quarta-feira, 18 de julho de 2012

Perdi meu amor na balada – Viral do ano até agora (podem me xingar)


Apesar de trabalhar com comunicação e mídias sociais, eu não costumo falar muito sobre isso aqui e no Pluralíssimo por motivos de: já falo de trabalho o dia inteiro. Blog, pra mim, sempre foi um espaço para relaxar, desligar do trabalho e falar de outras coisas que me interessam. Mas, mesmo sem ter o hábito e sem ninguém ter pedido minha opinião, não estou me contando e vou dar a minha opinião sobre o viral da semana, “Perdi Meu Amor na Balada”.

Um resumo rápido para quem não sabe do que se trata: há uma semana, foi publicado um vídeo na internet de um rapaz que perdeu o amor dele na balada. Ele dizia que conheceu a Fernanda, ficou apaixonado por ela, mas perdeu o contato porque anotou o telefone dela num papel e perdeu. E pedia ajuda das pessoas para encontrar a Fernanda.

Para quem está acostumado com as "internetes", CLARO que tava na cara que era um puta viral. A dúvida era: de quem? Primeiro, geral pensou que era da Casa 92, balada que o rapaz citava no vídeo. Depois, a desconfiança migrou para o site Segunda Chance, que oferece serviços para você encontrar pessoas que conheceu aleatoriamente e depois perdeu contato. Até que ontem veio a verdade: era um viral do Nokia Pure View, o celular nhóin da Nokia que tem uma câmera de incríveis 42 megapixel que cria imagens de 8 megapixel com uma definição sensacional.

Mas, até chegarmos a esse ponto, teve muito auê e, inclusive, gente que acreditou na história. Uma fan page foi criada pelo protagonista (clique aqui para visitar) e uma quantidade considerável de pessoas se mobilizou para ajudar o Daniel a encontrar a Fernanda achando que a história era verdade. Quando a verdade foi revelada, muita gente se decepcionou, xingou e o “perdi meu amor” foi o meme da tarde de ontem no Twitter. O suficiente para que outro tanto de pessoas considerasse esse um viral um homérico fail. Eu discordo e vou explicar minhas razões.

Ações de marketing viral têm como objetivo fazer com que algo caia na boca do povo de maneira espontânea no geral. O melhor exemplo de viral brasileiro, na minha humilde opinião, foi da Vivo, com o vídeo "Eduardo e Mônica", publicado no dia dos namorados de 2011. Um viral unânime, que todo mundo aplaudiu, curtiu, compartilhou e por ai vai. O vídeo foi divulgado e foi sucesso total, reto e direto.

Já o da Nokia foi diferente: criou-se um enredo com cara de verdadeiro que durou mais ou menos uma semana até a revelação. E, nesse período, o assunto foi sendo alimentado, remoído, discutido, debatido.  O final pode não ter agradado a todos, mas dentro da proposta de fazer um viral, não se pode negar que “Perdi Meu Amor na Balada” pode ter tido um alcance maior que “Eduardo e Mônica”. Dai, entra a polêmica: um viral, para ser bom, tem que ser unanimidade?

Eu tendo a achar que não. As figuras mais importantes, os assuntos mais vitais, coisas de massa, em geral, nunca são unanimidades. Não que ser unanimidade seja ruim (tanto que considero “Eduardo e Mônica” o melhor viral brasileiro). Mas acho que a discórdia, o debate, vale sim e pode ser até positivo. Especialmente no caso do produto em questão (o Nokia Pure View), vejo uma grande sacada da marca em tirar o foco do principal problema do produto. Embutido de uma câmera incrível, o Pure View traz como OS o Symbian, um sistema ultrapassado e que já foi aposentado pela Nokia. Obviamente, com o lançamento do produto, muito se poderia falar sobre o fato de o celular trazer um OS obsoleto. Mas sobre o que as pessoas estão falando? Sobre a Fernanda e o Daniel. 


Não sei se a polêmica foi proposital, mas a Nokia mandou bem em desviar a atenção do OS do seu celular. Recebeu críticas pelo fato do viral ser fake? Sim. Mas, exceto sites especializados, ninguém está preocupado com o OS do Pure View. O que as pessoas sabem, no geral, é que a marca inventou uma história de amor para lançar um celular que tem uma câmera incrível. E fez isso usando um viral. Que foi sucesso porque, gostando ou não, todo mundo falou disso – inclusive sites que noticiaram a história, acreditando ela ser verdade ou não.

A estratégia, os objetivos, a maneira como a história foi construída (Daniel incorpora totalmente o príncipe encantado que toda mulher sonha), tudo foi muito bem planejado e executado. O próprio fato de mesmo quem desconfiava que era ação viral não conseguir descobrir quem era a marca/produto responsável pelo desenvolvimento da ação mostra que tudo foi muito bem feito.   

Por isso, vou contra a corrente e declaro: “Perdi Meu Amor na Balada” é o viral do ano até agora.


ps. Está permitido concordar (e discordar) nos comentários. ;)
ps2. Fica a lição: o primeiro passo para um viral dar certo é ter uma história de amor. <3

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