terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Oito meses e um século

Cheguei naquele ponto da gravidez que, em tese, eu teria um milhão de coisas para escrever sobre. Só que não consigo. Porque estou basicamente enlouquecendo de ansiedade. Desde que entrei na semana 32, a gravidez parou. Sim, o tempo parou completamente. Sinto que já fui pra marte duas vezes e ainda não começou o ano. Se janeiro já foi assim, só fico imaginando como será fevereiro. E olha que não foi por marasmo, porque emoção foi o que não faltou nesse final de 2013/início de 2014.

Primeiro, porque uma semana antes do Natal, senti contrações. Minha médica, zelosa ao extremo, resolveu classificar minha gestação como de "alto risco". Me colocou no dactil OB (remédio pra evitar parto prematuro) e repouso. Só que... como repousar quando uma semana depois, seus enteados vem pra casa passar as primeiras férias com o papai? E, sim, eles têm cinco anos, gostam de atenção e não tem botão de liga/desliga. Claro que não repousei como deveria, porque 1) odeio fazer repouso e eles foram a desculpa perfeita pra não ficar deitada 24h e 2) gente, como eu poderia repousar com duas crianças LINDAS de cinco anos querendo atenção, carinho e brincadeiras? Claro que não somos irresponsáveis e, dentro do possível, foi tudo bem. Alternei a farra com repouso e consegui concluir o estágio preparatório para a chegada da Luísa com sucesso (por sinal, muito mais sucesso do que eu realmente esperava, fiquei surpresa com minha capacidade de lidar com crianças - sempre me achei péssima nisso).

Os quinze dias que eles passaram aqui voaram. Ai, Lygia e Lipe voltaram pra mamãe e o tempo parou. Cadê os brinquedos espalhados pela casa? Saudades de acordar e trabalhar assistindo Discovery Kids. Ou de ver os dois correndo pela casa atrás do Riquinho - que virou boneco da duplinha linda. Só fazem 13 dias que acabaram as férias deles e a minha sensação é de que faz um ano que eles foram embora. Mas, ok, dia 25 tem o Chá de Bebê e tenho várias coisas pra organizar. Logo, vai passar rápido o tempo, certo? Errado.

Sábado não chega nunca. Mesmo com mil coisas pra organizar ainda, parece que os dias têm mil horas. No meio disso, volta ao médico e... outro repouso. E nada colabora mais para fazer o mundo parar que repouso. Consegui passar mal de pressão alta na sala de espera da minha obstetra. Ela, muito cuidadosa, me colocou de repouso - deitada para o lado esquerdo. Na consulta, falou também sobre minha placenta, que tinha passado para grau 2.

Let me google it (sério,não façam isso): oitavo mês de gravidez + pressão alta + placenta envelhecida = EU AOS PRANTOS. Claro que me torturei lendo mil relatos de mães que perderam seus bebês por eclâmpsia/pré eclâmpsia/descolamento de placenta e surtei. Passei o dia chorando e rezando, rezando e chorando. Pegava as roupinhas da Luísa, olhava para o quarto dela, cheirava (?!!?!?!) tudo. Foram umas quase oito horas perambulando feito zumbi enquanto Sérgio, Patrícia e mamãe tentavam me acalmar. Em meio a tudo isso, trocando e-mails com a Dra. Karina, consegui me acalmar e entender que a Luísa não estava prestes à morrer.

É incrível o desespero que é a sensação, mesmo longínqua, de poder perder seu filho/a. Não existe amor maior que esse mesmo. A única coisa que você quer é que aquela pessoinha fique bem. Digo pelo o que senti e pela maneira que minha mãe cuidou de mim quando viu meu desespero. Ela, que é hipocondríaca, ficou colocando panos quentes na minha preocupação. Vindo da minha mãe, não pode ser demonstração maior de amor. E, da minha parte, eu nunca senti na minha vida, uma dor tão grande. Foi maior do que no dia em que sai do consultório do dermato após a o diagnóstico de penfigóide gestacional - fiquei perambulando pela Vila Madalena e não conseguia pegar um táxi pra voltar pra casa.

A reta final da gravidez vai chegando e tudo virou um motivo de desespero pra mim. Eu, que sempre fui da turma do "vai dar tudo certo, relaxa". Qualquer dor me deixa em alerta. Se ela fica se movimentando muito, eu fico preocupada. Se ela fica quieta, eu fico berrando "acorda, Luísa!" pra saber se está tudo bem. (Curiosidade: quando falo isso, normalmente, ela me chuta em seguida. Menina obediente.) Até coceira no meu olho eu fico tentando descobrir se é sinal de parto pré maturo.

Parece que 21 de fevereiro (quando entro na 38ª semana) será daqui uns mil anos. Esse vai ser o mês mais longo da minha vida até agora. Mais longos do que eram meus aniversários e Natal quando eu era criança. Mais longo que a muralha da China. Mais longo do que a idade de ferro e de bronze juntos. Mais longo que a distância entre a terra e a Galáxia de Andrômeda.

Simplesmente há o infinito entre 21 de janeiro de 2014 e 21 de fevereiro de 2014. E cá estou eu, esperando o infinito passar, pra poder ter minha pequena nos braços.

#comolidar? #vemluísa #8mesese20anosdegravidez



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