sexta-feira, 14 de agosto de 2009

2+2 = 5,987%

Post para registrar minha indignação. Hoje, o Bom Dia Brasil apresentou uma matéria sobre as críticas que o imbec... ops, Ministro do Planejamento Guida Mantega fez aos banco privados, durante a apresentação de resultados do Banco do Brasil. Eu não vou perder meu tempo com o ministrinho (pois, como bem disse o Djalma no Orkut, não dá para levar a sério um cara que diz que preços baixos é sinal de uma economia ruim). Por outro lado, a suposta melhor comentarista de economia da televisão brasileira disse uma besteira tão besteira, que eu não poderia deixar passar em branco.

Disse Miriam Leitão:

"O ministro está certo, as pessoas precisam de juros baixos para poder consumir e o Brasil sofre de um problema anacrônico de juros altíssimos, resquícios da época de superinflação."

O comentário parece lindo, correto? Mas eu explico porque é uma idiotice ímpar.

O preço do juro segue a uma lei básica da economia: a lei da oferta e da procura. Lei esta, que é tão certa quanto a lei da gravidade. Se você tem escassez, o preço sobre. Se você tem abumdância, ele cai.

Num mundo ideal, o preço do juro iria variar conforme a poupança acumulada pelos indivíduos - lembramos que os juros é o "aluguel" do dinheiro.

Já no mundo das regulações, intervencionismos e keynesianismos, os juros variam conforme o humor do governo e sua incansável mania de pensar sempre no curto prazo. Explico: para forçar uma queda no preço dos juros, é preciso ter mais dinheiro disponível para empréstimos. Só tem duas maneiras de fazer isso: uma é por meio da poupança (mas isso demora e pode não ter resultados já na próxima eleição). A outra, é por meio da expansão monetária - ou imprimindo papel moeda ou diminuindo a quantidade de dinheiro que os bancos devem ter como reservas. Como é mais fácil e rápido por as impressoras do Banco Central para funcionarem do que estimular as pessoas a guardarem dinheiro, adivnha o que o governo escolhe? Tchan nam!

Obviamente, ainda há um problema nesse raciocínio: qual é o problema em imprimir dinheiro para facilitar o crédito para as pessoas? Eu explico usando um exemplo que estamos sentindo na pele. Sabe a atual crise econômica do subprime, etc, etc? Pois é. É isso que acontece quando o governo forçam os juros a ficarem abaixo dos níveis que seriam praticados num livre-mercado. O dinheiro criado artificialmente, que não tem correspondente produtivo é dinheiro artificial, de mentira, sem valor nenhum. As pessoas acham que estão ficando ricas, que tem dinheiro e ai, vem a crise e mostra que todo aquele papel moeda não vale nada.

Esse processo de aumento da base monetária (isto é, impressão de dinheiro que não existe para facilitar o crédito) é o que causa os ciclos econômicos, não o livre-mercado.

Expliquei tudo isso, para chegar ao meu raciocínio: se a maior comentarista de economia da TV brasileira não sabe algo tão básico e acha que o caminho para o país é criar dinheiro de mentira que necessariamente causarão bolhas econômicas, como é que as pessoas realmente querem que esse país saia da miséria que tem?

Não estou defendendo os bancos privados, nem nada disso. Até porque, todo sistema financeiro hoje é uma grande mentira. Mas uma jornalista como a Miriam Leitão não saber algo tão básico, me faz sentir pena nojo dela e pena do resto do Brasil (afinal, eu vivo aqui e sinto os reflexos de todas as merdas que todos do Bancos Centrais fazem no mundo).

Com gente assim, é claro que no Brasil 2+2 será igual 5.987% em lugar de 4.

Um comentário:

brunette disse...

Sim, juros baixos criaram a bolha dos EUA, concordo. Mas um juro tão alto como o nosso não é justificável também. Se 2% cria bolhas, o nosso juro atrai mais investimento que setor produtivo entre outros problemas. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra.