sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Corações Sujos

Eis que, de repente, vejo todo mundo falar do filme "Corações Sujos". E sabe quando bate uma lembrança de "eu já ouvi falar nisso antes?". Pois é. Ai, fiquei quebrando a cabeça para descobrir porque esse filme me soava familiar e...BINGO! Há dois anos,fiz uma matéria sobre ele para a revista Terraço.

E por que essa matéria me marcou? Porque foi mais difícil da minha vida. Apesar de adorar ver filmes, estou longe de ser uma profunda conhecedora da sétima arte. Não entendo de roteiro, direção, cinema nacional, necas. Aliás, sempre disse que, se um dia fosse repórter, jamais seria uma repórter de cultura. Só que pauta caiu na minha mão e você vai falar o que? O editor pediu? A gente faz! Não que tenha sido fácil. Na verdade, foi um parto natural daqueles que você passa o dia sentindo as dores e nada da criança querer sair. Mas, relendo a versão que fiz (não a que foi editada) até que não está tão ruim, rs. Considerando que eu não entendo absolutamente NADA de cinema, eu até gostei de reler o texto. Mas recordo que, na época, fiquei quatro dias olhando para o computador sem saber o que escrever.

Então, divido com vocês a matéria. Para quem não conhece o Vicente Amorim, tem um perfil bem bacana dele. Divirtam-se e tentem não achar o texto tão horrível assim! E, se gostarem, a dica é assistir ao filme! :)

ps. Observem que a previsão de lançamento do filme era para meados do ano passado e só saiu agora. Não deve ser mesmo fácil viver de cinema no Brasil. Ponto para o Vicente!




O filho do diplomata Celso Amorim se sente privilegiado. Com uma vida que poderia muito bem ser o roteiro de um filme, ele conseguiu escapar da influência e pressão para seguir os passos do pai e fazer o que gosta. Depois de anos se revezando entre trabalhos na televisão, publicidade e cinema, finalmente Vicente Amorim faz aquilo com que sempre sonhou: dedicar-se somente ao cinema. Finalizando seu terceiro longa-metragem – “Corações Sujos”, inspirado no livro homônimo de Fernando Morais – o cineasta se considera mais produtivo desde que deixou outras áreas do audiovisual e voltar sua carreira somente para o cinema “O trabalho flui e o resultado final é muito melhor. Isso me deixa imensamente feliz”, diz.

Amorim começou a trabalhar com cinema aos 17, como assistente de Leon Hirszman, embora tenha dirigido seu primeiro curta aos 14 anos. De lá para cá, o currículo dele  cresceu junto com sua paixão pelo cinema. Seu primeiro longa de ficção,” O Caminho das Nuvens” (2003), foi bem recebido pelo público, o que abriu as portas para sua produção seguinte, “Um homem bom”, primeira produção internacional da carreira.

Não é surpresa, portante, que seu terceiro trabalho seja, novamente, internacional. Contudo, diferente do anterior que era falado em inglês, “Corações Sujos” possui elenco predominantemente japonês. “Precisamos fazer uma imersão com os atores antes de iniciarmos as gravações. Eu falo muitas línguas por conta do tempo que vivi fora do Brasil, mas japonês não é uma delas (risos). Por isso, foi necessário criar um clima de interação total com o elenco e o tradutor para que a comunicação não tivesse nenhum tipo de ruído que pudesse atrapalhar o resultado final”, conta Amorim.

A película conta a história do movimento Shindo Renmei, formado por japoneses ultranacionalistas que mataram 23 imigrantes que acreditaram na rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial em uma colônia brasileira. “O que me atraiu nesse roteiro foi a possibilidade de mostrar como os grandes acontecimentos da história afeta a vida das pessoas comuns”, diz o diretor. “Eu me apaixonei pelo livro do Morais na primeira vez que li, mas foi um grande desafio transformar o livro em uma história envolvente.”, afirma.

Segundo Amorim ainda, os temas abordados na obra – nacionalismo, intolerância, negação, manipulação e mentira –, “são assuntos atemporais, que servem para qualquer realidade. O fato de o filme se passar em 1945 não altera a mensagem que queremos passar. Os sentimentos vividos por aquela colônia estão ai, no mundo hoje, alimentando as guerras, os conflitos e os ódios da atualidade”, destaca o diretor.

O elenco de Corações Sujos conta ainda com a presença do ator Eduardo Moscovis, que fará o principal papel brasileiro. Com a história se passando integralmente em território nacional, as filmagens foram feitas em Paulínia, onde Amorim permaneceu durante quase três meses. O filme possui um orçamento de R$ 8 milhões e teve o apoio da prefeitura local. A produção é da Mixer, cujo cineasta é um dos sócios e será distribuído no Brasil pela Downtown. “Corações Sujos” deve ser também ser distribuído no mercado japonês e americano. “Estamos em processo de negociação”, conta o diretor. A previsão de lançamento é para a metade de 2011, revela Amorim.

E o próximo trabalho do diretor já está definido. Amorim não dá muitos detalhes, mas após finalizar “Corações sujos”, ele deve se dedicar a outro longa internacional. “Dessa vez, falado em francês. Não foi proposital fazer um filme em português, outro em inglês, um terceiro em japonês e o quarto em francês”, explica, rindo. “Mas as coisas foram acontecendo e estou feliz que seja assim. Um filme leva, em média, três anos de dedicação da sua vida para ficar pronto. Imagina que desagradável ficar três anos trabalhando num projeto do qual não se gosta? É por isso que escolho com cuidado no que trabalhar”, finaliza.

Da economia para a sétima arte

Vicente Amorim nasceu na Áustria, durante o tempo em que seu pai, Celso Amorim, estava na embaixada brasileira naquele país. Antes de vir para o Brasil, morou na Inglaterra e Estados Unidos. “Mas eu sou brasileiro de coração. Ter nascido fora foi apenas conseqüência do trabalho do meu pai, mas meu país é o Brasil”, diz. 

Aqui, ele viveu em Brasília e no Rio de Janeiro. Cinéfilo desde criança, dirigiu um curta aos 14 anos e começou a trabalhar profissionalmente com cinema aos 17. Antes de se dedicar inteiramente à sétima arte,  estudou economia por três anos. Ao abandonar o curso para se dedicar ao cinema, perdeu o apoio do país, que cortou a mesada do filho. O castigo paterno, no entanto, não surtiu efeito. Amorim continuou se dedicando ao cinema, onde trabalhou como assistente de câmera, assistente de som e pós-podução.

Acumulou cerca de 20 títulos no currículo, entre eles "Luar Sobre Parador", dirigido por Paul Mazursky e cujas filmagens tiveram locações no Brasi); "Brincando nos  Campos do Senhor", assinado por Hector Babenco; "Tieta do Agreste" e "Orfeu", ambos de Carlos Diegues; e "Bossa Nova", de Bruno Barreto. Também dirigiu cinco curtas, entre eles "Vaidade", co-dirigido por David França Mendes, e a animação "Não Fique Pilhado", premiado nos festivais Anima Mundi, Mendonza (Argentina) e Telluride (Estado Unidos). Realizou, ainda,  mais de 200 comerciais de TV e clipes musicais. Seu primeiro longa-metragem foi o documentário "2000 Nordestes".


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