quinta-feira, 11 de junho de 2009

Comunismo universitário

Difícil eu gostar de qualquer coisa escrita na Folha de São Paulo.
Mas, esse texto, é sensacional. Descreve exatamente o que eu penso sobre a greve/rebelião na Universidade de São Paulo (USP).

MUDA USP
Por Sérgio Malbergier, editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo.

A USP vai gastar neste ano 83,17% de seu orçamento, ou estonteantes R$ 2,4 bilhões, com a folha de pagamento. E contratou uma auditoria externa para examinar a explosão dos gastos, como revelou em 27 de maio na Folha o repórter José Ernesto Credendio.

Vale à pena, à luz do choque no portão principal da universidade, reler o que Credendio escreveu poucos dias antes:

"A reitora da USP, Suely Vilela, contratou uma auditoria externa para fazer um pente-fino nos gastos da universidade com pessoal entre 2000 e 2006. A minuta do contrato, à qual a Folha teve acesso, lista uma série de itens que devem ser investigados pelos auditores, como controles e autorizações para a concessão de horas extras, verbas de representação, gratificações e reajustes.

"Outro ponto a ser investigado são as variações ocorridas na folha de pagamento entre janeiro de 2000 e dezembro de 2006, primeiro ano de Suely à frente da reitoria da USP.

"Em 2000, a universidade tinha 24.210 funcionários, entre ativos e inativos, número que, seis anos depois, chegaria a 26.087. No período, a participação dos salários no orçamento da universidade saltou de cerca de 77,2% (em 2000) para 84,8%, três anos atrás. Neste ano, a folha chega a R$ 2,4 bilhões, 83,17% do orçamento."

São estes funcionários que agora fazem greve, a greve anual. Querem 16% de aumento, com uma inflação rodando a 4%. Comem o orçamento do que já foi a grande universidade do país enquanto as instalações do campus caem aos pedaços. Literalmente. E na faculdade de arquitetura, de todos os lugares para desabar o teto.

Na ECA, onde me, digamos, formei, furtos são frequentes, e um incêndio na biblioteca destruiu cópias e negativos únicos (até hoje não tive coragem de checar se minhas duas obras-primas citadas no rodapé deste texto sobrevivem).

Corriam os primeiros anos 80, saíamos, va-gar-ro-sa-men-te, da ditadura, que com sua estupidez tinha empurrado quase todo mundo para a esquerda, o que era outra estupidez.

Na ECA (Escola de Comunicações e Artes), assim que entrei, 1983, encontrei uma greve de alunos pelo direito de não assinar a lista de presença. Que bandeira! Vitoriosa. O acordo formal determinou que um só aluno pudesse assinar a lista por todos nós. Mas era preciso o papel. A lógica da repartição.

A moda era punk, atrasada. Preto, ar desolado, revolta. A chapa anarquista que ganhou a eleição para o centro acadêmico, o Lupe Cotrim, defendia a extinção do centro acadêmico. E assim o fez. Mas, como o punk, durou pouco. Forças estudantis organizadas (quem pode levar isso a sério?) logo retomaram o espaço antes deixado livre.

Outro movimento foi contra a contratação de guardas particulares para patrulhar o esfumaçado campus, mas ele não conseguiu impedir a invasão dos guardinhas de moto (os "chips", em homenagem ao seriado). A polícia só entraria na universidade muitos anos depois.

Os grevistas, hoje, são menos criativos. As lideranças estudantis e sindicais não mudaram em quase nada sua forma de pensar o mundo nesses 20 longos e ricos anos. São reacionários, fascistóides da esquerda pequeno-burguesa-ascendente.

Além do aumentinho, querem barrar a expansão do ensino à distância. Dizem que precariza o ensino. Melhor precário que nenhum. Melhor que a USP chegue ao Crato que não chegue.

E como expandir as aulas presenciais se já se gasta tanto com a folha?

E online está o futuro do conhecimento. A internet é a maior difusora (instantânea) de saber. Entre os seminais avanços que essa conexão global de tudo traz está a revolução do ensino, que deixará de ser unitário, local, mas coletivo, global.

Mas obscurantistas da USP são contra a internet, pensam para trás.

A intervenção truculenta e nada inteligente da polícia só acabou servindo à causa grevista do funcionariado. O que é uma lástima. A universidade precisa voltar a produzir conhecimento, não só salários e benefícios.

NOTA DO BLOG: Cada um dos pequeno burgueses estudantes proletários que não tomam banho custa aos cofres públicos R$ 25 mil por ano. Já que eles não querem estudar, bem que poderiam devolver o dinheiro ou a vaga para aqueles que não podem se dar ao luxo em gastar seu tempo lutando por causas energúmenas.

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