segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Sobre educação, assessores de imprensa, presente e futuro

Quem tá em assessoria vive reclamando da grosseira de alguns (poucos, ainda bem!) jornalistas que tratam assessor como se fosse um marginal (eu mesma ouvi uma vez de um coleguinha que ele não precisava do meu "release de merda"). Acho que todo assessor que escuta uma resposta grossa de um colega de redação pensa "queria ver se ele estivesse no meu lugar". Por isso, confesso que fiquei muito surpresa com algo que ocorreu comigo hoje.

Como alguns devem saber, além de trabalhar na Approach, cuidando da comunicação da Chubb Seguros e do escritório de advocacia Castro, Barros, Sobral, Gomes. Também escrevo para a revista Elo, especializada em infra-estrutura, energia, logística, entre outros setores da economia. Por isso, tenho procurado me atualizar, buscando cursos sobre economia, área que eu gosto e na qual quero me especializar.

Semanas atrás, vi que a Anbid estava promovendo um curso para jornalistas de economia ou que tivesse interesse no assunto. Mandei um e-mail (já prevendo que, provavelmente, eu não conseguiria a vaga, já que não trabalho em grande imprensa e sim em uma especializada). De qualquer forma, não custava tentar. Tive uma grata surpresa! Veja o e-mail da assessoria da Anbid, a Máquina da Notícia:

Caros (as),
Em razão da alta demanda para o Curso ANBID de Mercado de Capitais para Jornalistas, não foi possível atender a todas as solicitações de inscrição para essa primeira turma. No entanto, a ANBID atenderá a todos os interessados e abrirá uma segunda turma. As aulas começarão em 07/04/2009, tão logo as atividades da primeira turma do curso sejam concluídas. Todos os jornalistas que receberem este email já estão automaticamente inscritos na segunda turma. No entanto, até o início da próxima semana, enviaremos o cronograma com as novas datas e horários do curso e entraremos em contato com todos os interessados para reconfirmar o interesse em participar. Muito Obrigada pelo interesse e por toda atenção!

Educado e inteligente. Quando a demanda é grande, acho que o assessor deve ter como postura sempre procurar, junto ao cliente, uma maneira mais inteligente de poder atender ao máximo a demanda. Obviamente, nem sempre é possível agir como a ANBID fez, mas a postura, tanto da assessoria, quanto da entidade, foi bastante inteligente. Já explico o porquê, mas antes quero mostrar o outro lado desse post.

Vi, também, que a Faap estava organizando outro curso voltado para jornalistas de economia. Mandei um e-mail para a assessoria da instituição perguntando quais os critérios para participar, entre outras informações. No e-mail, não fiz nenhuma referência ao local em que trabalhava (ou seja, eu poderia tanto ser uma repórter da Época como uma zé ninguém). Tive outra surpresa - dessa vez, bem desagradável:

Olá, Núbia
Tudo bom?
Agradecemos o interesse em participar do programa Agenda Brasil, no entanto, o curso é destinado aos JORNALISTAS DAS REDAÇÕES que atuam em editorias de economia, negócios e finanças. O programa foi instituido pelo FAAP-MBA para possibilitar a esses profissionais a oportunidade de se atualizarem e discutirem sobre os principais temas recorrentes em seu ambiente de trabalho, além de reforçar o bom relacionamento mantido com esse segmento da imprensa.

Não questiono o fato de a FAAP oferecer o curso apenas para quem trabalha em redação. Só acho questionável que a assessora nem tenha me perguntado se por acaso, eu trabalhava em uma redação. Além disso, eu sempre me pergunto: hoje não estou em uma publicação de massa, e sim em uma revista segmentada. Mas e amanhã? Supondo que eu vá trabalhar no Estadão ou na Folha: a resposta dada hoje contribuirá com a imagem que eu tenho da instituição para sempre, estando eu na Elo ou na The Economist. E o trabalho de relacionamento a longo prazo? Sempre ressalto com os meus clientes a importância de tratar todos os jornalistas - seja a Globo ou um site segmentado - da mesma maneira, uma vez que a roda gira e as pessoas trocam de emprego. É papel da assessora mostrar isso ao cliente, mesmo que ele não concorde.

Mas conhecendo esse mundo da comunicação corporativa como conheço e pela redação da assessora, de duas uma: ou ela achou que eu era uma jornalistazinha qualquer e por isso, daria muito trabalho responder ao que eu perguntei, preferindo copiar e colar um texto padrão, ou achou que eu era assessora e, ai é que não merecia a menor consideração.

Resumindo: qualquer que seja a situação, a postura dela foi incorreta. Bom, ela que torça para eu continuar sendo assessora ou uma jornalistazinha pequena. Porque se um dia estiver em uma grande redação, não vou me esquecer nem do nome e nem do sobrenome da coleguinha. Que, como assessora, merece minha reprovação da mesma maneira que o colega que chamou meu release de merda.

Um comentário:

Pronto falei! disse...

Tem gente que é grosso pq é grosso. Diploma não é sinônimo de educação.

Escreve para ela que há algumas décadas o jornalismo evoluiu e foram criadas várias vertentes, entre elas a assessoria de imprensa, que vem ganhando muito espaço no Brasil. Apesar dela ser assessora, não deve saber coitada que o assessor de imprensa muitas vezes é procurado para tirar dúvidas quanto a clientes, e você se enquadra nesse meio dos negócios. É uma pena que uma instituição de ensino tenha um posicionamento tão atrasado. Se eles querem continuar no século retrasado, que façam bom proveito da ignorância.