terça-feira, 8 de setembro de 2009

São Pedro está lavando o céu com torneira de bombeiro

Muita gente não entende como eu, uma matuta do inteiro do Mato Grosso do Sul, que viveu mais da metade da vida numa cidade de 10 mil habitantes, pode viver em São Paulo - e adorar a dor e a delícia que é a vida nesta cidade.

Eu sei que é confuso e muitas vezes, eu mesma me pergunto que diabos faço aqui. Principalmente em dias como hoje, com muita chuva - mas MUITA CHUVA MESMO. O melhor comentário para definir São Paulo hoje eu vi no twitter - e é o título desse post. O clima daqui é mais instável que meu humor durando a TPM, o que te faz ter que carregar guarda-chuva, blusa de frio e de calor, para se prevenir das mudanças repentinas vindas do céus, diariamente.

Apesar de esse ser um fator que me irrita muito por estas bandas (afinal, minha rinite fica aqueeela coisa), confesso que o trânsito é algo que me faz ter vontade, sometimes, de me enfiar no meio do mato. Hoje, graças ao oceano que desabou dos céus, promete ser um dia daqueles - e a Iguatemi já deu a amostra de que devemos bater fácil os 150 km de congestionamento na volta para casa.

Hoje, uma da tarde, resolvi me arriscar a sair do escritório para comprar alguma coisa - qualquer coisa - para comer. Estava desabando o mundo e meu guarda-chuva, infalível, me salvado de ficar completamente molhada. Ao sair do prédio, aquele barulho INFERNAL: buzinas de diferentes tons, intensidades e altura se alternando num cruzamento completamente parado e sem qualquer perspectiva de mobilidade em curto prazo.
Para quem não é de São Paulo, esse relato pode parecer insano ou simplesmente surreal. Para quem mora aqui, é parte do cotidiano. O paulistano perdeu completamente a indignação diante de algo que parece tão absurdo para o resto da população brasileira.

Caminhando, eu confesso que mais do que o trânsito - que ainda me assusta deveras, mas estou começando a não considerá-lo o fim do mundo - o barulho das buzinas é algo chocante e absurdo. Não consigo entender qual é a causa, motivo, razão ou circuntância que leva pessoas aparentemente normais a ficarem freneticamente apertando oa buzina do carro, sabendo que ao executar esta ação, absolutamente nada de diferente irá acontecer. Ou, de maneira mais clara, com buzina ou sem buzina, o trânsito continuará parado.

Sei que muitos podem alegar que isso é uma terapia - na vontade de descontar em alguém/alguma coisa a raiva pelo trânsito caótico originário da soma de excesso de carros + chuva + inércia governamental, é preciso descontar a raiva de alguma maneira. E viva a buzina!

Pode ser coisa de matuta do interior, mas continuando achando que essa forma de protesto/alívio de stress é tão ineficiente quanto as ações governamentais para melhorar o trânsito em São Paulo. Aliás, a única coisa que realmente melhorou o trânsito em São Paulo foi a gripe suína, que adiou a volta às aulas da molecada. Como aqui não é a Nova Zelândia e não dá pra ter aulas apenas nos dias 31 e 32 de fevereiro (essa piada só quem for do tempo da TV Colosso vai entender), o jeito é encontrar uma solução alternativa que dê uma aliviada no stress da turma que está ao volante - já que melhorar o trânsito parece algo tão plausível quanto quanto passar as próximas férias em Júpiter). Qual, eu não sei dizer, mas pensei em algumas coisas e gostaria de ouvir a opinião dos leitores deste blog. Vamos a elas:

1) Distribuição de cervejas "de grátis" nas ruas e avenidas mais congestionadas;
2) Distribuição de vibradores para meninas e bonecas infláveis + DVD portátil + filme pornô para os meninos;
3) Distribuição de bolsa-helicóptero, para que parte da população se desloque pelo céu;
4) Dsitribuição do vale-puteiro para que boa parte da população masculina retarde a volta para casa;
5) Distribuição do bolsa-happyhour, para que parte da população fique bebendo no bar e pegue o trânsito depois da hora do rush;
6) Obrigar os fabricantes de automóveis a incluirem como item de série um dispositivo que solta gás de pimenta toda vez que alguém aperta a buzina mais que duas vezes por minuto.

Bom, estas foram algumas soluções que pensei. Porque é muito, muito, muito, muuuuito chato ficar ouvindo esse povo buzinando desesperadamente. Não há humor que suporte esse povo que só sabe apertar a buzina. Definitivamente, pior que qualquer coisa em São Paulo, é esse monte de gente que não para de buzinar e que quase me fazem gostar das vuvuzelas da África do Sul.

A matuta do interior se acostumou com tudo na cidade grande e divertida: trânsito, poluição, violência, grandes, distâncias, etc. Só não se acostuma com a falta de educação dos motoristas que acham que vão separar as águas do Mer Vermelho (ou abrir uma passagem no meio do congestionamento) apertando as malditas buzinas que só fazem piorar o barulho na cidade e irritar até quem está apenas caminhando e tentando não se estressar com a infra-estrutura caótica da maior metrópole do Brasil.

Um comentário:

Madinelli disse...

É, minha amiga, saiba que, mesmo quem nasceu, cresceu e vai morrer nesta cidade (pelo menos pretendo...rs...), não se acostuma com essas porcarias de buzinas, que passam o dia ovacionando a falta de educação. Hoje é dia de exercitar o dom da paciência... agora, 16:00h em São Paulo... escureceu de novo e voltar a chover forte...
Comecem a construir a Arca!!!