terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ah... taxistas...


Oi, meu nome é Núbia, tenho 27 anos e não sei dirigir. Morando em São Paulo, o que isso traz de fato para minha vida é: eu acabo usando muito taxi quando preciso. Particularmente, eu não vejo problemas. É mais barato que manter o carro e não tenho que me estressar com o trânsito. Posso ler ou usar meu smartphone sem me preocupar em bater no carro da frente. Quase o mundo perfeito, exceto por um pequeno detalhe: os taxistas.

Às vezes a  gente dá sorte e o cara fica mudo, ou pergunta o mínimo. Mas, em média, o táxista é um problema em 60% das corridas. Eu confesso que alguns eu até dou trela e deixo falarem, principalmente aqueles tiozinhos que adoram falar sobre a filha, o filho, o neto. Acho engraçado. Já ouvi algumas histórias interessantes de vida, como um taxista queme levou para Guarulhos e, durante o trajeto (congestionado) contou como ele virou taxista. O cara era analfabeto, chegou em São Paulo depois de viajar quase dois meses pegando carona vindo do Piauí e hoje tinha três taxis, quatro casas e tinha formado todos os filhos na faculdade. Acho muito legal esse tipo de história, porque mostra a importância do trabalho e do esforço para a gente crescer. Por outro lado... Já tive diálogos surreais com taxistas. Uma vez peguei um que não sabia onde era a MARGINAL PINHEIROS. Outro ficou me contando como todas as mulheres do bairro dele queriam pegá-lo (ZzzzzzZzzzzz). Um tentou me converter na Igreja Bola de Neve (é sério, eu juro). Vários já discursaram trechos da bíblia pra mim. Praticamente todos os taxistas que são falantes me perguntam se 1) Ainda estudo (tenho cara de novinha?); 2) Em qual curso me formei; 3) se sou casada.

Quando a conversa chega nesse ponto (do casamento) ela inevitavelmente segue duas vertentes: a dos que ficam dizendo a importância do casamento para a vida, que eu deveria pensar logo em ter vários filhos (eles falam isso desde que tinha 22 anos) e terminam falando dos próprios casamentos e filhos  - normalmente desabafam sobre o filho ou sobre a mulher. Uma vez um ficou me contando como o filho dele estava se dando bem sendo produtor do programa do Gugu. Outro me contou longamente (um trânsito de quase quatro horas para o aeroporto) sobre como ele conheceu a mulher, como começaram a namorar, como ele pediu a mão dela em casamento para o pai, detalhes do casamento, da festa, dos filhos e, finalmente... como descobriu que ela a traia com o vizinho e a perdoou (e, aparentemente, a mulher continua o traindo até hoje). A outra vertente é a dos taxistas que adoram falar mal da vida a dois. São os taxistas baladeiros, que adoram contar que pegam clientes, que enchem a cara etc. Uma vez um me contou que a cliente fez um striptease espontâneo para  ele (minha reação foi fingir que estava recebendo uma ligação e fingir que estava falando no celular até o final da corrida).

Hoje vim para o trabalho de táxi. De cara, vi que não seria uma corrida tranquila e, para evitar, enfiei a cara no smarphone. Quem disse que adiantou? O cara começou justificando o atraso. Depois, me perguntou se eu ainda trabalhava na TV1 (ele trabalha na rádiotaxi que prestava serviço para minha antiga empresa). Ai, disse que, depois que fizesse minha corrida, que ia malhar. Eu, pra não ser totalmente desagradável soltei um “Ah, bacana...”. Pra que? Fiquei vinte séculos ouvindo que eu PRECISAVA acordar 6h da manhã para ir para a academia fazer o TREINAMENTO MILITAR. Segundo ele, o tal treinamento ajuda a fortalecer a musculatura das costas (será que ele me deu uma indireta dizendo que meu peito tava caído?). E que malhar de manhã era melhor, porque ajudava a acelerar o metabolismo mais do que malhando a noite (?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!).

Em seguida, disse que resistencia era fundamental para aguentar o trânsito. E me perguntou se eu sabia dirigir. Eu: “não e nem quero”. Ai, levei uma lição de moral sobre como a independência da mulher dependia necessariamente de ela saber dirigir e ter o próprio carro. Eu fiz uma cara de paisagem e abri o jornal. Quem disse que adiantou? Ele mudou rapidamente de assunto e começou a falar sobre como ele gosta de beber na madruga. Que trabalha até meia noite e depois vai beber com “os parceria” e pegar mulherada (nunca entenderei a categoria de taxistas garanhões). Ai, me perguntou se eu era casada. Respondi que sim, que era muito bem casada (ahahahahaha) para ver se o infeliz parava com o papo.

Resultado? Ele começou a me explicar os benefícios da vida de solteiro + balada em relação ao casamento e comoo casamento tornava as pessoas velhas. Que ele tinha 54 anos com corpo e cara de 35 porque nunca tinha se casado. Nesse momento, minha vontade era de dar um tiro na cabeça (dele, claro). Normalmente, eu já teria apelado para o truque da chamada falsa, só que meu celular estava sem bateria. Ou seja, as perspectivas eram que eu continuasse a ouvir aquele blá,blá, blá até o final do viagem. Até que resolvi dar uma de louca e... incorporei o discurso dos taxistas evangélicos. Respondi dizendo que isso era contra a lei de Deus, que era um absurdo ele pensar assim, que o homem veio para a terra para formar uma família e procriar e que ele deveria por a mão na consciência dele antes de infringir as leis do todo poderoso.

O taxista ficou quietinho o resto da viagem.



terça-feira, 21 de agosto de 2012

Jamais usarei


Eu vivo em um universo paralelo em que moda passa longe de tendências. Sou daquelas que se acha uma coisa feia, não importa 900 revistas, formadores de opinião, blogs, etc dizendo que é lindo, maravilho e que você PRECISA ter. Não, eu não preciso ter algo que acho ridículo ou que não tenha a ver com meu estilo/personalidade. Dai, a ideia desse post: contar pra vocês alguns itens de moda que JAMAIS entrarão no meu guarda-roupas.

Ressalto desde já: essa lista é estritamente pessoal. Não quero convencer ninguém do meu ponto de vista, até porque cada pessoa tem o seu estilo. Então, considerando o meu, jamais usaria. Mas é uma questão de gosto pessoal e não tem nada a ver com os outros. Esclarecido? Então, vamos à lista!


Sneakers:
Putaqueopariu, de todas as tendências, nada poderia ser mais ridículo. Começo pelos sneakers porque sei que eles estão em alta e eu realmente não consigo entender quem pode achar essa mistura horrorosa de tênis com sapato legal. É feio. Tênis, de uma maneira geral, é algo que eu uso pra fazer exercícios e ponto. Não é pra compor look. Esses sneakers com brilho, salto e sei lá mais o que são ridículos. Nem me pagando um milhão de dólares eu usaria um – quer dizer, por um milhão, eu até poderia provar por cinco minutos.


Isso não é bonito, beijos.
Fonte da foto: eunaotenhoroupa.com

Saia Mullet:
Outra tendência da estação que é horrorosa. Gente, parece que você pulou uma cerca e rasgou um pedaço da roupa! Não tem como ficar bonita com saia mullet. NO máximo, você vai parecer uma daquelas ciganas chatas que ficam insistindo pra ler sua mão. To fora!

Meu comentário sobre esse look: não basta botar a saia, tem que enfiar uma blusa horrorosa e um sneaker! PQP!!!
Fonte: http://www.stealthelook.com.br/



Calça de paetê:
Somente um comentário: andar com uma melancia pendurada no pescoço chama menos atenção.

Sorry pela definição da imagem.
Fonte:  dafiti.com.br

All-star:
Provavelmente serei xingada muito por conta deste item. Como disse, tênis, pra mim, é algo pra usar  pra fazer exercícios. Se ele não tem essa função, não deveria ter nenhuma outra. All-star é o tênis descolado, hype, que nego inventa de usar com saia e meia calça. Ou com calça. Ou com qualquer roupa, certo? Certo, mas nada tira da minha cabeça que all-star não faz sentido nenhum. Ele é confortável. E pra mim, para por ai. Acho feio, deselegante e jamais usaria com nada (podem me apedrejar).


O que é esse all star listrado de cano alto? Vontade de dar um tiro na cabeça.
Fonte: modaquepega.com.br

Camisetas:
Eu sei, de novo, que serei linchada. Mas, camiseta é algo que eu uso somente a do meu time e pra ir no estádio. Outra função é usar para dormir. Eu admito que tem gente que sabe compor looks legais com camisetas, mas eu não me sinto elegante usando uma (aliás, me sinto indo pra cama dormir, no máximo).  Só se salvam as pólos (para looks diurnos).

Tá pagando de gordinha à toa.
Fonte: sempretops.com

Rasteirinha de dedo:
Falem o que quiser. Na minha opinião, NENHUM LOOK DO MUNDO fica legal com rasteirinha de dedo. Eu até consigo, hoje, usar alguns modelos (porque tenho problemas de varizes e salto faz minha perna latejar de dor). Mas NUNCA pra sair à noite. Uso, no máximo, na praia. E tenho dito.

Não, isso não é bonito.
Fonte: dafiti.com


ps. Originalmente publicado no Pluralíssimo. :)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

[Vídeo do Dia] GANGNAM STYLE

Tente assistir sem dar risada.



Esse é um dos virais mais legais do sistema solar que ainda não estourou no Brasil. :-[

O vídeo é de um cantor coreano chamado Park Jae Sung. O Gagnam Style da música se refere a um bairro no distrito de Seul chamado Gagnam E o style se dá por conta de o local ser habitado pela galera fashion e com muito dinheiro da capital sul-coreana. Ou seja: o vídeo mostra como você deve se vestir e gastar sua grana em roupas caso seja um coreano - e eu respiro aliviada por morar no Brasil, ahahahahaha!!!

O vídeo original já teve mais de 40 milhões de visualizações no Youtube (é um vício, dá vontade de ouvir mil vezes a música) e gerou 12 versões e vários gifs animados que você pode ver neste artigo do Know Your Meme, de onde tirei as informações para esse post. :)

Com o sucesso, além de celebridades americana postando e matérias em veículos de comunicação, surgiram (obviamente) vários trocadilhos para nossa alegria (todos em inglês) como "open condom style" (vamos torcer para o brasileiro ser mais criativo quando esse viral estourar aqui).

E ai? Você tem Gagnam Style?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Corações Sujos

Eis que, de repente, vejo todo mundo falar do filme "Corações Sujos". E sabe quando bate uma lembrança de "eu já ouvi falar nisso antes?". Pois é. Ai, fiquei quebrando a cabeça para descobrir porque esse filme me soava familiar e...BINGO! Há dois anos,fiz uma matéria sobre ele para a revista Terraço.

E por que essa matéria me marcou? Porque foi mais difícil da minha vida. Apesar de adorar ver filmes, estou longe de ser uma profunda conhecedora da sétima arte. Não entendo de roteiro, direção, cinema nacional, necas. Aliás, sempre disse que, se um dia fosse repórter, jamais seria uma repórter de cultura. Só que pauta caiu na minha mão e você vai falar o que? O editor pediu? A gente faz! Não que tenha sido fácil. Na verdade, foi um parto natural daqueles que você passa o dia sentindo as dores e nada da criança querer sair. Mas, relendo a versão que fiz (não a que foi editada) até que não está tão ruim, rs. Considerando que eu não entendo absolutamente NADA de cinema, eu até gostei de reler o texto. Mas recordo que, na época, fiquei quatro dias olhando para o computador sem saber o que escrever.

Então, divido com vocês a matéria. Para quem não conhece o Vicente Amorim, tem um perfil bem bacana dele. Divirtam-se e tentem não achar o texto tão horrível assim! E, se gostarem, a dica é assistir ao filme! :)

ps. Observem que a previsão de lançamento do filme era para meados do ano passado e só saiu agora. Não deve ser mesmo fácil viver de cinema no Brasil. Ponto para o Vicente!




O filho do diplomata Celso Amorim se sente privilegiado. Com uma vida que poderia muito bem ser o roteiro de um filme, ele conseguiu escapar da influência e pressão para seguir os passos do pai e fazer o que gosta. Depois de anos se revezando entre trabalhos na televisão, publicidade e cinema, finalmente Vicente Amorim faz aquilo com que sempre sonhou: dedicar-se somente ao cinema. Finalizando seu terceiro longa-metragem – “Corações Sujos”, inspirado no livro homônimo de Fernando Morais – o cineasta se considera mais produtivo desde que deixou outras áreas do audiovisual e voltar sua carreira somente para o cinema “O trabalho flui e o resultado final é muito melhor. Isso me deixa imensamente feliz”, diz.

Amorim começou a trabalhar com cinema aos 17, como assistente de Leon Hirszman, embora tenha dirigido seu primeiro curta aos 14 anos. De lá para cá, o currículo dele  cresceu junto com sua paixão pelo cinema. Seu primeiro longa de ficção,” O Caminho das Nuvens” (2003), foi bem recebido pelo público, o que abriu as portas para sua produção seguinte, “Um homem bom”, primeira produção internacional da carreira.

Não é surpresa, portante, que seu terceiro trabalho seja, novamente, internacional. Contudo, diferente do anterior que era falado em inglês, “Corações Sujos” possui elenco predominantemente japonês. “Precisamos fazer uma imersão com os atores antes de iniciarmos as gravações. Eu falo muitas línguas por conta do tempo que vivi fora do Brasil, mas japonês não é uma delas (risos). Por isso, foi necessário criar um clima de interação total com o elenco e o tradutor para que a comunicação não tivesse nenhum tipo de ruído que pudesse atrapalhar o resultado final”, conta Amorim.

A película conta a história do movimento Shindo Renmei, formado por japoneses ultranacionalistas que mataram 23 imigrantes que acreditaram na rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial em uma colônia brasileira. “O que me atraiu nesse roteiro foi a possibilidade de mostrar como os grandes acontecimentos da história afeta a vida das pessoas comuns”, diz o diretor. “Eu me apaixonei pelo livro do Morais na primeira vez que li, mas foi um grande desafio transformar o livro em uma história envolvente.”, afirma.

Segundo Amorim ainda, os temas abordados na obra – nacionalismo, intolerância, negação, manipulação e mentira –, “são assuntos atemporais, que servem para qualquer realidade. O fato de o filme se passar em 1945 não altera a mensagem que queremos passar. Os sentimentos vividos por aquela colônia estão ai, no mundo hoje, alimentando as guerras, os conflitos e os ódios da atualidade”, destaca o diretor.

O elenco de Corações Sujos conta ainda com a presença do ator Eduardo Moscovis, que fará o principal papel brasileiro. Com a história se passando integralmente em território nacional, as filmagens foram feitas em Paulínia, onde Amorim permaneceu durante quase três meses. O filme possui um orçamento de R$ 8 milhões e teve o apoio da prefeitura local. A produção é da Mixer, cujo cineasta é um dos sócios e será distribuído no Brasil pela Downtown. “Corações Sujos” deve ser também ser distribuído no mercado japonês e americano. “Estamos em processo de negociação”, conta o diretor. A previsão de lançamento é para a metade de 2011, revela Amorim.

E o próximo trabalho do diretor já está definido. Amorim não dá muitos detalhes, mas após finalizar “Corações sujos”, ele deve se dedicar a outro longa internacional. “Dessa vez, falado em francês. Não foi proposital fazer um filme em português, outro em inglês, um terceiro em japonês e o quarto em francês”, explica, rindo. “Mas as coisas foram acontecendo e estou feliz que seja assim. Um filme leva, em média, três anos de dedicação da sua vida para ficar pronto. Imagina que desagradável ficar três anos trabalhando num projeto do qual não se gosta? É por isso que escolho com cuidado no que trabalhar”, finaliza.

Da economia para a sétima arte

Vicente Amorim nasceu na Áustria, durante o tempo em que seu pai, Celso Amorim, estava na embaixada brasileira naquele país. Antes de vir para o Brasil, morou na Inglaterra e Estados Unidos. “Mas eu sou brasileiro de coração. Ter nascido fora foi apenas conseqüência do trabalho do meu pai, mas meu país é o Brasil”, diz. 

Aqui, ele viveu em Brasília e no Rio de Janeiro. Cinéfilo desde criança, dirigiu um curta aos 14 anos e começou a trabalhar profissionalmente com cinema aos 17. Antes de se dedicar inteiramente à sétima arte,  estudou economia por três anos. Ao abandonar o curso para se dedicar ao cinema, perdeu o apoio do país, que cortou a mesada do filho. O castigo paterno, no entanto, não surtiu efeito. Amorim continuou se dedicando ao cinema, onde trabalhou como assistente de câmera, assistente de som e pós-podução.

Acumulou cerca de 20 títulos no currículo, entre eles "Luar Sobre Parador", dirigido por Paul Mazursky e cujas filmagens tiveram locações no Brasi); "Brincando nos  Campos do Senhor", assinado por Hector Babenco; "Tieta do Agreste" e "Orfeu", ambos de Carlos Diegues; e "Bossa Nova", de Bruno Barreto. Também dirigiu cinco curtas, entre eles "Vaidade", co-dirigido por David França Mendes, e a animação "Não Fique Pilhado", premiado nos festivais Anima Mundi, Mendonza (Argentina) e Telluride (Estado Unidos). Realizou, ainda,  mais de 200 comerciais de TV e clipes musicais. Seu primeiro longa-metragem foi o documentário "2000 Nordestes".


O Instagram e eu

Eu adoro tirar fotos. É incrível que isso aconteça, porque minha primeira relação séria com a fotografia foi péssima. No primeiro ano da faculdade, tive aulas de fotografia e fotojornalismo. Meu professor era uma tiozão de meia idade, daqueles que te davam nota se você desse bola para ele. Um cara escroto que me fez odiar fotografia (eu só não peguei recuperação/DP porque fui muito bem na prova teórica, obrigada).

Fiquei com trauma um bom tempo de fotografar qualquer coisa que não fosse eu/amigos. Mas ai, lançaram o Instagram. E eu instalei o Instagram no iPad. E, em seguida, lançaram o Instagram para Android. E ai, eu passei a amar fotografar qualquer coisa que aparecer pela frente. Obviamente, não sou fotógrafa. Longe de mim. Tenho noção de fotografia, mas nunca fotografia no manual. Mas gosto de me divertir com os filtros do Instagram e clicar essa vida louca na qual vivemos.

E é incrível como, quando queremos fotografar coisas bacanas, a gente passa a enxergar coisas legais, bonitas, perdidas no meio da selva de pedra que é São Paulo. A gente passa a enxergar beleza no meio do cinza, aquele detalhe escondido, o céu que, mesmo com poluição, insiste em tentar fazer com que a gente olhe e se apaixone pela beleza do infinito que ele nos mostra.

Obrigado, Instagram, por me mostrar uma beleza que eu não estava acostumada a perceber. :)














segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Eu não quero ter uma tatuagem


Era uma vez um mundo em que ter tatuagem era uma aberração. Pessoas que ousavam marcar o próprio corpo eram discriminadas. Podiam perder vagas de empregos. Criavam crises familiares. Tatuagem era coisa de bandido, vagabundo. Gente decente e trabalhadora não podia marcar o corpo. Se quisesse, tinha que fazer num canto escondido, para não sofrer preconceito. Mas o mundo mudou. Hoje, todo mundo tem tatuagem. É legal, é cool, é incrível. Difícil ter apenas uma, né? Tatuagem é um vício. Fez uma, tem que fazer várias. E todo mundo ficou livre para fazer desenhos, escrever coisas, enfim, se marcar como quiser. Tudo muito bonito e livre. O preconceito contra a tatuagem acabou. Só que não.

Pois é. Hoje, ainda há preconceito relativo à tatuagem. Contra quem não tem. É verdade. Sinto isso sempre que alguém toca no assunto perto de mim. Não tenho tatuagem. Não tenho vontade de ter. Não consigo achar bonito. Quando alguém começa a falar sobre o tema, faço a egípcia e finjo que não é comigo. Se não tiver como escapar, digo que não tenho. “Como assim você não tem? Eu tenho três, faz, dói um pouco, mas é incrível!”. Eu sorrio amarelo e respondo “acho lindo nos outros, mas não tenho coragem”, para não ser desagradável. É, porque,na verdade, eu acho tatuagem horrível. E se eu falar que acho bizarro pintar qualquer coisa no meu corpo, vão me olhar torto (foi o que aconteceu todas as vezes que falei). Mas a verdade é que não gosto de tatuagem. Nunca farei nenhuma.  Impossível não olhar pra uma e imaginar aquela mesma pele daqui há 50 anos, toda enrugada e com aquela tinta. E ai eu me imagino sendo a dona da tatuagem e ela na minha pele enrugada aos 80 anos. Me incomoda. Não rola nem pagando um milhão (eu sei que com um milhão daria pra tatuar, tirar e sobrar um dinheiro, mas daria muito trabalho).

Ressalte-se: não, eu não tenho nada contra quem faz tatuagem. Até porque 90% das pessoas que conheço tem uma. Não pergunto para as pessoas quando as conheço se elas têm tatuagem. Tatuagem não faz ninguém melhor nem pior. Só que eu realmente não acho bonito. Por trabalhar com comunicação/publicidade, uma área em que a diversidade é melhor aceita, convivo com milhares de tatuagens diariamente. Todo mundo tem tatuagem e eu convivo muito bem com elas. Mas, aparentemente, elas não convivem comigo. “Ah, pára, você TEM que fazer uma tatuagem”. Já ouvi isso tantas vezes na vida que perdi as contas. Não, gente, eu não tenho que fazer algo que acho bonito. Ah, mas é o nome da sua mãe. Do filho. Do namorado. É o símbolo japonês da sorte. É um puta desenho lindo,super artístico. É um tribal (mentira, tribal tá fora de moda, pelo menos foi o que ouvi). É um herói. Uma cachoeira. Uma onça. Uma borboleta. Uma estrela. Bacana, meu povo. Só que não vai rolar.

Eu não quero ter uma tatuagem. Não me importa se vou tatuar um lugar onde nunca verei. O simples fato de saber que ela estará lá me dá pânico. Já tenho muitas marcas. Eu tenho uma pinta dentro da minha irís. Tá bom, né? Já tenho uma tatuagem natural, dentro do meu olho. Não quero mais nenhum rabisco no meu corpo. Eu gosto dele do jeito que ele é. Por isso, suplico: da mesma maneira que as pessoas comemoraram o fim do preconceito contra quem tinha tatuagem no passado, eu gostaria de poder optar por não ter uma sem ser olhada com uma cara de que sou um ET.

E viva à liberdade de escolhas. =)

Sim, sou eu. Não, não é uma tatuagem, é apenas um carimbo. Não, não dei like nesse like.



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O outro mundo possível

Queria entender que mundo é esse onde mérito só vale se você for pobre e negro, como se inteligência e talento tivessem classe social. Eu me assusto ao ver que o mundo onde nasci, que, segundo me contam hoje, é preconceituoso, caminha para um mundo sem preconceito onde o seu papel na sociedade, seu mérito e seu talento é decidido no momento do seu nascimento. Não está entendendo nada? Pois é, mas é isso. Aos poucos, cada vez mais vejo comentários como "é fácil conseguir isso sendo rico, sendo filho de quem é". Da mesma maneira que ouço "esse ai sim, tem talento, superou todos os obstáculos e está brilhando".

Não quero generalizar, mas acredito que na ânsia de eliminarmos as barreiras sociais, estamos criando um problema sério em médio e longo prazo. Um racismo ao contrário, do tipo que leva a ministra de desigualdade racial dizer que um negro (por ser negro) tem direito de bater num branco. Não, eu não nego as injustiças raciais e o racismo camuflado do Brasil. Mas acho que, em lugar de se buscar uma verdadeira igualdade de classes/raça, estamos caminhando para um ambiente em que uma classe/raça tenta se sobrepor a outra. É, existe uma luta, e estamos camuflando essa luta com o argumento de "correção histórica". Não, um negro não tem direito de bater num branco por ele ser negro. E vice-versa. Cor de pele não justifica agressão nenhuma. Não é agindo como os brancos agiram no passado que se faz justiça social.

Eu, filha de pai mulato e mãe branca, fico olhando para toda essa briga de classes/raças sem saber o que fazer. Hoje, sou classe média. Mas já fui pobre e sei o que é isso. Não me acho mais talentosa que ninguém de outra classe social/cor por conta disso. Acho que, quem é bom, será bom tendo nascido no barraco ou no berço feito à mão por artesãs francesas. Mérito, talento e inteligência, graças a Deus, não obedecem ao mundo politicamente correto de hoje. Esses dons aparecem aleatoriamente em pessoas de todas as raças, classes e afins. Portanto, eu não aceito nenhum tipo de generalização sobre talento. Mark Zuckberg não era pobre. Nem por isso, podemos diminuir sua genialidade. Chico Buarque, idem. Ele seria mais talentoso se tivesse nascido no morro? Eu não acredito. Ele poderia ter mais dificuldades. Mas gente talentosa e boa brilha independente dos argumentos classistas e racistas disfarçados de justiça social com os quais convivemos hoje.

Eu realmente sonho com um mundo em que ser branco, negro, pobre ou rico não sejam motivos para você ser classificados em estereótipos A ou B. E que seu caráter/talento/mérito sejam julgados unicamente por aquilo que você faz, sem que suas origens possam influenciar A ou B a classificarem seu mérito maior ou menor. Sim, sei que estou pedindo muito. A humanidade tem como característica a luta, o confronto, o embate. Eu só acho que esse embate em que você cria privilégios para compensar o que aconteceu no passado só vai criar mais discriminação, raiva, ódio e problemas. E o que eu acho incrível é que ninguém parece perceber isso.

Tenho vergonha da maneira como os negros foram tratados no passado. Incluindo meu bisavô paterno, filho de escravos alforriados que teve que fugir com a minha bisa, porque ela era branca filha de portugueses. Mas acho que, mais do que olhar para o passado, é hora de olharmos para o futuro se quisermos realmente construir um mundo mais tolerante. E eu realmente não acho que é acirrando a luta de classes ou raças que vamos conseguir chegar nesse outro mundo ideal.








terça-feira, 7 de agosto de 2012

Música (porque música é sempre bom)

Porque música é bom. Porque música boa cantada por uma interprete maravilhosa é melhor ainda. Porque se você ainda conhecer a cantora e saber que, além de talentosa, ela é uma pessoa incrível só melhora.

Então, vamos ouvir uma música gostosa com a Railidia, uma paraense com sorriso largo e voz forte. Já chegou é uma toada de Emilio Silva da Paixão, do Boi Flor do Campo de Belém. Uirapuru é canção amazônica do maestro Waldemar Henrique. Além de Rai, acompanham ela Emerson Bernardes (Cavaco), Rodrigo Carneiro (sete cordas), Koka Pereira (percussão) e o grande Mapyu (percussão).



Gostaram? :)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Breve reflexão sobre o amor.

Amar dá trabalho, exige paciência, abrir mão de muitas coisas, muita boa vontade, especialização em engolir sapos, uma dose gigantesca de sangue-frio, mudar muitas coisas na sua vida/comportamento/rotina, conviver com gente que você possivelmente pode não gostar (pode odiar), fazer coisas que você não quer e, ainda assim, é a melhor coisa do mundo. 

Quem explica? :)