segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Blogue sua infância

Descobri que depois de uma certa idade, Dia das Crianças pode ser uma coisa muito chata. Ir às Lojas Americanas na véspera desta data e ter que aguentar crianças malcriadas que berram sem parar, pais que não sabem fazer os filhos se comportarem em público e "Lua de Cristal" com aqueles acordes típicos dos anos 80 e a voz irritante da Xuxa é algo realmente desagradável. Ok, talvez eu esteja sendo deveras ranzinza, mas me pergunto realmente como é que algum dia a Xuxa já fez sucesso. O problema não é a melodia lugar comum ou as letras clichês. O problema é a voz da Xuxa mesmo. Agora, pior que esta dúvida, é entender como hoje em dia ainda tem maluco que coloca uma porcaria destas de trilha sonora de uma loja. Preferia mil vezes RBD, Chiquititas ou Hanna Montana. E é sério isso.

De qualquer forma (e independente do mal gosto musical alheio), hoje é dia das crianças e eu consigo lembrar de inúmeras coisas da minha infância. Um tem a ver com a famigerada apresentadora infantil. Eu devia ter uns cinco anos e um prefeito engraçadinho resolveu fazer o povo de palhaço. Contratou uma "Xuxa Preta" para um show do dia das Crianças. Só esqueceu de avisar que a cantora era uma cover bronzeada. E lá fui eu para o Ginásio achando que iria ver a Xuxa cantar ao vivo (ok, eu tinha 5 anos e naquela época, acreditava que a Xuxa poderia ir em Glória de Dourados, 10 mil habitantes, no interior do Mato Grosso do Sul). Sim, imaginem minha decepção...

Acho que foi por conta desse episódio que deixei de gostar da Xuxa e passei a gostar da Angélica. E quase quebrei a casa inteira para ganhar uma fita K7 da outra loira, o que vinha com o hit "Vou de Táxi". É, tenebroso e vergonhoso, mas dêem um desconto, eu tinha 6 anos.

Da minha infância também lembro dos livros da Agatha Christie. Quando li "O mistério do trem azul", eu tive certeza que seria escritora quando crescesse. Devorei todos os livros dela e fiquei viciada em romances policiais. Hoje, não tenho tal pretensão, mas talvez tenha ficado no inconsciente a vontade de ser escritora (coisa que nunca vai acontecer, como os nobres leitores podem perceber lendo esse blogue, o talento passou longe de mim).

Uma passagem muito marcante na minha vida foi a cadeirada que eu quase dei em um colega de escola quando estava na quinta série. Eu estudava numa escola pública e nem todos os assentos tinham encosto, o que fazia com que nós, alunos, brigássemos literalmente por uma cadeira. Eu tinha um colega de classe, o Jefferson Tubarão, que sentava atrás de mim e era um mala sem alça de marca maior. Uma vez, eu peguei a cadeira e ele tentou tomar de mim. Eu puxei con tudo e só não dei na cabeça dele porque a professora impediu. Por conta dess episódio, o Jefferson fez um boicote e pediu que nenhum menino fosse à minha festa de aniversário de 11 anos. O boicote deu em parte certo: apenas um colega foi à minha festa. A parte boa é que o menino em questão era o Henrique (um ótimo amigo até hoje), que, na época, era o menino mais bonito da classe. Não que eu ligasse pra ele, mas só de poder chegar no outro dia na escola, virar para o Jefferson e falar: o Henrique foi na minha festa, tive um prazer à época que facilmente poderia ser comparado a um orgasmo hoje em dia. Um adendo: esse colega mudou de cidade um ano depois. Só o vi novamente uns cinco anos atrás, durante férias da faculdade. E não é que o menino ficou gato?

Voltando a minha infância, também me lembro de passar minhas tardes de verão no Caiçara, o clube da minha cidade, tomando banho de piscina, jogando videogame e suspirando pelo Márcio, meu primeiro amor. E sendo alvo de risadas de todo mundo, porque não bastava eu ser muito feia, ainda fui gostar de um cara mais feio ainda que não me dava bola. É, acontece... De qualquer maneira, as tardes de verão no Caiçara eram ótimas.

Da minha infância lembro ainda da Renata, que hoje é uma grande amiga, fazer com que toda a escola parasse de conversar comigo, porque passei cola para uma menina que era "do sítio" e que ela não gostava. Foram meses sendo rejeitada por todos, que riam e me chamavam de gorda nerd. Sim, crianças são ruins, malvadas e não têm o menor peso na consciência.

Por outro lado, lembro de andar de patins junto com a Daniela e o Neto. os dois eram meus vizinhos e tínhamos a clássica relação de amor e ódio que todas as crianças têm. A gente brigava, ficava de mal, inventava apelidos estapafúrdios uns para os outros e, dali a pouco, estávamos todos brincando juntos novamente. Devo muitas recordações a estes dois. O Neto tinha um SuperNintendo e foi graças a ele que eu conheci Mário, Street Fighter e Mortal Kombat. Também devo agradecer à Dani pelas tardes infinitas brincando de casinha na casa dela.

Voltando à Renata e acrescentando a Nicole ao relato, eu tive uma fase muito boa com essas duas. Vivíamos na casa da Nicole (que tinha todos os briquedos que todo mundo sonhava e queria) brincando lá. A desculpa, claro, era fazer tarefas escolares (não consigo entender como pais acreditam nisso). E pulávamos elástico.

Aliás, brincar de elástico era regra no recreio da escola, assim como responder os cadernos de pergunta (que, na verdade, era desculpa pra tentar descobrir quem gostava de quem). outra coisa divertida era mexer com os loucos da cidade. Tinha um cara, que vivíamos chamando de professor linguiça e saíamos correndo do homem, coitado. Também tinha a Fátima doida. e o Primo Ramo. Personagens inesquecíveis da infância de qualquer pessoa que foi criança em Glória.

Outra pessoa que hoje é muito minha amiga mas me infernizava quando eu era criança é a Cássia. A Cássia implicava com meus vestidos rodadinhos e vivia mexendo comigo quando eu passava perto da casa dela. Ela me achava "mocoronga". Talvez ela tivesse razão, mas pelo que me lembro, a recíproca era verdadeira.

Uma coisa que me lembro da minha infância é que eu achava todo mundo burro e tinha plena consciência que jamais seria a menina mais popular da escola. Mas eu me considerava mais inteligente que 90% das pessoas (menos a Renata) e talvez era um tanto quanto introspectiva devido a esse desprezo intelectual que eu tinha do resto do mundo. Ou talvez isso era só uma válvula de escape para eu compensar o fato de que não era linda e nem tinha os brinquedos mais desejados. De qualquer forma, eu me divertia muito e era feliz.

A parte mais legal de tudo é ver o quanto tudo isso te influencia hoje. Sem dúvida nenhuma, todas essas situações moldaram meu atual caráter. E eu tenho que agradecer a todos os amigos de infância. Eu fui uma criança feliz e sou uma adulta muito melhor por tudo isso.Momento ruins ou bons, eu só quero aproveitar esse dia para agradecer aos meus amigos. Que hoje também são adultos, que são ou não meus amigos. Mas que serão eternamente presentes na minha vida.

Feliz Dia das Crianças para todos!
Mas, please, eduquem bem seus filhos. Odeio criança birrenta e escandalosa. Exatamente por não ter sido uma.

2 comentários:

FabioS disse...

"A parte mais legal de tudo é ver o quanto tudo isso te influencia hoje." Com certeza. Adorei o post, parabéns. Beijos

Pablo0o disse...

Olá Núbia,

Li na internet um artigo seu que me interessou.
Estou a frente de uma iniciativa que publicará para o grande público os valores libertários.
Desejo conversar com você.

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