quinta-feira, 16 de julho de 2009

Sobre pipocas, leis e regulamentações

Não me xingue, oras: esse post é sobre os times brasileiros, não sobre o Palmeiras (que ontem jogou muuuuito bem por sinal. Viu como técnico não entra em campo, mas pode ser desfalque?).

Há dez anos que um time brasileiro não consegue vencer um estrangeiro numa final de Libertadores. O último foi o Palmeiras em 1999. De lá pra cá, Palmeiras, São Caetano, Santos, Cruzeiro, Grêmio e Fluminense pipocaram bonito e deixaram que festas em espanhol ocorressem em nossos estádios. Em 2005 e 2006, quando times do país conquistaram títulos, as finais foram caseiras - não à toa, a Commembol proibiu finais entre times do mesmo país em 2007.

E o que isso nos diz?

Básico: que a desestruturação, falta de profissionalismo, e a total incapacidade dos clubes brasileiros segurarem seus ativos (ou seja, os jogadores) nos tornou menos capazes de termos times competitivos que sejam capazes de competir de igual para igual com nossos vizinhos sulamericanos.

E por que não temos essa capacidade, já que o Brasil é um dos países mais estruturados e com o maior PIB da América do Sul?

Há muitos fatores que podem explicar a decadência do futebol de clubes brasileiro na última década. Mas eu quero me prender a um especifícamente que, para mim, parece ser a mais relevante: a Lei do Passe Livre/Lei Pelé, em vigor desde 2001.

É sabido e de conhecimento amplo que TODOS os times do Brasil hoje são completamente dependentes da boa vontade dos empresários do futebol. Seja por meio de uma parceria aberta, como é o caso da Palmeiras/Traffic, ou oculta, como ocorre entre o São Paulo e Juan Figer, dos menores às camisas de maior tradição do futebol, todos os clubes de futebol hoje precisam de empresários para sobreviver. Ninguém anda com as suas próprias pernas, ninguém compra jogadores inteiros com dinheiro vindo de seu próprio bolso.

E tudo isso, graças à adorada Lei do Passe.

O Estado Brasileiro ao tentar regulamentar algo sobre o qual ele não sabe e não tem a menor ideia de como funciona (ok, Estado burro é redundância) conseguiu jogar nosso futebol no lixo.

A desculpa oficial era que a lei beneficiaria os atletas, que teriam maior liberdade para negociar seus contratos. Na prática, tirou-se o poder dos clubes e jogou-se na mão de empresários - que não estão muito preocupados com títulos, mas sim com a venda de jogadores por quantias milionárias para algum time obscuro do Uzbequistão.

Não que eu esteja elogiando a lei anterior, que tornava um jogador escravo do time. O ponto é que é absurdo o governo definir como deve ser uma relação de troca entre um indíviduo e uma associação esportiva. Os termos de um contrato de trabalho deveriam ser definidos unica e exclusivamente entre o jogador, com o auxílio de seu procurador/advogado/empresário e o clube, chegando-se a um acordo que seja bom para ambas as partes. Jamais essa negociação deveria ser definida por uma terceira parte que não entende absolutamente nada sobre o futebol.

Ou seja: Não precisamos de uma lei para definir a relação contratual entre times x clubes. Cada caso deveria ser um casa a ser definido e negociado entre as partes envolvidas. Por isso, a melhor solução para que os clubes brasileiros voltem a ter times competitivos é simplesmente acabar com qualquer tipo de regulamentação na relação de trabalho entre jogadores e clubes. Num cenário assim, tanto o jogador quanto o clube ganham mais poder de barganha. E os amantes do bom futebol poderiam voltar a ver time pelo menos razoáveis em campos brasileiros.

ps. Ainda sobre esse assunto, eu vou escrever mais, posteriormente.

4 comentários:

Seo Cruz disse...

Agora concordamos plenamente, senhorita Núbia!!!

Senna disse...

Hm... eu sou de opinião oposta.

Acho que somente uma maior regulação pode permitir uma virada desta situação.

Eu ainda não consegui vislumbrar as maravilhas deste mundo sem leis que você tanto prega.

Acho que preciso de maior bagagem no assunto.

piazera disse...

Já reparou que tudo que se refere ao Pelé fora de campo é ridiculo, vergonhoso ou traz prejuizo.

Esse é cagado mesmo.

Quanto ao texto, concordo que os acordos devem accontecer entre patrão e empregado unicamente.

E acredito ainda que a grande discrepancia no relacionamento jogador/clube é o fato de ser o unico relacionamento profissional onde o empregado tem mais lucro que o empregador.


Abraço

Núbia Tavares disse...

Piazeira, que comentário maginífico! É isso mesmo!!!