quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Medo de avião

Descobri que a população brasileira é a que mais tem medo de avião. E eu, de uns tempos para cá, cada vez me incluo mais na parcela da população que entra no avião imaginando em qual etapa do voo o avião vai cair. Decolagem? Voo de cruzeiro? Pouso?

Tenho mais medo de avião do que de ver o Palmeiras rebaixado. Mas meu medo não me impede de viajar. Nos últimos 40 dias, foram doze decolagens e pousos (faltam mais duas). Eu gosto de viajar de avião. Sempre sento na janela e adoro olhar a paisagem lá embaixo. É lindo. Mas os sufocos que já passei dentro de aviões me deixam cada vez mais tensa. E quando estou conseguindo relaxar... lá vem mais um voo tenso, daqueles que todo mundo bate palmas quando o avião para agradecendo ao piloto e co-piloto por estarem vivos.

Em 2006, peguei um voo da extinta BRA que despressurizou na chegada em Congonhas. Era noite, estava chovendo, entramos na nuvem para pousar... e as máscaras de oxigênio cairam (depois disso, eu sempre presto atenção às instruções de segurança quando o avião está taxiando). Eu achei que fosse morrer e só pedia pra Deus que não fizesse isso naquele momento, porque minha mãe não ia aguentar uma separação mais a filha dela dentro de um caixão (na época, meus pais estavam se separando). Foi tenso. O pouso foi alterado de Congonhas para Guarulhos. E, depois disso, me recusei a entrar dentro de um avião por um bom tempo. Mas, passou.

Voltei a voar em 2009. Uma vez, voltando de Natal, peguei um voo que fez QUATRO escalas. Recife, Salvador, BH e Campinas. E, incrivelmente, eu não morri nem enlouqueci. O avião na caiu. E eu não fiquei passando mal. Curti o voo (sempre me benzendo nas decolagens, claro). Voei para Porto Alegre no dia em que caiu o voo da Air France, em 2010. Foi um voo com muita turbulência no pouso, mas incrivelmente, não fiquei com medo (na minha cabeça, a cota de aviões que cairiam no dia já tinha sido cumprida, logo, o meu voo não ia cair). Ano passado, indo pra Paris, pegamos uma loooooonga turbulência naquele pedaço do oceano onde caiu o avião da Air France. Eu apertava a mão do Sérgio muito, mas nada desesperador. Fiquei tensa, mas consegui voltar a dormir. Fui, voltei e meu avião não caiu.

Esse ano comecei a assistir May Day - Desastres Aereos para ver se me ajudari a ter menos medo de voar. Assisti vários episódios, entendi que avião só cai quando dá muita merda mesmo. O resultado? Toda vez em entro num avião agora, eu fico imaginando todas as coisas podem acontecer e derrubar o meu voo. Sim, eu sei que na probabilidade de morrer dentro de um avião é menor do que a de você morrer indo para o aeroporto. Mas, como me convencer disso? E se bem no meu voo, o transponder falhar? E se bem no meu voo, erraram na quantidade de combustível e o avião sofrer pane seca ou tiverem colocado combustível contaminado? E se bem no meu voo uma tesoura de vento aparecer no pouso e derrubar o avião por falta de sustentação? Eu fico pensando nessas coisas e imaginando a matéria da revista contando a queda e a história das pessoas no voo. Fico imaginando meu familiares sofrendo porque morri. Sempre que faço checkin no foursquare, fico imaginando o povo comentando o checkin da morte. Idem para fotos no Instagram. A última foto do voo fatídico... 

Sim, eu sei que tudo isso é uma grande bobagem. Mas pegar uma mega turbulência no trecho Punta Cana - Panamá não me ajudou em nada. Foi um daqueles voos com turbulência, quedas contínuas, muita chuva (entramos em um cumulo nimbus, o tipo de nuvem mais perigosa para voo) e nada de ver chão. O avião inteiro gritou (eu que puxei o coro, claro) e todo mundo bateu palmas quando finalmente chegamos no aeroporto. E para entrar no voo de volta para o Brasil? O voo foi super tranquilo, mas eu tava com tanto medo que tomei dois dramins e vinho. Apaguei e acordei já perto de casa. Para terminar de completar, no trecho Dourados-Campo Grande, o voo da Trip pousou com as luzes das saídas de emergência e chão ligadas. Ventava muito, o avião balançava e pousou torto. Resultado: ontem, no voo de Campo Grande pra São Paulo, passei mal o tempo inteiro. Comecei a ficar nervosa quando ainda estava no Shopping almoçando com minhas amigas. Durante o voo, fiquei com sudorese nas mãos, boca seca, coração palpitando, enfim, todos os sintomas de quem tem muito medo de voar. E tomei três Dramins (sim, eu sei que foi um exagero). E rezei como se não hovesse amanhã - e Deus ouviu minhas preces, já que, apesar da grossa camada de nuvens sobre São Paulo, não teve turbulência ao passarmos por ela (deusélindo.com.br).


Sempre digo para meu namorado que sou a rainha das bizarrices em voos. Turbulência, despressurização, voos que ficam rodando em círculos esperando para pousar, serviço de bordo cancelado porque teve turbulência a viagem inteira... Claro que isso não me ajuda em nada. Mas procuro sempre enfrentar o medo. Leio, olho coisas no iPad, fico tentando dizer para mim mesma que aviões não caem. Achei um aplicativo para quem tem medo. Tem até um botão do Pânico pra você apertar quando tá naquele desespero durante aquela turbulência insuportável e você já está pedindo apenas para não sentir nenhuma dor quando o avião se chocar contra o solo. Como adoro viajar, não posso deixar que esse medo besta me impeça de me divertir. E antes que ele se torne tão grande que me impeça de entrar num avião, eu resolvi enfrentar o medo e acabar com ele: eu tenho medo de avião. 

Então, estou aqui, pagando esse mico enorme em contar em público meu medo do meio de transporte mais seguro que existe. Porque o primeiro passo pra controlar essa ansiedade e medo é admitir que eu sinto. É admitir que, apesar do medo ser completamente irracional, ele me domina. E eu preciso aprender a dominá-lo. Afinal, eu sou maior que qualquer medo. Eu preciso ser. E serei.

Amanhã embarco pra o Rio de avião. Vou e volto. E serão dois voos tranquilos. Se não forem, vou ir e voltar e paz. Vai dar tudo certo. Amém.



ps. Espero que esse post não seja usado como notícia, caso meu voo caia.
ps2. Por favor, tentem não me assustar nos comentários com relatos de voos ruins, rs.







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