quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Da complexidade de se definir o que é amor...


“Você saberá o que é amor quando te perguntarem o que é ele e você pensar em uma pessoa, e não em uma definição.”

Sempre detestei frases prontas. Amor é isso, saudade é aquilo, ódio é aquilo outro. Sempre procurei definir coisas, pessoas, conceitos com minhas próprias ideias, independente de elas serem unanimidades ou escorraçadas por todos. Eu prezo e sempre prezei o pensar por mim mesma, enxergar o mundo pela minha própria ótica, criar meus conceitos, minhas definições, minhas visões de mundo. Mas, a flexibilidade manda e, algumas vezes, eu me deixo seduzir por clichês prontos quando eles fazem sentido.

A frase que abre esse texto faz todo o sentido na minha vida. Eu sempre pensei o amor como algo abstrato, sentimento intrínseco ao ser humano, que pode ser vivido e deletado, de acordo com aquilo que a vida e o tempo nos oferece. Sempre pensei no amor como um terceiro elemento na relação: existe eu, meu parceiro e amor que nos une e isso sempre fez muito sentido para mim. Da mesma forma, todas as vezes que disse “eu te amo” na minha vida para alguém, sempre disse com toda a sinceridade do mundo, dentro desse conceito. Eu estava com alguém, o amor apareceu e assim, vivemos nosso triângulo por um tempo (que podia ser curto ou longo).

Não que eu tenha dito eu te amo para muitas pessoas na vida – dá para contar nos dedos de uma mão. Sempre achei que o amor era algo muito sério para se viver com qualquer pessoa. Muitas pessoas que tiveram uma grande importância na minha vida não fizeram por merecer a presença desse terceiro elemento na relação. E, não, de maneira alguma, descarto a importância delas na minha vida. Muito pelo contrário, agradeço por cada pessoa que um dia, despertou meu interesse, independente de ter sofrido ou sido feliz. Entendo que nós somos o resultado de tudo o que vivemos e entendo que todos os meus relacionamento anteriores foram fundamentais para o meu relacionamento atual. Porque eles, em parte, construiram meu caráter, minha visão de relacionamento. E, talvez, sem o meu passado, talvez eu não estivesse preparada para viver o que hoje eu vivo – e isso poderia simplesmente fazer meu namoro ir para o espaço.

Mas, voltando ao assunto, sempre entendi o amor como um componente importante num relacionamento a dois. Mas eu nunca tinha imaginado o amor como o enxergo hoje. Ele sempre esteve fora de mim. Contudo, hoje, sinto que ele sempre esteve aqui. Ou pelo menos, parte dele. A outra parte estava com ele. E quando nos encontramos, foi como se fosse um reencontro. De duas metades separadas que voltavam a se unir. E, sim, eu sei que isso soa super clichê, mas eu realmente sinto isso.

Por isso, foi tão natural dizer “eu te amo”. Assim como é natural ouvir ele me dizer “eu te amo”. São três palavras que podem expressar um sentimento. Mas que soam para mim como “que bom estar completa de novo”. Porque expressar o amor, para mim, é algo ligado a estar completo. Amá-lo é me sentir completa, forte, inteira.  E quando às vezes eu penso que parece que ele sempre esteve comigo, é porque ele realmente esteve.  E amar vira mais do que um sentimento complementar. É a síntese daquilo que faz com que duas pessoas sejam uma coisa só. E elas são uma coisa só porque sempre foram, mesmo estando distantes ou sem saber uma da existência da outra ou sequer imaginar que seus caminhos vão se cruzar um dia.

E agora vocês ja sabem que sou imensamente brega quando estou amando.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O vídeo que mudou o meu destino



O momento musicalmente mais delicioso da história do cinema.


Transparência


(escrito em 29 de março de 2011)

Tenho o péssimo hábito de ser absurdamente transparente em minhas relações com homens, amigos, trabalho. Se estou irritada, dou patada. Se gosto, deixo isso claro. Se tenho ciúme, demonstro. Parece que não é assim que deveria ser. Ter sido honesta com meus amores, paixões, casinhos, amigos e afins, de uma maneira geral, não tem contribuído para o the end que eu tanto espero. Obviamente, isso causa choro e ranger de dentes quando o castelo de cartas desaba e você se vê, de novo, sozinha. Mas, mesmo assim, ainda acho que ser honesto vale a pena.

Meu ponto é: não tenho saco para joguinhos de sedução. E jogos de sedução, provocação, coleiras emocionais são atitudes tipicas de quem ainda não é maduro o suficiente para admitir para si mesmo que quer estar com alguém e assumir o risco que é se envolver com outra pessoa. Por isso, ela entra naquele jogo de não abraçar, mas não largar o osso.

Confesso que já agi assim muitas vezes na vida. E não me orgulho disso, embora entenda que esse é um período pelo qual todos devem passar. Principalmente quando se está apaixonado, é fácil cair no jogo da provocação gratuita: indireta no twitter, fazer ciuminho, ignorar o outro e todo esse mimimi. Mas, uma hora, você conclui que o desgaste de ficar nesse chove não molha não compensa. E se o outro lado não percebe isso, é porque o nível de maturidade dos dois é diferente. Logo, não compensa insistir em algo que já nasceu errado. Ou os dois jogam, ou não.

São em pequenas atitudes que você diferencia os meninos dos homens. As mulheres das meninas. Acho que estou aprendendo a enxergar isso finalmente.

E eu, sinceramente, cheguei a um nível que não tenho mais saco para isso. Se vou continuar sozinha, se não vou, se sofrerei no futuro, se não, que se foda. Há um ano, eu conheci todas as dores e delícias da paixão. Doeu muito. Mas foi muito melhor ainda. E se não deu certo, paciência. Mas eu repetiria tudo de novo. Sem pestanejar.

Homens

(escrito em 6 de abril de 2011)


Gosto de homens difíceis. Que me irritam, me fazem perder a cabeça. Que me fazemjogar tudo para o alto e parar o mundo por um abraço e um beijo. Gosto de homens sutis, que elogiam sem deixar tudo às claras. Que transpiram desejo com aroma de gentileza.  Que sabem sorrir e que sabem me fazer sorrir.

Gosto de homens que sabem o que querem. Que  prendem minha atenção por horas e horas com conversar aleatórias sobre o nada. Que sentam num boteco sujo pra tomar cerveja em copo americano e falar de futebol. Que tomam uma garrafa de vinho tinto ou prosecco falando sobre viagens, livros e música. Que se fazem desejáveis. Que sabem que o beijo, o abraço, o carinho acontece naturalmente. Que não forçam a barra para você fazer aquilo ou isso. Que fazem com que eu me sinta protegida, segura.

Gosto de homens que me fazem querer que o mundo acabe enquanto sou abraçada ou beijada.Que fazem com que eu me sinta única, especial, desejada. Gosto de homens ranzinzas e bem humorados. Gosto de homens com barba, barriga. Gosto de homem. Com defeitos, chatices e afins. Gosto de homens que são homens. Que se comportam como homens. E que sabem o que é uma mulher. E como tratar uma.

Esses homens existem?

Quote

„Você tem de conhecer todas as coisas do mundo. Crescer com isso, mas sua essência tem de ser a mesma. Senão, é o mundo que engoliu você e não ao contrário. É você que tem de engolir o mundo“

Sorrir

Pequenos mimos. Pequenas gentilezas. Tudo simples, bonitinho. Um bom dia, boa tarde, boa noite. Aquela preocupação com a sua tosse. Uma longa conversa sobre o nada. A confissão de que o que importa é a companhia, o olhar. O ato de dividir um lanche. O comentário sobre aquele seu texto. Uma surpresa inesperada. A ligação fora de hora só pra dar “oi”. O olhar de conforto quando você está aflita. Aquela sensação de, apesar da saudade/distância, saber que tem alguém que gostaria de te dar um abraço agora. De estar com você. De te ouvir falar sobre qualquer coisa porque, no final, é a sua presença que importa.

Pequenas atitudes, pequenas rotinas diárias que há muito não faziam parte da minha vida. E que estou redescobrindo agora, durante meu inferno astral, perto de completar 26 anos. Coisas tão necessárias, tão lindas e tão maravilhosas de serem praticadas que esquecemos no trator que é essa tal de vida. A arte de olhar pra alguém e ver mais do que aquilo que ela aparenta ser – mas o que é realmente, com seus defeitos, mas, principalmente, suas virtudes. Porque, ao final, defeitos todos temos. Mas o que torna alguém diferente, especial, único?

Cada vez mais penso que perdemos a capacidade de enxergar as pessoas como elas são de verdade. Vamos nos guiando por aparências, por atitudes, e esquecemos de ver quem realmente está na nossa frente. Quem é aquela pessoa com a qual desejamos estar. E quando somos capazes de readquirir essa virtude, um mundo todo novo surge a nossa frente.

Pra quem é especialista em ser o que ninguém acha que eu sou, é muito bom ver que nem todo mundo perdeu essa capacidade de enxergar a alma do outro.

E é isso que está me fazendo ver o mundo e as pessoas com outros olhos. E não perder a fé nas pessoas. E sorrir deliciosamente, verdadeiramente, sinceramente.

Uma carta para o passado

Olá Núbia, tudo bem?

Aqui quem fala é a Núbia, 10 anos mais velha. Escrevo daqui de 2011 para contar algumas coisas que vão acontecer de você nos próximos 10 anos.

Primeiro de tudo, acalme-se. Seu aniversário de 16 anos será muito divertido. Você vai para a ExpoAgro ver o show do Bruno e Marrone (no futuro, você vai detestar música sertaneja, mas aproveite por ora). Vai chover muito e você ficará com a bota caramelo cheia de lama. Mas será divertido e você vai adorar encontrar todo mundo de Glória em Dourados. Sim, o Márcio, está pessoa que atormenta seu coração há três anos, estará lá. E, sim, ele vai te ignorar. Mas, não se preocupe. Em breve, você vai ficar com ele, vai fazer aquilo que deseja desde os 13 anos.

Só sinto informar que será uma tremenda decepção – você vai achá-lo bobo e burro. E ainda por cima, não vai exatamente adorar o beijo dele.  E vai ver como essa foi só uma paixão adolescente. Sei que seu coração dói quando você pensa nele, mas acredite – você vai se apaixonar muito mais, vai amar muito mais e, quando chegar em 2011, vai ver como isso foi apenas um sentimento pequeno perto do que você descobrirá e sentirá na próxima década.

Você vai se divertir muito nos próximos anos. Por exemplo, você vai para a delegacia de Deodápolis junto com todos os seus amigos – e vai ser um dos dias mais divertidos da sua vida. Você vai conhecer uma pessoa legal pra substituir o Márcio. Tudo bem que primeiro você vai detestá-lo de cara e xingá-lo muito. Mas, depois, vai se apaixonar e se divertir com ele.

No final de 2001, você vai passar no vestibular para a agronomia. Mas, assim que o ano virar, você vai mudar completamente de ideia e resolver tentar prestar o vestibular para jornalismo ou direito. Fique calma: você será extremamente bem sucedida nessa meta que eu sei o quanto te atormenta. E você vai fazer faculdade onde você menos imagina. Prepare-se porque, em 2003, sua vida vai mudar completamente. Você irá para outro estado, conhecerá pessoas muito diferentes. Mudará seus gostos. Aprenderá muito. Vai sofrer muito também porque nem todos irão com a sua cara e farão de tudo para te humilharem. Você vai se sentir péssima, rejeitada, horrorosa. Mas vai superar isso e ter certeza que fez o que precisava fazer, se comportou como deveria se comportar. Te aviso que não é fácil ser um pessoa com opiniões fortes – você vai sofrer muito com isso, mas isso te ajudará a conhecer muita gente legal do bem, que te ajudará muito.

Fique tranquila: suas melhores amigas (Cássia, Joyce, Monnik, Rafaela e Paula) continuarão a ser suas amigas. Você vai falar menos com elas, conforme o tempo passar. Isso porque as vidas de vocês tomarão rumos muito distintos. E você será aquela que estará mais distante, tanto em termos físicos como em modo de encarar a vida. Mas essa amizade bonita que vocês têm permanecerá pela próxima década.

Sua relação com o seo Adalberto Tavares vai piorar. Muito. Você terá que ser forte para entender o que acontecerá entre você e seu pai. As coisas não estão claras e definidas aqui. Mas não se preocupe, que tudo o que acontecer, não será culpa sua. Será o destino, a vida. Já em relação à dona Cícera, você agradecerá por tudo o que reclama hoje. Você verá que os horários, as regras, todas essas coisas chatas que te fazem brigar com ela serão fundamentais para você quando você estiver sozinha, longe de casa, e sem ter com quem contar. E, apesar de continuar brigando (você sabe como sua mãe é uma pessoa implicante), vocês se tornarão mais próximas e amigas nos próximos 10 anos.

Sei que você se acha feia, desinteressante, etc. Isso não vai mudar muito nos próximos anos. Mas não se preocupe com algo que eu sei que te atormenta. Se nenhum garoto demonstra interesse por você, ou se você sempre fica sozinha nas festas, relaxe. Nos próximos anos, o problema será outro: vão aparecer tantos meninos e homens na sua vida, que o problema será o excesso de oferta. Tanto que você vai fazer um monte de bobagens das quais se arrependerá. Mas elas farão com que você, com o tempo, aprenda a se valorizar, a saber quem merece suas lágrimas, seus sorrisos, sua dedicação, você.

Você vai continuar brigando com a balança pela próxima década, mas tenho uma notícia bacana: quando entrar na faculdade, você vai pular do sutiã 38 para o 44. YES, você terá peitos grandes, girl!!! (mas a bunda continuará pequena – não dá pra ter tudo, né?) Você também vai se arrepender desse seu cabelo loiro e será morena por boa parte dos próximos anos. Cara, você vai encolher dois centímetros também. Sim, eu sei que é bizarro, mas vai acontecer. Vão inventar uma coisa revolucionária chamada escova progressiva e você selará a paz com seus cabelos.  E você vai aprender a gostar de coisas do seu corpo que hoje você ignora – sua boca, por exemplo.Você também vai descobrir que alguns garotos te acham sexy – e que isso não é necessariamente bom.

Sei que você não exatamente se orgulha de ser virgem e te digo que vai permanecer uns anos assim ainda. Mas sua primeira vez será muito legal e nada traumática.  Enjoy it! E você vai fazer tudo certinho, com a pessoa certa, na hora certa. E, comemore: você não será mãe adolescente, como muito das suas amigas serão – em breve, vai ter um festival de amigas grávidas, gata. E olha, xô contar: um monte de gente que nem olha na sua cara hoje vai querer ser sua amiguinha/puxar seu saco/te pegar. E você vai saber colocar esse povinho em seu exato lugar.

O que mais vai alterar na sua vida será seu gosto musical e a maneira como você se vestirá. Você vai aprender a usar blusa de alcinha, vestido, saia e vai virar uma pessoa do samba e do rock, coisa que hoje você não é. E vai para com essa vida de freqüentar prova de som de carro e prova de laço. Enquanto a virada não vem, te digo: aproveite.

Em 2002, você terá a maior alegria e a maior tristeza da sua vida até então: você vai passar no vestibular, mas seu time será rebaixado pra segunda divisão. E, em relação ao Palmeiras, as notícias são desanimadoras. Esqueça tudo o que viu até agora, você vai sofrer e muito por conta do verdão. Mas ai é que você vai entender o que realmente sente por esse time. Vai entender o tanto que você ama o Palmeiras. Será nas tristezas dos anos 2000 que você vai perceber que o Palmeiras é fundamental. E, se terá tristezas, terá felicidades também: GAROTA, VOCÊ VAI A UM JOGO DO PALMEIRAS! NO PALESTRA ITÁLIA! VAI SER SÓCIA DO CLUBE! VAI RESPIRAR VERDE E BRANCO! Mesmo que, em alguns momentos, tanta paixão possa vir a ser criticada e você vai escutar coisas ruins, coisas que doem, por conta do seu amor pelo verde e pelo branco, como tudo, as coisas boas serão maiores que as coisas ruins.

Não sei se consegui te mostrar o que será da sua vida nos próximos 10 anos. Mas quero te dizer que, daqui de 2011, eu tenho muito orgulho de você, ai em 2001. E te afirmo que você fará tudo certinho, como tem que ser: com acertos e erros, mas sempre aprendendo e melhorando.

Obrigada por você existir ai e se comportar como está se comportando. Daqui, eu agradeço.

Complexo

(escrito em 10 de julho de 2011)


Tenho dois lados antagônicos que travam uma batalha ferrenha dentro de mim. E está cada vez mais insuportável conviver com ambos, agora que eles resolveram adiantar a crise dos trinta.

De repente, bateu um medo terrível de morrer velha, sozinha, e sem ninguém. De ficar para tia. De não conseguir ter uma família. Ou ter uma família desestruturada. Bateu medo de nunca conseguir viver um amor equilibrado, longo, para sempre (lembrando que o pra sempre, sempre acaba).

Ressalte-se que ando muito em paz com vida pessoal e trabalho. Feliz como há muito não estava. Então, por que raios desabo a chorar na madrugada, achando que o mundo vai acabar?

Pois é, não é fácil conviver com o dark side of moon que toda mulher complexa como sou tem. Daí meu outro lado, o que se mostra e brilha, me lembra que a arte da felicidade está na simplicidade, nas pequenas coisas e momentos de cada dia. Que o choro está no complexo, e não no simples.

E eu concluo que meu grande desafio nessa fase serena da vida é saber lidar com o simples e ser cada vez mais simples. Desafio gigante para a complexidade em pessoa que sou.

Amor só é bom se doer?

(post publicado em 29 de agosto de 2011)


Olá, olá, olá.

Eu sou a Núbia, uma garota que caminha sobre a corda bamba dos 26 anos (que é o limiar entre a bagunça dos 20 e a crise de “tô velha” dos 30 anos).  Estou escrevendo aqui só porque a Renata e a Thais, donas do blog, são minhas amigas, claro. Por isso, não esperem muito de mim, além de conversas desconexas sobre smartphones, iPads, futebol e algumas reflexões sobre como é difícil essa coisa de ficar adulto e ter que viver sem tem a barra da saia da mãe para se esconder. Sim, não sou exatamente uma mulher/menina padrão.

Não sei falar de cor de esmaltes (eu tenho manicure grátis na empresa e vivo esquecendo de fazer a unha) ou acompanhar todas as tendências da moda. Compro roupa porque fui com a cara, ou porque me deu na telha, ou porque estou deprimida (em relação a esse último ponto, aposto que vocês também são assim). Enfim, sem grandes expectativas por nenhuma das partes, estou chegando por aqui.

A essa altura você deve estar se perguntando: tá, muito legal esse blá, blá, blá pseudo, mas, e esse título ai do post?

Muito bem. Eu realmente não sabia sobre o que escrever nesse post inaugural.  Estava ouvindo Canto de Ossanha, do Vinícius de Moraes, hoje de manhã. Um dos trechos da música diz:

Pergunte ao seu orixá
Amor só é bom se doer

Dai veio a ideia do post. Por que sempre temos uma tendência terrível em complicar o que é simples? Ou amar e ser amado é uma tarefa complexa demais para ser desvinculada do sofrimento?

Claro que eu não tenho a resposta. Mas é claro que amor e dor caminham lado a lado. Às vezes eu acho que isso é pior quando se é mulher. Tenho uma impressão de quem está do lado de cá de que os homens conseguem lidar de uma forma mais tranquila com as dores e delícias dessa vida de tentar encontrar a tal da alma gêmea. Nós não.

Somos capazes de passar anos e anos vivendo amores platônicos e jogar fora em um dia um amor sincero. Não conseguimos decidir entre dois amores e resolvemos ficar com nenhum (ou com os dois, o que sempre dá merda). A gente sofre, chora, se descabela, tudo por que essa coisa de amar parece muito complexa/difícil/triste. DAmos valor para aquele cafa que chuta nossa bunda e ignoramos aquele mocinho todo bonzinho que está babando ali ao lado. O que é bizarro, se você pensar bem, porque o amor deveria proporcionar felicidade.

Pergunto-me sinceramente se já não passei mais tempo sofrendo por amor do que sendo feliz por ele. E me pergunto: por que isso, minha gente? Tem que doer tanto assim mesmo?

Como eu não tenho um orixá, eu não tenho quem responda para mim. Por isso, apelei para mim mesma para descobrir porque raios amar doi tanto. Não sei se isso é uma resposta. Mas acredito que, sem drama, o amor não teria graça. Eu não acho realmente que o amor tenha que doer. Mas cada vez acho que só achamos graça e só damos valor a alguém quando as coisas são difíceis, complicadas, quando os caminhos até a felicidade são tortuosos. O ser humano tem o DNA da superação em si, de sempre querer vencer desafios, de falar “eu consegui”. Fico pensando como é conquistar um amor sem algo que torne o ato dignno do verbo “conquistar”. Acho que ficaria sem graça. E, por isso, talvez a gente descarte o simples e prefira o complexo, o que dói, o que machuca, mas que proporciona momentos de felicidades muito maiores que toda a dor sentida junta.

E, dai, concluo: Vinícius estava certo. Amor, para ser bom, tem que doer.

O amor entre homens (e mulheres) e um time de futebol


(escrito em 29 de agosto de 2011)

Texto que escrevi para o De Primeira sobre os 97 anos do Palmeiras

Hoje meu time completa 97 anos de idade. Ontem, jogando muito, daquele jeito que a torcida gosta, ele foi eliminado de um torneio que poderia ser a salvação do ano com um gol de um ex jogador que saiu do clube chutado pela torcida.

Eu faço parte da torcida que tinha medo do tal volante responsável pela eliminação do meu time ontem. Tinha e continuo tendo. Não me imnporta se hoje os tempos são outros, se isso ou se aquilo. Eu não aceito perna de pau no meu time, mesmo que seja obrigada a conviver com eles por anos, décadas. Eu aceito perna de pau, dirigente filho daquela senhora de má reputação, frio, chuva, trânsito, longas distâncias, derrotas acachapantes, jogos sem graça, jogos ruins, jogos soníferos, passes ridículos, falhas bizonhs da zaga, gols bizarramente perdidos. Aceito tudo, mesmo achando que meu time sempre tem que ser o melhor.

Muita gente não entende. MUUUUITA gente não entende MESMO essa coisa de ser torcedor. De aguentar humilhações, cansaço, chuva, frio e porrada atrás de porrada. Falando sério: você aguentaria de um namorado [a] o que você aguenta do seu time? Eu não e aposto que 99,99% dos torcedores de verdade que conheço (aqueles cujo humor varia junto com a situação do time na tabela do campeonato) não aguentariam também.

O ato de torcer não é pra qualquer um. Amar um time de futebol é, antes de tudo, ser um masoquista nato. A gente sabe que vai sofrer. Eu desisti de ter unhas longas porque existe o Palmeiras e, entre ter longas unhas pintadas de vermelho, eu escolhi devorá-las incansavelmente durante cada jogo, cada lance, mesmo que seja aquele jogo que não vale mais nada com time reserva contra um adversário inexpressivo. Torcedor de verdade tem uma doença pelo sofrimento que é torcer para um time de futebol. É uma dor que dá prazer. Necessário. É o sofrimento absolutamente indispensável para eu poder sem quem eu sou.

Sim, eu não tenho o menor problema em sofrer por conta do futebol. Ser torcedora fanática, retardada, daquelas que arrumar briga com desconhecidos em bar porque falaram mal do meu time me faz bem. É uma coisa meio louca, mas eu não tenho o menor problema com em conviver com os sentimentos doentios que estão ligados ao futebol.

É por isso que, hoje, 26 de agosto de 2011, eu estou feliz com o aniversário do time que ontem foi eliminado pelo Vasco na Copa Sulamericana. Eliminados na primeira fase, com um gol ridículo, feito por um jogador ridículo que eu não gostaria de ter no meu time de jeito nenhum.

Motivo de vergonha? De jeito nenhum. De sofrimento? Sim, quero que meu time ganhe até campeonato de par ou ímpar. Mas eu jamais terei vergonha das cores verde e branca que vestem a Rua Turiassú e que estão pintadas no coração de 18 milhões de apaixonados pela Sociedade Esportiva Palmeiras, esse time que eu amo tanto e amarei para sempre.

Parabéns, Palmeiras!

Tutorial para me seguir no Twitter

Olá. Meu nome é Núbia e estou escrevendo esse tutorial para você, que pretende me seguir no Twitter. O objetivo é estabelecer regras amigáveis de convivência, de maneira que nem eu, nem você, fiquemos estressados por conta da convivência tuiterística, ok?

Primeira regra: se você me pedir para eu te seguir de volta, eu não vou te seguir. Uma maneira bacana de me fazer te seguir é estabelecer um diálogo legal sobre algum assunto de interesse comum. Se você for uma pessoa interessante, eu com certeza vou te seguir, ok? Mas não me peça jamais para te seguir de volta, combinado?

Dois: eu escrevo muito, quase o tempo todo, sobre assuntos  bastante aleatórios. Em dias de jogos do Palmeiras, além de flodar a sua timeline, provavelmente escreverei palavras de baixo calão para elogiar árbitros e futebol/jogadores. Acostume-se.

Três: esssa é uma @ altamente irônica. Não me leve a sério e saiba que, muito provavelmente, estarei sendo irônica.

Quatro: adoro ver o circo pegar foto. Se você ficar de mimimi, vou te encher o circo, trollar e causar. Adoro ver gente irritadinha e, quanto mais a pessoa fica irritadinha, mais vou irritar.

Cinco: sou uma profissional de social media. Logo, muitas coisas que escrevo, escrevo para testar reação/aceitação em relação ao tema/modo de abordagem/linha editorial. Nem sempre penso/acredito naquilo que escrevo, mas escrevo para observar o comportamento das pessoas e poder aplicar aos meus clientes.

Seis: Por isso, NÃO ACHE QUE VOCÊ ME CONHECE PORQUE ME SEGUE NO TWITTER. Não sou sua amiga porque nos seguimos. Podemos até vir a ser, mas isso só o tempo dirá. De novo, muito do que escrevo pode ser só teste de aceitação de audiência. Portanto, não ache que sou sua melhor amiga.

Sete: Continuando, meu Facebook não é uma extensão do meu Twitter. No Facebook, eu só aceito pessoas que conheço pessoalmente e são realmente parte do meu convívio. Nem adianta adicionar que não vou aceitar.

Oito: Adoro debates e pessoas que me confrontam. Agora, se xingar, é block e tchau. Sem dó nem piedade.

Nove: Não sou conselheira/diretora/nem porcaria nenhuma no Palmeiras. Minhas opiniões sobre o clube/time são baseadas no que sei que acontece nos bastidores. Não sou influenciada por grupo nenhum e falo o que eu penso mesmo. Se não gostar, o botão unfollow está ai para isso.

Dez e último: namoro. Então, pegue sua DM com cantadinha barata e enfie no nariz. Ah, também não me pergunte a @ do meu namorado porque eu não falo nem sob tortura - NÃO QUERO NENHUMA GALINHA RONDANDO O QUE É MEU.

Obrigada pela atenção e bora tuitar.

Abs,

@meninanubia

A real lição da dor

Tenho uma dificuldade imensa de escrever sobre o que quer que seja quando estou feliz. Pode parecer estranho, mas é isso mesmo. É a dor que me inspira, a dificuldade que me arranca palavras e as chateações que me instigam a joga para fora, em forma de palavras agrupadas, opiniões e pensamentos trancafiados dentro da minha cabeça.

E, contrariando os últimos anos, estou em uma fase de muita paz, felicidade e sorrisos sem motivo (ou melhor, com motivo sim. Mais de um, inclusive). Não que eu não tenha nenhum problema, é claro. Mas, pela primeira vez em muito tempo, no geral, está tudo espetacularmente bem (claro que dinheiro falta, sempre, mas com esse problema, eu já me acostumei).

Estou trabalhando em um lugar bacana, fazendo o que gosto. Estou com a pessoa que eu gosto e gosta de mim e estamos felizes, nos conhecendo melhor a cada dia, aproveitando cada momento mínimo e fofo da convivência mútua. Estamos nos descobrindo, rindo, conversando, conhecendo, enfim, vivendo o momento mais delicioso de um relacionamento. E, de repente, me vejo sem capacidade de escrever. Eu penso naquele sorriso, naqueles olhos brilhantes, me derreto e… nada de conseguir escrever. Eu fico presa dentro de mim mesma, vivendo sentimentos e emoções incríveis, novas, impossíveis de serem traduzidas em palavras – e não me esforço para fazer isso.

E sempre foi assim. Leio os blogs que tive desde 2003, quando criei meu primeiro “diário” no falecido Blogger Brasil, e vejo que os momentos de produção mais intensos foram exatamente aqueles no qual estava atormentada, insatisfeita, me sentindo ferida, machucada. É incrível como a dor é muito mais fácil de ser traduzida para aquilo que chamamos de linguagem escrita (ou falada) do que a paixão, o amor, a felicidade sublime.  Por que isso, meu Deus? Não deveria ser ao contrário? Não deveríamos falar mais da felicidade, do amor, da paixão, dos sorrisos motivados por uma troca de olhares do que as lágrimas derramadas por quem não nos merece?

Sinceramente, acredito que sim. Mas, olhando para mim, para quem me cerca e para o mundo, de uma maneira geral, acredito que essa particularidade não seja apenas minha.  E esse comportamento negativo é incentivado por  nós. Isso fica bem claro para mim cada vez que escuto minhas amigas dizerem que estou com uma visão “distorcida da vida” porque estou apaixonada. Será? Será que a vida é realmente horrível e tentar não enxergar as coisas dessa forma é ter uma visão distorcida dela?

Fiz todo esse nariz de cera para chegar em uma situação que aconteceu essa semana e me deixou assustada: escutar, em menos de 24h, de três amigas diferentes, que não se conhecem, que elas concluiram que vão ficar sozinhas para sempre. Fico pensando quem tem razão e quem tem a visão distorcida: eu, que acho que é possível encontrar alguém legal, ou minhas amigas que acham que nunca vão encontrar. Acredito que a maioria das pessoas que vão ler esse post dirão: é claro que elas estão certas e você errada, Núbia!

Eu entendo perfeitamente que as pessoas pensam assim. Voltando um pouco, somos treinados para acreditar na desgraça e não enxergar o lado positivo das coisas. O que lemos nos jornais? Catástrofes, roubos, mortes, coisas ruins. Um carro bate e faz-se um trânsito gigante porque todo mundo que passa perto quer ver o morto jogado no chão. Desgraça é algo que o ser humano parece ter uma relação masoquista, de amor e ódio. Dizemos que não gostamos dos fatos e sentimentos ruins, mas temos uma visão extremamente pessimista da vida, de nós, do mundo.  E eu me pergunto: até onde essa desconfiança de que tudo vai errado não colabora realmente para estragar um relacionamento? Até onde as amarguras do passado atrapalham o meu presente, o das minhas amigas, o seu?

Aprendemos que é com a dor que a gente cresce e é errando que se aprende. Mas, será que estamos aprendendo a lição correta que a dor nos quer passar? Será que a lição que os erros no traz é “veja isso e lembre-se que tudo pode dar errado” ou apenas “lembre-se desse momento, mas saiba analisar sua situação e entenda que as pessoas não são iguais”?

Eu quero acreditar que seja a segunda. Ok, é a visão de quem está vivendo um momento incrível na vida. Mas se eu tivesse me agarrado ao primeiro pensamento em lugar do segundo, eu nunca teria permitido que a pessoa incrível que mudou minha vida para muito melhor tivesse entrado na minha vida, por puro medo de que ele fosse “só mais um fdp”.