sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Eu, mineira.

Mais um dia de trabalho. Tenho que atravessar metade de São Paulo de táxi pra trabalhar. A cidade está daquele jeito que o prefeito gosta: cheio de trânsito. Você chama o táxi no aplicativo. O taxista chega, você entra. E logo percebe que ele é do tipo tagarela, porque fica te perguntando mil coisas. Eu tentando ser evasiva. Ai, começa o diálogo.

- Você é mineira?
- Não.
- Mas já morou em Minas?
- Não.
- Tem certeza? Porque você fala igual mineiro.
- Tenho. Não sou mineira.
- De onde você é?
- Do Mato Grosso do Sul.
- Mato Grosso do Sul faz fronteira com Minas Gerais?
- Tem um pequeno trecho. Mas de onde eu sou, não. Minas fica longe
- Mas você convive com mineiro então?
- Não.
- Não é possível. Você está mentindo pra mim.

Então tá.
#comofaz


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

As polêmicas da maternidade

Eu confesso que adoro uma polêmica. Na verdade, desconfio das unanimidades e dos julgamentos de "massa". Se quiser me fazer torcer o nariz pra algo, basta dizer que todo mundo acha aquilo certo. E não porque acha bacana ser "do contra". Mas porque nesse mundo de redes sociais onde todo mundo pensa que é especialista em tudo - pesquisas científicas,futebol, direto desportivo, rolezinhos, BBB e afins, só pra citar casos mais recentes - argumentos de massa quase sempre são burros. Sempre digo que se a maioria fosse sábia, Jesus não teria sido preterido a Barrabás (é uma analogia, ok?). As pessoas mal sabem interpretar uma ironia, mas é CLARO que elas estão certas sobre coisas tão distintas quando a "inocência da Lusinha", os "coitadinhos dos Beagles" e a "opressão contra os rolezinhos".

Dito isso, no geral, eu acho divertido dar opiniões contrárias e ver alguém ficar irritado comigo. Lógico que não faço isso com pessoas inteligentes e que respeito (independente de concordarem ou não comigo). Seja sobre futebol, política ou economia (meus temas preferidos), se eu dominar uma questão e tiver tempo sobrando (coisa cada vez mais rara), vou me divertir irritando a "massa".

Só que ai eu engravidei e precisei embarcar no universo "mãe". O que mais me impressionou foi: 1) que existem tantas ou mais polêmicas que em qualquer outro aspecto da nossa vida cotidiana; 2) que essas polêmicas não têm a menor graça. Porque não tem a menor graça ficar apontando pra qualquer mulher e dizendo que ela é uma mãe menos mãe ou qualquer coisa do tipo.

Vou exemplificar com um tópico que peguei no fórum de grávidas/mães que participo. Vejam.

Eu sou o MONSTRO que não amamenta

Quando minha filha nasceu eu tinha muito leite e, depois das dificuldades iniciais (descida do leite, colostro, bicos rachados, pega correta), eu consegui amamentar normalmente e EXCLUSIVAMENTE a minha filha. Era uma maravilha, o peito jorrava leite, eu me sentia a própria vaquinha mimosa. Mas essa felicidade plena só durou até ela fazer um mês de idade. 

Na semana em que faria um mês, Lorena começou a fazer o seguinte: mamava 5 minutos em um peito e começava a tirar e a botar a boca inúmeras vezes, irritada. Eu mudava de peito e o processo se repetia até que ela perdia a paciência totalmente e abria um berreiro sem fim. Ela tem refluxo e já estava em tratamento, mas mesmo assim levei ao pediatra. Lá eu expliquei a ele que a produção de leite estava normal, inclusive meu peito vazava o dia inteiro. Ele mudou o medicamento e nada resolvia, Lorena continuou fazendo todo esse processo do tira-bota-irrita-chora, um verdadeiro sofrimento para mim e para ela. 

Procurei o Banco de Leite Humano e pedi ajuda. Uma enfermeira veio me ajudar umas 3 vezes, mas nem ela com toda a sabedoria conseguiu fazer a Lorena mamar em paz como antes, tudo era regado a muito choro, pois ela ficava com fome. 

No exato dia em que fez um mês, depois de uma crise de choro absurda e eu tentando amamentar em todas as posições possíveis, inclusive colocando meu leite na mamadeira (ela sentia o gosto e cuspia tudo fora), meu marido pegou o carro e saiu em busca do Leite Artificial, o leite que, se eu pudesse, NUNCA teria dado para a minha filha. mas naquela noite eu não tinha escolha, minha filha estava com fome e não conseguia se alimentar. Ela mamou 90 ML de LA e dormiu tranquila, sem choro de fome e eu pude descansar a minha cabeça que estava a mil. 

Hoje ela tem dois meses e eu intercalo os dois, mas em relação ao peito ela continua do mesmo jeito, se irritando na hora de mamar. Ela Só não se irrita quando está sonolenta e eu dou de mamar sem ela perceber. Digamos que ela mama 80% LA e 20% LM durante o dia. 

Me dá muita dor ser julgada diariamente pela minha mãe, sogra, cunhada, amiga, tia... Todo mundo fica espantado quando vê que dou LA para a Lorena. O mais interessante de tudo é que ninguém quer ouvir a história do meu sofrimento e do dela, do quanto insisti e não consegui manter a amamentação exclusiva. Quando vou falar que minha filha estava literalmente passando fome, as pessoas parecem tapar os ouvidos e não ligam. É como se eu fosse um monstro. Um monstro que não amamenta. 

No final de semana passado eu viajei com a família do meu marido e, na mesma casa em que estávamos, tinha um bebezinho um mês mais novo que a Lorena, mas o menino era muito maior e mais gordo que ela, ela perto dele ficava pequenina demais. Ele só mama leite materno, o que foi um canal para as mais diversas comparações, claro. Todos da casa, digo TODOS, menos meu marido, me criticaram até onde puderam. Eles ''conversavam'' com o menino coisas do tipo: ''Ah, você vai crescer saudável, pois não toma aquele leite ruim que a Lorena toma"; ou então pegavam minha filha e diziam: ''Tão magrinha, coitadinha...". Foi tanta pressão que em um determinado momento fui no quintal da casa e chorei igual uma criança. 

Durante à tarde tentei dar o peito a ela na varanda da casa, o local mais calmo que tinha e daí começou o chororô. Todo mundo correu pra ver o que era, lógico, e puderam ver a cena que eu descrevia e ninguém acreditava. Apesar de eu ter ficado triste pelo choro da minha filha, fiquei feliz porque ali senti que de certa forma eu calei a boca deles por alguns dias pelo menos. Talvez alguns tenham entendido que não é questão de querer ou não. 

Mas o cúmulo dos cúmulos foi a tia do meu marido querer colocar minha filha para mamar na outra mãezinha que estava lá, que era mãe do menininho. Descartei logo a ideia de cara, disse logo um sonoro não. Não quero ser melhor que ninguém, mas minha filha é minha e é só em mim que ela deve mamar. E leite por leite eu também tenho, o problema é que ela não quer mamar. Nem se eu colocar na mamadeira o meu leite ela não aceita, o motivo disso nem eu e nem os médicos conseguimos descobrir. 

A ideia que quis passar com o meu relato é que não se deve julgar assim uma mãe. Só sabe da realidade quem passa por ela. Eu seria um monstro se tivesse feito como a esposa do meu tio fez, que comprou uma lata de NAN antes de ir para a maternidade e uma semana depois do parto começou a tomar remédio para secar o leite, pois o peito dela poderia ficar caído e isso é o fim do mundo, né? 

Graças a Deus o meu marido me apoia e me defende a cada alfinetada. Inclusive até combinei com ele de não rebatermos mais à críticas, pois isso cansa e desgasta o relacionamento com os ''juízes''. Silêncio no nosso caso é a melhor resposta, pois somos nós dois que a criamos e aguentamos todas as adversidades. Ufa, desabafei. Estava precisando. 


Quem teve paciência pra ler o relato até o fim, vai concordar comigo: qual é a graça em ficar criticando uma mulher que, apesar de todos os esforços, não conseguiu amamentar? Não, não tem a menor graça. É cruel, injusto e ridículo. E o que mais me revolta: as primeiras a enfiarem o dedo na fuça alheia e sairem julgando, são as outras mães que conseguiram ter parto normal, amamentar no peito exclusivamente até os seis meses e não dar chupeta/mamadeira para o filho - tríade pra ser considerada uma mãe "de verdade" segundo 80% dos blogs de maternidade que eu tenho lido.

É tanta hipocrisia que eu penso: será que a criatura que fica ali pregando  que você só é uma mãe de verdade se fizer tudo isso (se não fizer, é preguiçosa) pensa o mesmo da própria mãe? Porque, sim, essa moda (sim, é moda) de não poder dar nem água pra bebê é coisa recente. A maioria de nós, mulheres, que estamos aqui hoje, tomamos leite de vaca, tomamos água, comemos comida, tomamos mamadeira e chupamos chupeta. E tá todo mundo vivo, lindo e com saúde.

Esses dias, comentei no meu Facebook que ficava confusa diante de tantas opções de chupeta pra comprar, que achava que era mais fácil antigamente quando só tinha um tipo de chupeta e ponto, você só tinha que escolher entre a azul e a rosa. Obviamente, não perguntei se deveria dar chupeta ou não pra Luísa, até porque sou a primeira a tender não dar chupeta - só pretendo dar se for necessário e, se for, vou dar sim e ponto. Mas, pra que? Em dois minutos, o post estava cheio de comentários de gente falando A, B e C pra mim.

Compreendo perfeitamente a ânsia das pessoas em quererem ajudar as mães de primeira viagem como é meu caso. E agradeço, de verdade. O problema é que muitas pessoas não têm a menor ideia do que a pessoa está passando e porque ela está tomando uma decisão ou outra. No meu caso, quero ter a chupeta comprada porque, se eu precisar, já tenho a mão, não preciso sair pra comprar. Se eu tiver que optar entre minha filha ter uma noite tranquila de sono ou não chupar a chupeta, eu não vou pensar duas vezes em dar o acessório polêmico. Sempre penso que a gente tem que minimizar problemas. Chupeta você tira, dente torto, a gente conserta (embora eu tenha  chupado chupeta até quase oito anos e nunca tenha precisado colocar aparelho). Se ela não quiser a chupeta, não vai chupar. É simples. Não adianta eu ter opinião formada agora do que vai ser melhor pra Luísa, porque ela é uma pessoa diferente de todas as outras. Pode gostar da chupeta, pode não gostar. Pode mamar muito e pode não querer mamar como a Lorena do relato que compartilhei com vocês.

Cada pessoa é uma, cada bebê é um e cada mãe/pai tem seu jeito de educar e criar. Opiniões são bem vindas, mas julgar uma mulher mais ou menos mãe  por A, B ou C é o tipo de coisa que NUNCA deveria acontecer. Principalmente vindo de quem parte as críticas.

Não importa se a mãe amamenta ou não, dá chupeta ou mamadeira ou não, se fez parto normal ou cesária. O que importa, de verdade, são os valores, os cuidados, a educação e o tipo de pessoa que cada mulher está formando. Que princípios  estamos passando para nossas crianças. Pra mim, uma boa mãe é aquela que educa o filho para que ele seja uma pessoa honesta, correta e boa com seus semelhantes. O resto é grosseria desnecessária.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Gravidez não é bolinho, desculpa

Acho que a maior manipulação já inventada pela ~imprensa golpista~ e ~sociedade capitalista/consumista~ é a de que gravidez é um comercial de margarina. Sério: tem ONG pra defender todas as minorias do mundo, mas ONG pra mostrar para as mamães de primeira viagem a dureza que é uma gravidez ainda não achei.

Porque, não, gravidez não é bolinho. E, claro, não to dizendo que estar grávida é uma merda. Na verdade, é incrível. Só que não existe isso de você acordar linda, loira e japonesa, olhar para a barriga e fazer piqueniques no parque no final de uma tarde de sol com uma brisa fresca batendo no seu rosto.

Quer dizer, isso até existe no book que sua amiga grávida compartilhou no Facebook. Mas a realidade é que ela acorda cansada, porque não dormiu direito indo ao banheiro pelo menos umas 6x por noite; come e enjoa o café da manhã inteiro - e não só nos três primeiros meses necessariamente. Ao longo do dia, tem dores nas costas. É chutada por um bebê que cada vez tem menos espaço pra dar piruetas. Tem azia e refluxo. Falta ar. Tá cada vez mais pesada e inchada. Cheia de celulites e estrias. Com a cara e o braço gordos. Com falta de ar. E, por fim, vem  a cereja do bolo: sua memória passa a falhar.

Sim. Minha memória tá completamente zoada. Esqueço tudo. Tenho que trabalhar com uma TO DO list do lado ou não sei o que fazer. Esqueço. Troco. Me confundo. Minha memória sempre foi ótima. Agora, não posso confiar nela. A confiança de uma vida toda foi embora.

O Maalox é meu melhor amigo. Nessa reta final de gestação, o Digesan também está sendo. Sem eles, é comer e por tudo pra fora no minuto seguinte. Não desgrudo dos dois. Não vivo sem eles.

E me falta o ar. De todos os problemas, esse é o que mais não consigo lidar. Eu puxo o ar e ele não vem. Fico desesperada. Agoniada. Sofri tanto com bronquite quando era criança que acho que tenho trauma de não conseguir respirar. Levanto, caminho, faço caras e do suspiros que matam o Sérgio do coração cada vez que vem aquela sensação de puxar o ar e não vir nada.

Sem contar que eu acordo todo dia me sentindo um barril. Andar é difícil, as roupas não cabem e você fica torcendo pra chegar logo o dia do nascimento do serzinho dentro de você.

O que salva tudo isso?
1. Os chutinhos do amor <3 p="">2. Acordar e ouvir elogios do maridão.
3. E tudo o que vem depois que o grande dia chega.

<3 p="">

Um pouco antes de engravidar, no nosso aniversário

Com 34 semanas
Quanta mudança, não?


#vemluísa #falta1mês #nãoébolinho



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Oito meses e um século

Cheguei naquele ponto da gravidez que, em tese, eu teria um milhão de coisas para escrever sobre. Só que não consigo. Porque estou basicamente enlouquecendo de ansiedade. Desde que entrei na semana 32, a gravidez parou. Sim, o tempo parou completamente. Sinto que já fui pra marte duas vezes e ainda não começou o ano. Se janeiro já foi assim, só fico imaginando como será fevereiro. E olha que não foi por marasmo, porque emoção foi o que não faltou nesse final de 2013/início de 2014.

Primeiro, porque uma semana antes do Natal, senti contrações. Minha médica, zelosa ao extremo, resolveu classificar minha gestação como de "alto risco". Me colocou no dactil OB (remédio pra evitar parto prematuro) e repouso. Só que... como repousar quando uma semana depois, seus enteados vem pra casa passar as primeiras férias com o papai? E, sim, eles têm cinco anos, gostam de atenção e não tem botão de liga/desliga. Claro que não repousei como deveria, porque 1) odeio fazer repouso e eles foram a desculpa perfeita pra não ficar deitada 24h e 2) gente, como eu poderia repousar com duas crianças LINDAS de cinco anos querendo atenção, carinho e brincadeiras? Claro que não somos irresponsáveis e, dentro do possível, foi tudo bem. Alternei a farra com repouso e consegui concluir o estágio preparatório para a chegada da Luísa com sucesso (por sinal, muito mais sucesso do que eu realmente esperava, fiquei surpresa com minha capacidade de lidar com crianças - sempre me achei péssima nisso).

Os quinze dias que eles passaram aqui voaram. Ai, Lygia e Lipe voltaram pra mamãe e o tempo parou. Cadê os brinquedos espalhados pela casa? Saudades de acordar e trabalhar assistindo Discovery Kids. Ou de ver os dois correndo pela casa atrás do Riquinho - que virou boneco da duplinha linda. Só fazem 13 dias que acabaram as férias deles e a minha sensação é de que faz um ano que eles foram embora. Mas, ok, dia 25 tem o Chá de Bebê e tenho várias coisas pra organizar. Logo, vai passar rápido o tempo, certo? Errado.

Sábado não chega nunca. Mesmo com mil coisas pra organizar ainda, parece que os dias têm mil horas. No meio disso, volta ao médico e... outro repouso. E nada colabora mais para fazer o mundo parar que repouso. Consegui passar mal de pressão alta na sala de espera da minha obstetra. Ela, muito cuidadosa, me colocou de repouso - deitada para o lado esquerdo. Na consulta, falou também sobre minha placenta, que tinha passado para grau 2.

Let me google it (sério,não façam isso): oitavo mês de gravidez + pressão alta + placenta envelhecida = EU AOS PRANTOS. Claro que me torturei lendo mil relatos de mães que perderam seus bebês por eclâmpsia/pré eclâmpsia/descolamento de placenta e surtei. Passei o dia chorando e rezando, rezando e chorando. Pegava as roupinhas da Luísa, olhava para o quarto dela, cheirava (?!!?!?!) tudo. Foram umas quase oito horas perambulando feito zumbi enquanto Sérgio, Patrícia e mamãe tentavam me acalmar. Em meio a tudo isso, trocando e-mails com a Dra. Karina, consegui me acalmar e entender que a Luísa não estava prestes à morrer.

É incrível o desespero que é a sensação, mesmo longínqua, de poder perder seu filho/a. Não existe amor maior que esse mesmo. A única coisa que você quer é que aquela pessoinha fique bem. Digo pelo o que senti e pela maneira que minha mãe cuidou de mim quando viu meu desespero. Ela, que é hipocondríaca, ficou colocando panos quentes na minha preocupação. Vindo da minha mãe, não pode ser demonstração maior de amor. E, da minha parte, eu nunca senti na minha vida, uma dor tão grande. Foi maior do que no dia em que sai do consultório do dermato após a o diagnóstico de penfigóide gestacional - fiquei perambulando pela Vila Madalena e não conseguia pegar um táxi pra voltar pra casa.

A reta final da gravidez vai chegando e tudo virou um motivo de desespero pra mim. Eu, que sempre fui da turma do "vai dar tudo certo, relaxa". Qualquer dor me deixa em alerta. Se ela fica se movimentando muito, eu fico preocupada. Se ela fica quieta, eu fico berrando "acorda, Luísa!" pra saber se está tudo bem. (Curiosidade: quando falo isso, normalmente, ela me chuta em seguida. Menina obediente.) Até coceira no meu olho eu fico tentando descobrir se é sinal de parto pré maturo.

Parece que 21 de fevereiro (quando entro na 38ª semana) será daqui uns mil anos. Esse vai ser o mês mais longo da minha vida até agora. Mais longos do que eram meus aniversários e Natal quando eu era criança. Mais longo que a muralha da China. Mais longo do que a idade de ferro e de bronze juntos. Mais longo que a distância entre a terra e a Galáxia de Andrômeda.

Simplesmente há o infinito entre 21 de janeiro de 2014 e 21 de fevereiro de 2014. E cá estou eu, esperando o infinito passar, pra poder ter minha pequena nos braços.

#comolidar? #vemluísa #8mesese20anosdegravidez



quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Era uma vez em Glória... (parte I)

Janaína é uma amiga de infância. Estudamos anos e anos juntas. Esses dias, ela disse que leu me blog e me pediu pra eu escrever algo sobre as loucuras” que fizemos naquela que costuma ser chamada de “a melhor época da vida das pessoas”: a adolescência. Como entre aspas porque, embora minha adolescência tenha realmente sido muito divertida, eu acho que todas as épocas das nossas vidas tem pontos positivos e negativos. Não acho que minha adolescência foi melhor ou pior que minha infância, do que o período da faculdade, do que o início da minha vida profissional ou do que agora. De qualquer forma, não poderia deixar de atender ao pedido da Jana.

E que loucuras fazíamos? Pois é. Comparado com a minha vida pós-Glória, acho que não fiz nenhuma. Mas me recordo de muita coisa e achei que poderia ser divertido escrever sobre elas. Então, bora nessa.

O que é ser adolescente no interior do Mato Grosso do Sul

A primeira e fundamental parte da série de posts com esse tema é tentar explicar o que é ser adolescente numa cidade de 20 mil habitantes no interior de um estado que, embora criado desde 1977, até hoje confunde os jornalistas da mídia nacional sobre qual é sua capital (não é Cuiabá, é Campo Grande).
Primeiro, todo mundo se conhecia. Com dez mil habitantes, fica impossível não saber tudo que todo mundo é/faz/compra/come/vai/está. Daí que não havia muito espaço pra ser diferente do “status quo” da época que significava ouvir Backstreet Boys, Spice Girls, música sertaneja, funk, pop rock e DJ Celso (o rei dos remixes de todas as festas da época).

Glória é uma cidade pequena e pacata. Dormia-se na época com as portas abertas se você quisesse. A maior preocupação que pais de adolescentes poderiam ter era da filha ficar grávida ou morrer num acidente de carro – porque lá, pelo calor, a galera bebe muita, muita, muita cerveja mesmo. Perdi dois colegas em acidentes entre os 13 e os 17 anos. E lá, se usava muito carro porque, pelas cidades serem muito pequenas e quase não termos opções de diversão, o que restava era peregrinar pra cidade onde ia ter festa no final de semana. Ou seja, pegava-se muito estrada. Mas nunca passei susto nenhum e sempre tive sorte de ter como amiga a única pessoa que conheço que dirige melhor bêbada que sóbria – a Rafa. A Rafa é uma amigona até hoje que devo conhecer desde que nasci – embora minha primeira lembrança seja do ursinho azul que ela me deu de presente no meu aniversário de 7 anos. Por ser 3 anos mais velha, foi a primeira a ter carro e era nossa motorista oficial. Sóbria, dirigia feito louca. Depois de beber, era extremamente cuidadosa e dirigia super devagar. Hoje, ela é uma conceituada professora, mãe de três filhos, mas até chegar nessa fase da vida, ela era aquela amiga que a mãe deixava você sair porque ia com ela.

Como em todo lugar, haviam várias turmas. Até os 12 anos eu não tinha uma turma. Sempre fui muito tagarela. Mas demorei demais pra me integrar a uma turma, porque era tímida (até hoje sou, pode acreditar) e me sentia feia/boba/chata perto de todas as outras meninas da minha idade (eu achava todas lindas e populares e eu era gorda e descabelada). Depois que superei essa fase, tinha basicamente duas turmas: minhas amigas da escola e minhas amigas de sair.

Minha turma da escola foi se formando à partir da sexta série, mas basicamente eramos eu, Renata, Janaína e Joice (a Michele também, durante um ano e pouco). A Renata eu conheço desde que me entendo por gente. Estudamos juntas desde a pré-escola e fizemos a pré-escola umas três vezes (acho) antes de ter idade pra ir pra primeira série. A Janaína eu conheci quando mudei de escola e fui estudar no Hilda Bergo. A Joice também fez pré comigo e eu conhecia desde pequena. A Michele conheci na sétima série – ela era amiga da Renata e quando voltou do Japão, caiu na nossa turma.

Minha turma fora da escola também se formou aos poucos e era bem maior. Em resumo, éramos: eu, Cássia, Paulyana, Rafaela, Gê, Monnik e Joyce (com participação especial da Cleia, irmã da Cássia em vários momentos), além da Aruza e da Vanessa que eram de Fátima do Sul. De tempos em tempos, umas sumiam, outras reapareciam mas, grosso modo, era isso. A Rafa eu já expliquei como conheci. A Cássia e a Paulinha, embora eu conhecesse há muito tempo, só fiquei amiga depois de adolescente (antes disso, elas tiravam sarro dos vestidos que minha mãe fazia pra mim e, logo, eu não ia muito com a cara delas, ahahah). A Monnik conheci nas aulas de jazz. A Gê conheci por conta da Paula e a Joyce eu não lembro exatamente como conheci, mas acho que foi na casa da Jaqueline (vizinha da Joyce que estudava comigo). A Aruza e a Vanessa conheci por conta da Rafa, que foi quem as conheceu primeiro.

Minhas preocupações, no geral, giravam em torno de 1) conseguir com que minha mãe deixasse eu ir praquela festa na qual a cidade inteira ia 2) ter dinheiro pra ir na tal festa (no geral, sair com R$ 30 reais era ser rico, praticamente) 3) ter roupa pra ir na tal festa. Durante a semana, a rotina era ir ao Clube Caiçara ver os meninos “cobiçados” da cidade e, particularmente no meu caso, entrar na piscina sem que ninguém me visse de biquíni (no caso da Cássia, também). Para isso, tínhamos uma ótima estratégia de sair do vestiário enroladas na toalha, ir até a beira da piscina, sentar, desenrolar a toalha correndo e cair dentro da água. Claro que não foram poucas as vezes que a toalha molhou ou que algum engraçadinho pegou a toalha na borda e escondeu – obrigando a gente a sair da piscina de biquíni pra meu total horror e desespero.
Lembro que boa parte da minha rotina entre 13 e 17 anos era: escola, casa, “tarefa” na casa de alguém da turma da escola, clube Caiçara até o horário de fechamento, casa, tereré na casa de alguém. Tudo era feito andando a pé ou de bicicleta, porque Glória não tem transporte coletivo (até hoje, e não precisa mesmo pelo tamanho da cidade, embora ter carro ajude demais dado o calor infernal de lá).

Dizem que bullying cria pessoas desajustadas socialmente. Acho que sou a prova de que nem sempre é assim. Ou já era pra eu ter matado muita gente por ai, ahahahah! Porque, embora sempre estivesse entre as melhores alunas da sala (estudar, pra mim, sempre foi fácil, achava a escola a coisa mais moleza do mundo), quando chegava as aulas de educação física, eu sempre era a escanteada. Idem para as partidas de vôlei no Caiçara ou na casa da Joyce (amarrávamos a rede de vôlei de um lado a outro da rua e, sempre que passava um carro, parávamos o jogo pra erguer a rede). Claro, perdi as contas de quantas vezes levei bolada na cara nas malditas aulas de vôlei –e todo mundo ria. Sempre fui um fiasco com esportes coletivos – e continuo sendo até hoje. Mas superei o bullying do vôlei (odeio esse esporte até hoje, maldito) e segui em frente. Até, porque, fora aquela maldita bola vindo na direção da minha cabeça, minha vida era realmente divertida.

Amava minhas amigas. Estudávamos juntas. Fazíamos tarefas. Adorava ensinar a matéria da prova para minhas colegas de classe e ajudar as outras quando tinham dificuldades em alguma lição. Lembro muito de ensinar biologia pra Joyce quando eu estava na oitava série e ela na sexta – hoje, a Joyce é uma fisioterapeuta maravilhosa e eu acho que perdi meu tempo estudando biologia. Entre um gole de tereré e outro, organizávamos festinhas (saudosos “Picafest”, um nome dado em homenagem ao querido amigo Márcio Pica Pau), trocávamos confidencias, fazíamos planos para o final de semana, falávamos sobre nossas paixonites/ficantes/namoradinhos e nos divertíamos de uma maneira muito saudável para os parâmetros atuais. Claro que isso não impediu que acontecessem coisas como metade da cidade ficar presa na delegacia da cidade vizinha, Deodápolis, num sábado à noite; xixis no meio da estrada pós baile do Havaí em outras cidades; ajoelha e chora em frente ao clube da cidade no meio da balada por excesso de álcool; fugas desesperadas de cachorros imaginários no carnaval graças à cerveja... entre outros momentos pra recordar e nunca mais esquecer.

Mas os detalhes ficam para o próximo post... :)


ps. nenhum post será ilustrado com imagens por motivos de 1) não tenho muitas fotos daquela época 2) as que tenho, se publicar, perco as amigas 3) achei uma foto de tereré no google, tá ai uma boa imagem pra ilustrar.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Pressa x Perfeição: lição para o trabalho e a vida

Uma vez, eu cometi três cagadas seguidas na pressa de entregar um job para um cliente. Nunca ouvi tanta carcada na vida, tanto da cliente como dos meus chefes de então.

Depois disso, eu entendi que não adianta ter pressa pra entregar. O que a gente precisa é entregar excelência. Porque se o job for errado, ele vai voltar, o cliente tendo pressa ou não.

Em outra situação, cometi a gafe de justificar um erro para um cliente dizendo que foi porque fiz pelo celular. Na minha cabeça, ela compreenderia que fiz de tudo pra executar a tarefa e entenderia o erro. Mas, de novo, levei carcada. Da cliente e dos chefes. Por trás disso, estava a pressa em me justificar. E o erro de querer fazer de qualquer jeito pra dizer que fiz.

As duas situações ocorreram com o mesmo cliente. Foi o cliente mais difícil de satisfazer que atendi na vida como funcionária. Toda vez que a cliente botava pressão, eu entrava na crise da pressa e acabava fazendo cagada. E a cliente exigia. Exigia tudo o que eu achava que podia e o que não podia oferecer. Hoje, sei que tamanha exigências foi uma das melhores coisas que aconteceu comigo.

Nessa época, tive sorte de ter (por quase todo o tempo) a melhor chefe do mundo. E de trabalhar com o melhor atendimento que eu já trabalhei na vida também (embora, em muitos momentos, eu tivesse vontade de matar ele). E foi esse atendimento que me ensinou uma lição que eu uso todos os dias na mina vida: a gente tem que entregar perfeito. Checa, checa e checa. Você vai passar por chato, mas melhor ser um checador pentelho do que um apressado desatento.

No quase um ano que trabalhei nessa conta, não foram poucas as vezes que tive vontade de arrancar meus cabelos fora, de mudar de galáxia e que chorei, chorei e chorei. Não foi fácil. Na verdade, foi muito difícil.

Esse é um dos jobs que mais me orgulho de ter executado em onze anos de mercado.

Sou eternamente agradecida pelo o que aprendi e me ensinaram durante essa época. Porque esse nivel de exigência tão alto e estressando me fez mudar de patamar profissional ao compreender que a busca pela perfeição (já que perfeito, mesmo, ninguém é) deve vir antes da pressa sempre. E que pressão, a gente sempre vai enfrentar - mas o que vai te diferenciar como profissional é como você vai lidar com ela.

Não existe isso de ter pressa para mandar o job. Você precisa é entregar o job bem feito. Porque se ele não tá bem feito, não tem pressa que tire o "pepino" do teu colo.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Parto normal ou cesária, o que é melhor?

Sete meses e meio, reta final da gravidez.
"E qual parto você vai querer?
"Cesariana."
"Ah... nossa, por que você não quer parto normal? Acho que você deveria ler mais e se informar sobre os benefícios de um parto normal, procure um grupo de parto humanizado."

Não sei quantas vezes ouvi isso/algo semelhante sempre que comento que não pretendo ter parto normal. Sem contar nos mil vídeos de parto humanizado em casa que já me mandaram e links de grupos de parto humanizado, indicação de doulas e afins. E sempre que recuso, escuto o mesmo argumento: "ah, você deveria se informar mais".

Confesso que tenho uma vontade enorme de enfiar a mão na cara de quem me fala isso. Tudo bem, a pessoa parte da média - e a maior parte das mães não se informam mesmo. Mas quem me conhece, sabe que quando um determinado assunto entra na minha vida, eu não sossego enquanto não decifro ele de cabo a rabo. Obviamente, quando me descobri grávida, essa foi a primeira coisa que fiz: revirar o mundo do avesso pra ler tudo sobre tudo. Sintomas, problemas, complicações, riscos. Reviro a internet atrás de tudo. Tiro mil dúvidas com a minha médica (nas consultas e por e-mail).

E, obviamente, dentro do bombardeio de informações sobre gravidez e maternidade ao qual me submeti voluntariamente, parto é um dos principais tópicos. Por cazzo então, qualquer pessoa acha que tem mais informações e se acha no direito de dizer que minha escolha está certa ou errada, ou que preciso me informar mais?

Sim, eu sei que cesariana é uma cirurgia. De médio porte, por sinal. Sim, eu sei que no caso de um segundo parto, duas cesárias são mais arriscadas que um parto normal. E que o risco que envolve parto normal é de 1%. Também sei que mulheres pariram durante milhares de anos de parto normal. Também sei que o corpo se recupera mais rápido e que você não corre o risco de ter um bebê prematuro. Sei que, como você tem o bebê na hora certa, o leite desce mais rápido também. Também sei que o parto normal melhora o sistema respiratório do bebê, treina ele para o toque e que ajuda o útero da mãe voltar ao normal mais rápido.
Eu nunca fiz uma cirurgia. Nunca quebrei um osso na vida. As maiores intervenções médicas que fiz foi arrancar um dente e levar três pontos na testa. Mesmo assim, eu quero ter um parto cesária. Por que?

Porque eu vou me sentir melhor. Sempre achei que essa história de melhor é relativo. Melhor pra quem? Segundo quais conceitos? Pra mim, o melhor é aquilo que te deixa mais tranquila. Se eu vou para a sala de parto ter minha filha do jeito que eu escolhi, eu não tenho a menor dúvida de que ela vai nascer da melhor forma possível. Eu nasci de cesária e tive pouquíssimas doenças quando era criança, nunca quebrei nada, fui sempre uma criança saudável. Minha mãe queria ter parto normal e não pode porque não tinha passagem. Não tenho menos "laços" com ela por conta da forma que vim ao mundo.

Também acho que o parto ser traumatizando ou não depende muito de onde você faz, quem é seu médico e como são os procedimentos. Claro que estou falando da minha realidade e não posso falar pelo mundo. Até porque não tenho como saber o que é bom pra qualquer outra mulher, só para mim mesma. Mas só pra falar de relatos de parto (as defensoras do parto normal adoram contar causos de partos cesária ttraumatizantes), minha faxineira perdeu o primeiro filho porque era menor de idade e não fizeram cesária nela. Ela ficou 4 dias em trabalho de parto e o bebê morreu. O parto normal foi melhor pra ela? Definitivamente não. Mas pra muitas mulheres, é a melhor opção, por isso acho que a decisão tem que ser individual.

Eu sei que, em muitos casos, a mulher acaba sendo forçada a um tipo de parto ou outro, dependendo do médico que a acompanha, do tipo de cobertura médica que ela possui. Sei que muitas mulheres querem ter parto normal e médicos acham mil e um empecilhos. Acho isso absurdo. Mas acho absurdo também a pressão que existe de algumas pessoas militantes do parto humanizado pra que você tenha parto normal de qualquer jeito. Basta acompanhar os fóruns de grávidas. Qualquer  mulher que vire e diga que quer um parto cesária é, imediatamente, bombardeada por acusações de falta de conhecimento/ insensibilidade/egoísmo/frescura.

Optar por um parto cesário não é frescura, não é egoísmo e não é necessariamente falta de conhecimento. É opção e, por mais que soe absurda, precisamos respeitar. Particularmente, acho uma irresponsabilidade parto feito em casa (sim, eu acho um horror esses vídeos de mães tendo filhos dentro da banheira na sala de casa). Mas é uma opção da mãe e não cabe a mim e nem a ninguém, julgar. O mesmo vale pra quem opta pela cesariana.

No meu caso, eu não me sentiria nada bem "esperando" a hora do bebê nascer. Sou muito ansiosa e minha rotina profissional pede planejamento.  Se eu tiver no meio de uma reunião e minha bolsa estourar, ficaria desconcertada emocionalmente. Porque gosto de me preparar, me planejar e fazer as coisas com calma, sempre minimizando riscos. Minha gravidez não foi planejada, mas se meu parto pode ser, é assim que quero que seja. E quero cesária porque, apesar da recuperação ser pior, eu prefiro a dor planejada e programada do que algo incerto. Sei que ambos os tipos de parto envolvem riscos mínimos, mas eu prefiro correr os riscos e as dores da cesariana do que a do parto normal. Porque EU vou me sentir melhor fazendo as coisas do meu jeito, respeitando a minha personalidade e os meus desejos. E acho que, pra cada mãe, deveria ser assim. A mulher que vai parir, ela que decida como vai ter o filho e que as pessoas entendam que ninguém, mesmo tendo todas as informações do mundo, terá melhor condições de tomar essa decisão que a própria mãe.

Eu acho engraçado que a maior premissa do parto humanizado é ter as vontades da mãe respeitadas. Porém, todo discurso vai por água abaixo quando você diz que quer marcar sua cesária com 38 semanas e meia. Ai, você vira uma mãe menor, desinformada, egoísta, fresca. Não, não sou nada disso. Pior que muitas mães caem nessa. E quando precisam ter cesariana, ficam se sentindo menos mãe porque não tiveram filhos de maneira "natural".

Que me desculpem os amantes da natureza, mas natural, pra mim, é ter minhas decisões e vontades respeitadas. O respeito à decisão deve valer você concordando com o que a mãe decidiu ou não. Isso sim é ser humano, isso é ser natural.