quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Amor só é bom se doer?

(post publicado em 29 de agosto de 2011)


Olá, olá, olá.

Eu sou a Núbia, uma garota que caminha sobre a corda bamba dos 26 anos (que é o limiar entre a bagunça dos 20 e a crise de “tô velha” dos 30 anos).  Estou escrevendo aqui só porque a Renata e a Thais, donas do blog, são minhas amigas, claro. Por isso, não esperem muito de mim, além de conversas desconexas sobre smartphones, iPads, futebol e algumas reflexões sobre como é difícil essa coisa de ficar adulto e ter que viver sem tem a barra da saia da mãe para se esconder. Sim, não sou exatamente uma mulher/menina padrão.

Não sei falar de cor de esmaltes (eu tenho manicure grátis na empresa e vivo esquecendo de fazer a unha) ou acompanhar todas as tendências da moda. Compro roupa porque fui com a cara, ou porque me deu na telha, ou porque estou deprimida (em relação a esse último ponto, aposto que vocês também são assim). Enfim, sem grandes expectativas por nenhuma das partes, estou chegando por aqui.

A essa altura você deve estar se perguntando: tá, muito legal esse blá, blá, blá pseudo, mas, e esse título ai do post?

Muito bem. Eu realmente não sabia sobre o que escrever nesse post inaugural.  Estava ouvindo Canto de Ossanha, do Vinícius de Moraes, hoje de manhã. Um dos trechos da música diz:

Pergunte ao seu orixá
Amor só é bom se doer

Dai veio a ideia do post. Por que sempre temos uma tendência terrível em complicar o que é simples? Ou amar e ser amado é uma tarefa complexa demais para ser desvinculada do sofrimento?

Claro que eu não tenho a resposta. Mas é claro que amor e dor caminham lado a lado. Às vezes eu acho que isso é pior quando se é mulher. Tenho uma impressão de quem está do lado de cá de que os homens conseguem lidar de uma forma mais tranquila com as dores e delícias dessa vida de tentar encontrar a tal da alma gêmea. Nós não.

Somos capazes de passar anos e anos vivendo amores platônicos e jogar fora em um dia um amor sincero. Não conseguimos decidir entre dois amores e resolvemos ficar com nenhum (ou com os dois, o que sempre dá merda). A gente sofre, chora, se descabela, tudo por que essa coisa de amar parece muito complexa/difícil/triste. DAmos valor para aquele cafa que chuta nossa bunda e ignoramos aquele mocinho todo bonzinho que está babando ali ao lado. O que é bizarro, se você pensar bem, porque o amor deveria proporcionar felicidade.

Pergunto-me sinceramente se já não passei mais tempo sofrendo por amor do que sendo feliz por ele. E me pergunto: por que isso, minha gente? Tem que doer tanto assim mesmo?

Como eu não tenho um orixá, eu não tenho quem responda para mim. Por isso, apelei para mim mesma para descobrir porque raios amar doi tanto. Não sei se isso é uma resposta. Mas acredito que, sem drama, o amor não teria graça. Eu não acho realmente que o amor tenha que doer. Mas cada vez acho que só achamos graça e só damos valor a alguém quando as coisas são difíceis, complicadas, quando os caminhos até a felicidade são tortuosos. O ser humano tem o DNA da superação em si, de sempre querer vencer desafios, de falar “eu consegui”. Fico pensando como é conquistar um amor sem algo que torne o ato dignno do verbo “conquistar”. Acho que ficaria sem graça. E, por isso, talvez a gente descarte o simples e prefira o complexo, o que dói, o que machuca, mas que proporciona momentos de felicidades muito maiores que toda a dor sentida junta.

E, dai, concluo: Vinícius estava certo. Amor, para ser bom, tem que doer.

Nenhum comentário: