas ele logo é interrompido, e o casal explica que isso é impossível. Qualquer um que tente imprimir dinheiro sem ter sido incumbido disso pelo governo é considerado um “falsificador”, e é jogado atrás das grades. Esses “salafrários” não são tolerados na cidade. Eis a explicação deles: “Quando falsificadores imprimem dinheiro e gastam-no, o dinheiro deles invade as ruas e tira o valor do dinheiro das outras pessoas. Qualquer pobre alma que tenha uma renda fixa de salário, poupança ou aposentadoria iria logo constatar que seu dinheiro perdeu valor”.

Mas, naturalmente, Jonas ficou confuso. Ele disse: “Pensei que o senhor havia dito que imprimir montanhas de dinheiro torna as pessoas felizes”. O casal foi forçado a concordar, mas frisou que apenas a impressão oficial de dinheiro era capaz de fazê-las felizes. O casal explicou que no caso de papel impresso oficialmente, chamavam de “financiamento do déficit”, e que ele era parte de um “elaborado e sofisticado plano de gastos”. Se o dinheiro for oficial, então os responsáveis por sua impressão não são ladrões. Na verdade, os que gastam esse dinheiro são os membros do governo, pessoas generosas que “gastam o dinheiro em projetos para as pessoas leais que gentilmente votam neles”.

Jonas tinha apenas mais uma pergunta: “O que acontece com os salários, as economias e as aposentadorias de todo mundo? Vocês tinham dito que o valor do dinheiro diminui quando mais dinheiro é impresso. Isso também acontece quando é o governo que imprime o dinheiro? E todos ficam satisfeitos com isso?” O casal respondeu que sim, que todos ficavam felizes quando o governo gastava dinheiro com eles, pois haviam muitas necessidades, e que os governantes eram muito escrupulosos em sua busca das origens dos problemas na ilha.

O clima e o azar, por exemplo, eram as principais causas de suas dificuldades. Eram eles os responsáveis pelo aumento dos preços e queda do padrão de vida. Sem falar dos estrangeiros! Os inimigos externos eram um grande infortúnio para os moradores da ilha, pois vendiam produtos com preços altos, prejudicando os negócios na ilha, e com preços baixos também, tirando os empregos locais. Para proteger os moradores da ilha desses estrangeiros havia os sábios do governo. Eles eram capazes de decidir o que é bom para o povo.

A conversa teve que ser interrompida, pois o casal estava com pressa para ir encontrar o gerente de investimentos no banco. É que eles não queriam perder a oportunidade da onda de entusiasmo com os negócios de compra de terras e metais preciosos. O homem disse: “Coitados dos pobres que não aproveitaram o boom como nós aproveitamos!” E Jonas foi embora sem compreender direito porque as pessoas ficavam felizes quando o governo imprimia dinheiro, mas porque ninguém mais poderia fazer o mesmo.

A questão, eu creio, não foi bem explicada por nenhum dos mais famosos macro-economistas até hoje, incluindo o mais recente Prêmio Nobel, Paul Krugman. Por que razão mesmo é bom para a economia e a felicidade das pessoas – especialmente os mais pobres – quando o governo resolve imprimir dinheiro de papel? E por que exatamente a mesma lógica não se aplica quando os “falsificadores” resolvem imprimir um papel igual? Algum Nobel de economia poderia responder?

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