quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Meu relato de parto: Luísa chegou

Uma das coisa que mais fiz ao longos dos últimos meses foi ler relatos de parto e ver vídeos de parto. Li e vi de tudo: parto normal, cesariana, parto em casa, parto na banheira, parto normal de bebê pélvico, partos, partos e mais partos. E toda essa leitura me fez muito bem e me deixou tão segura da minha decisão que não poderia não fazer o relato do meu parto. Já adianto que ele será um relato longo. Porque sou detalhista e porque a experiência do parto me fez refletir e enxergar algumas coisas que acho essencial transmitir para fechar o ciclo da gravidez.

 Luísa era um bebê que nasceria de cesariana, obviamente. Foi o que sempre disse pra minha mãe, muito antes de um dia achar que eu seria mãe, quando ela me contava quando eu vim ao mundo (nasci de cesária por falta de dilatação da minha mãe, que sofreu até o último minuto tentando o parto normal). Por isso, quando iniciei o pré-natal, fiz questão de eu deixar claro para a minha médica que eu queria uma cesariana (até então, não tinha noção de que a maior parte dos médicos prefere a cesariana e que parto normal só é procedimento padrão no SUS).

Ai eu entrei no maravilhoso mundo da gravidez e comecei a entender todas as polêmicas que envolvem o tipo de parto. Li, li, li e devorei todo o tipo de informação sobre parto humanizado e os benefícios do parto normal. Quanto mais eu lia, mais que tinha certeza que queria cesária. No meio da gravidez, Luísa ficou pélvica desde a semana 24 e não virou. No final das contas, minha filha entendeu que a mamãe queria ser operada e ficou sentadinha.

Sai da consulta com mina obstetra, dia 19, com a quarta de internação para o dia 26/02. Ela queria que eu esperasse o carnaval passar para marcar a data. Eu disse que de jeito nenhum ia correr o risco de entrar em trabalho de parto no meio do feriado. Fizemos as contas e fechamos o dia 26. Só que nessa mesma consulta, minha pressão estava um pouco alta (13x8). Como eu tive um histórico de pressão levemente elevada no sétimo e oitavo mês, minha médica me pediu pra monitorar diariamente a pressão. Se passasse de 13x8, adiantaríamos o parto pra evitar o risco de descolamento de placenta.

Ponto. Ai, começou o meu surto. Nenhuma mãe do mundo quer gestar seu filho por  nove meses e perdê-lo no final. O Google, que eu não recomendo pra grávida nenhuma, tem relatos claros do sofrimento que é um descolamento de placenta no final da gravidez. Minha pressão, que sempre se manteve em 12, 11, estacionou no 13 por 7 e não baixava. Fui fazendo o acompanhamento e nada. Na sexta, cheguei a verificar a pressão umas 40 vezes ao longo do dia, com diferentes medidores. Em casa, na farmácia, com o aparelho da minha mãe, eu comecei a surtar. Na madrugada da sexta para o sábado, acordei passando mal. Medi a pressão e estava 14x7 em um aparelho e 15x7 em outro. Decidimos ligar pra minha médica assim que o da amanhecesse. Ligamos e ela nos mandou ir para o pronto socorro da Pro Matre.

Como sabia que existia  a possibilidade de fazer a cesária, resolvi não comer e fiquei só no iogurte que tinha tomado por volta das sete da manhã. Pronto socorro lotado. Chegamos às 10h e fui para o pré atendimento meio dia. Minha pressão foi aferida e estava 11x7. Mais uma hora de espera. Minha médica me liga querendo saber porque ela ainda não tinha sido acionada. Conversamos e ela fez o diagnóstico correto: “Núbia, vamos fazer seu parto porque se eu te mandar pra casa, você vai ficar preocupada e a tua pressão vai subir”. Dali meia hora, me chamaram. A médica que nos atendeu falou com minha obstetra e me colocou pra fazer um cardiotoco. Informou que o hospital estava lotado, mas que ia tentar um quarto pra internação. Sumiu.

Dali a meia hora, aparece um outro médico. O plantão tinha mudado e ele que ia me atender. Ai começaram os problemas. O médico resolveu que estava tudo bem comigo e que eu deveria ir pra casa. Explicamos toda a situação e ouvi que “se tivéssemos que internar toda grávida que acha que pode ter um descolamento de placenta, o hospital nunca teria vaga. Sua pressão agora está boa. Se subiu antes, não posso fazer um diagnóstico com base em algo que não vi”. Bom, ai eu surtei. Comecei a chorar e falei: “Ta bom, minha pressão tá ótima, talvez porque eu esteja desde as sete da manhã sem comer. Ai, vou pra casa, ela sobe de novo, minha placenta descola e minha filha morre. O que você e a Pro Matre vão me falar? Que sentem muito?”.

Ligamos pra minha médica e meu marido falou com ela, porque eu já não tinha a menor condição de raciocinar. Só falava que estava odiando aquele hospital e que se já não tivesse pagado o parto, ia pra outra maternidade. As lágrimas despencavam e eu fiquei completamente desesperada com a possibilidade de perder nossa filha. Minha médica falou com meu marido, com o tal plantonista e impôs que eu ficasse sendo monitorada no pronto socorro até ter uma vaga no centro cirúrgico e quarto pra me internarem. Graças a Deus, a partir daquele momento, não precisei mais ver a cara daquele ser insensível e idiota que não acompanhou a minha gravidez e queria saber mais do que minha médica se eu deveria ser internada ou não.

Um pouco depois, minha médica ligou pra avisar que tinha conseguido marcar o centro cirúrgico para as 18h30. Nunca me senti tão aliviada e chorei de novo, só que de felicidade. À 16h nos levaram para o quarto. Em seguida, já trouxeram a camisola e me avisaram para estar pronta às 18h. Fiquei tão feliz que comecei a falar com o Sérgio pelos cotovelos, sei lá o que. Quando vieram me buscar par a centro cirúrgico, por incrível que pareça, foi o momento mais tranquilo de todos. Deitei na maca feliz e até cantei “Hotel California” do Eagles, que tocava no rádio da recepção do centro cirúrgico quando dei entrada.

À partir dai, foi tudo rápido, incrível e maravilhoso. Eu estava serena. Toda a equipe que trabalhou no parto e me recepcionou era extremamente educada e sensível (diferente do plantonista FDP que me atendeu). Quando minha médica chegou com a instrumentista e a anestesista da equipe dela, minha vontade era sair da maca e dar um abraço nela, de tão feliz que eu estava por ela ter resolvido toda a questão, apesar da má vontade do plantonista. A Vanessa, anestesista, explicou o que aconteceria então. Confesso que não senti absolutamente nada além de uma picadinha pequena. Em seguida, veio o calor nas pernas e um pouco de tremedeira. Minha pressão caiu e comecei a ter refluxo. Durou menos de cinco minutos, acho, até o remédio para a pressão subir fazer efeito de novo.

Dali a pouco, o Sérgio entrou na sala e começou a operação. Minha médica foi falando e, rápido, avisou que já tinha estourado a bolsa. Em seguida, me deram parabéns e eu fiquei com cara de “Cadê o choro da minha filha????”. Demorou alguns segundos e ouvi aquele choro lindo, fraquinho, quase um resmungo. Morri de tanto chorar e de tanta felicidade com esse som! O melhor barulho que já ouvi na minha vida! Em seguida, a equipe trouxe ela pra eu ver, ainda toda roxinha e suja e a primeira coisa que pensei foi: “Meu Deus! Como ela tem cabelo!” O Sérgio apertava minha mão e a gente chorou horrores olhando praquele serzinho minúsculo.

Dai, ali no centro cirúrgico mesmo, já limparam ela. O Sérgio foi acompanhar e eu fiquei lá na maca. A anestesista me perguntou se eu tinha família e disse que sim. Ela pegou o celular do Sérgio e ligou pra minha prima pra avisar que estávamos na sala 4 do Espaço Vida. Dali a pouco, abriram o vidro e o Sérgio foi mostrar a Luísa, já limpa, pra minha mãe, prima e para o marido dela. Depois, ela veio pra perto e ficamos os três, juntos. A anestesista pegou o celular dele, tirou fotos e foi super bacana com a gente. Ela ficou bastante tempo na sala e só levaram ela quando o Sérgio também precisou sair. Dai, terminaram de fechar a barriga e fui para o pós operatório. A anestesista, de novo, me acompanhou, explicou o que aconteceria e, por volta das 20h, eu estava no quarto.

A Luísa só veio ficar com a gente por volta da meia noite. AO chegar, já coloquei no colo, dei peito e a bonita já pegou direitinho. Nasceu com 2.960, apgar 9/10 e 47 cm com 37 semanas e 5 dias (menor do que aparecia nas ultrassons). Linda e, o que realmente importa: SUPER SAUDÁVEL. Toda nossa.

Minha recuperação está bem tranquila. Não tive enjoo, azias ou dores. Na primeira levantada para o banho, só senti uma ardência, mas nada de tonturas. Também sinto arder os pontos, principalmente no local do nó, mas nada que seja horrível.

Só posso agradecer do FUNDO do meu coração a minha MARAVILHOSA obstetra, dra. Karina Érika Ferrari Moreira, à equipe dela que foi incrível também (a anestesista Vanessa é um anjo) e, com exceção do plantonista mala, preciso dizer que a equipe da Pro Matre é realmente sensacional. Amei ter a Luísa lá e se tiver filhos de novo no futuro, pretendo ter novamente nessa maternidade, apesar do plantonista.

Depois de acompanhar tantas polêmicas ao longo da gravidez, digo que tive um parto “humanizado” porque minha filha nasceu do jeito que eu queria e, ao longo de toda a gestação, nossas vontades sempre foram respeitadas, incluindo nessa reta final. E, como disse, o que realmente importa, independente das escolhas da mãe, aconteceu: Luísa está bem, saudável, enchendo nossa vida de amor e felicidade imensuráveis. Eu poderia ter esperando entrar em trabalho de parto, poderia ter tido um parto normal de bebê pélvico, poderia ter feito o que fosse, que não fosse a cesariana, que NADA mudaria o fato que realmente importa, que é ela estar bem e saudável, com a gente. E é por isso que, olhando pra trás, faria tudo de novo, do jeito que foi. Porque a minha escolha fez bem pra mim. E, consequentemente, pra ela também.





quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Bebê chegando: como me organizar? Parte II

Esse é o segundo post da série "Virei mãe de primeira viagem por acaso. E agora?". Porque, né, acordar e saber que em breve vai ter uma criança precisando de você pra tudo não é nada simples. E são TANTOS detalhes e coisas que a gente precisa que pra se perder é facinho. Eu mesma não sei como dei conta de chegar até onde eu cheguei com tudo bonitinho. Ah e  não acaba, nunca acaba, sempre tem um detalhe faltando. Agora mesmo me toquei que não tinha comprado absorvente pra seio e absorvente pós parto e lá vou eu pra farmácia comprar para por na mala da maternidade. Mas hoje não vamos falar da mala da maternidade ainda, porque até chegar nessa parte, demora.

Decoração do quarto/móveis:
Mãe de menina, não tem jeito. Mesmo sendo desligada com essa vibe blogueira de moda, a gente quer um lugar bonito, fofinho, pra ser o primeiro quarto da filha. Morando em São Paulo, as coisas ficam mais fáceis, porque há mil opções pra todos os bolsos.

Aqui, optamos pela intermediária (nem a mais barata e nem a mais cara) e a solução para o quarto se chamou Rua Teodoro Sampaio.  Na quadra próxima a Henrique Schaumann, há várias lojas especializadas em quartos de bebês bem legais. Você não vai encontrar nada mega personalizado, estilizado, etc, até porque pra encontrar um quarto único, só contratando um carpinteiro (que custa uma fortuna) pra fazer tudo. Mas, no geral, os móveis são de boa qualidade, duráveis, fora do padrão "Casas Bahia" (nada contra, por sinal, mas meu guarda-roupas é de lá e em um ano, as gavetas internas já estão quebradas).

Minha dica pra quem vai na Teodoro é pesquisar bastante, porque há diferenças absurdas entre o preço de uma simples cômoda de uma loja para outra. Coisa de mais de mil reais de diferença, sabe? E nas lojas ali naquela quadra, todos os produtos são de ótima qualidade. Então, é a economia que vale a pena. 

Os móveis do quarto escolhidos foram berço, cômoda com trocador, guarda-roupa e poltrona de amamentação + pufe (optei por não comprar a cama de acompanhante, até porque não terei babá) na KM Baby com um preço muito bom (e ainda ganhamos desconto na metade do valor que pagamos à vista. Um BOM desconto). Mas o que me deixou impressionada foi que, depois que entregaram, enrolei pra ligar pra marcar a montagem e a própria loja me ligou pra me oferecer um horário. Difícil achar lugares assim, em que rolar essa super proatividade e a preocupação com o cliente, né? Sem contar que como eles tinham tudo pra pronta entrega, em menos de dez dias todos o quarto já estava montado. E ainda ganhamos o colchão na compra do berço (um bom colchão). Achei a loja bem bacana mesmo.



Já a decoração, comprei também na Baby Line, por um motivo especial. Não tinha grana pra mandar fazer uma decoração toooda personalizada como as blogueiras ricas fazem (sou pobrinha mesmo, ahahaha) e lá eu consegui achar um quarto de menina bonito QUE NÃO FOSSE ROSA. Quarto rosa e lilás é o que você mais acha quando vai ter menina, e eu não queria nenhuma das duas cores, exatamente pra fugir do tradicional. Nada contra, mas não combina comigo, acho muito clichê, embora tenha visto quartos nessas duas cores LINDOS de morrer. Mas quando achei a combinação de vermelho e bege, eu babei e foi amor à primeira vista. Por conta disso, acabei não fazendo tantas comparações de preço nesse tema. O que achei prático é que também consegui toda a decoração pra pronta entrega, incluindo o papel de parede. E outro diferencial da loja é que me indicaram para colocar o papel de parede o próprio instalador da loja, que cobrou um preço super bacana e fez um trabalho muito bom, rápido e limpo - só pra entender, a parede é meio torta e o papel de parede era de listras. Se ele não adequasse o corte do papel à parede, as listras iam ficar parecendo tortas. E ficaram perfeitas. 



Complementei com mais algumas coisas que preferi fazer a parte, como por exemplo, espelho, módulos quadrados para colocar o som (comprei aqueles que vendem em lojas como TokStok, super práticos), pra dar um ar mais moderninho ao quarto da criança, assim como um outro pufe vermelho - para o papai ter onde sentar na hora que for ajudar a mamãe a cuidar da neném. Tudo na TokStok, do mostruário Se souber comprar direito, você consegue um puta desconto numa peça praticamente nova. Eu, particularmente, sou a rainha de comprar as peças em exposição da Tokstok. Sabendo comprar e escolher, vale muito a pena. 

Com a vovó Cici


O Kit Higiene foi feito à mão pela minha cliente linda Luana Stabile. Vi no Facebook dela que ela fazia essas peças incríveis, quis encomendar o kit higiene da Luísa na hora com ela! Acabei ganhando, o que eu agradeço muito! Detalhe que ela não tinha visto a decoração e fez um que SUPER combinou com o quarto da Luísa. Que sintonia, né? Coisa mais fofa dessa vida. Aliás, o trabalho da Lu é LINDO e feito a mão, um capricho só, super recomendo! Essa gavetinha é super prática pra guardar os lenços umedecidos e o bepantol, e os potes cabem super bem algodão, cotonete e afins. Comprei uma lixeira sem cuti-cuti. moderninha, clean, branca, pra dar o toque não tão bebê que procurei trazer para o quarto sem deixar de ser um quarto de criança.



Chá de Bebê

Eu, sinceramente, não queria fazer um chá de bebê. Primeiro, porque achava que daria muito trabalho. Segundo, porque essas coisas de pintar barriga, fazer brincadeiras e reunir só mulheres não é muito minha cara. Mas entendi que seria legal fazer, até porque quando você engravida, acaba ficando mais reclusa da sua vida social - seja porque está cheia de dores, porque não tem mais roupa que caiba pra sair ou porque é um saco sair e não poder beber. Por isso, achei por bem fazer o tal chá, desde que na minha versão: sem brincadeiras e incluindo homens e mulheres.

Como o quarto da Luísa seria vermelho, bege e branco, defini que a decoração do chá seguiria a mesma linha. Fuçando no Google, achei uma lojinha linha, a Doce Ideia, da Carla, no Elo7 (site especializado em artesanato). Lá, encontrei um modelo de convite de joaninhas que me deixou apaixonada. Ai, bati o martelo: o tema seria "Joaninhas". Comprei os convites com a Carla e fiz as lembrancinhas com a Waleria (que também é cliente da minha empresa, mas que faz sabonetes incríveis e também tem lojinha no Elo7). Ela fez as lembrancinhas do chá. Em seguida, como eu já tinha a Pistache Doces como referência para fazer bolo, encomendei o bolo com eles (de joaninhas, claro). E, por meio da Pistache, eu cheguei na Anna, da Mimos da Belinha, que topou o desafio de criar uma decoração de joaninhas (ela nunca tinha feito) com um budget super apertado porque, nessa altura do campeonato, o orçamento da mamãe Núbia já estava pra lá de estourado, rs.

As comidinhas foram todas da vovó Cici, que fez todos os docinhos (brigadeiro, beijinho, docinho de nozes e pão de mel), com minha ajuda. Sim, eu enrolei 400 docinhos para o chá de bebê com uma barriga de oito meses de gravidez. Tem horas que eu não acredito como consegui fazer, ahahahah! Complementamos com salgadinhos da Dona Deôla (padaria que eu amo) e compramos as bebidas já geladas na Saideira Brasil (que sempre uso quando quero receber bebida bem gelada mesmo em casa).

Uma dica para as futuras mamães: não façam como eu e deixem pra fazer o chá no oitavo mês. Passei o dia seguinte estourada de cama de tanta dor porque, pra nossa sorte, acho que os amigos gostam do casal. Então, veio praticamente TODO mundo que foi convidado, o que eu sinceramente não esperava. E o que me deixou imensamente feliz. Se eu ainda não tinha agradecido, agradeço novamente: amigos e amigas, vocês foram incríveis demais. Luísa já nasce se sentindo muito amada e a gente fica super felizes por ver tanta gente linda com as quais, inclusive, andamos em falta (reclusão caseira por conta da gravidez), gastar seu sábado de descanso pra celebrar com a gente. Foi um dia muito especial de coração. Mas muito cansativo pra dona barriga aqui. E claro que não me aguentei e depois de passar o dia correndo pra lá e pra cá, ainda fui abrir todos os presentes e organizar tudo. Resultado: fiquei o dia seguinte (domingo) inteiro de cama. Então, façam seus chás de bebê entre o 5º e  7º mês, é bem mais tranquilo, acreditem. :)








Lembrancinhas e quadro da maternidade

Ah, claro, tem isso. Quando você acha que já resolveu praticamente tudo, lembra que tem esses detalhes ra pensar também. No meu caso, fui nas fontes que já tinha: a Carla, da Doce Ideia, e na Elo 7. A Carla fez as lembrancinhas (que não vou falar o que são porque ainda não entreguei para as visitas, né?). Ficaram DEMAIS! Tudo lindo e personalizado e seguindo a criação que usamos no chá de bebê. 

O quadrinho eu também queria de joaninhas, porque vai servir para a maternidade e para o quarto dela depois. Achei no próprio Elo7 uma loja super fofa, chamada "Brincando de Massinha", que faz coisas em biscuit. E achei um quadrinho branco e vermelho LINDO de morrer, que ficou fofíssimo no Chá de Bebê e no quarto da Luísa. O que achei bacana dessa loja é que as vendedoras são SUPER atenciosas e fazem um trabalho muito bonito e rápido. E, pelo que andei comparando com outras mamães, barato também. Recomendo muito pra quem quer comprar pela internet e tem receio. Chegou em menos e 20 dias e lindo, igual eu queria. Inclusive, elas oferecem a opção de personalização dos modelos, o que é legal se você quiser dar um toque pessoal.



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Amanhã, no terceiro e último post da série, vou falar sobre mala da maternidade, babá eletrônicas, brinquedos e afins.



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Bebê chegando: como me organizar? Parte I

Confesso que quando a ficha começou a cair, após o positivo da farmácia, o beta e o ultrassom, eu fiquei em pânico. Como organizar a chegada de um bebê, meu Deus? Eu sou tão desligada pra essas coisas. Aliás, mal consigo cuidar de mim mesma. Inclusive, sei que esse mundo "mãe" é cheio de dondoquices e fofurices e, acreditem, eu to longe de ser alguém assim. Como entrar nesse planeta cor-de-rosa à parte? Como, no final da trajetória, muita gente veio me perguntar diversas coisas e pedir dicas, me senti à vontade pra dar "dica de amiga" por um dia e falar um pouco de como preparei a chegada da Luísa.

Escolha da obstetra:
Olha, foi assim. Fizemos o teste de farmácia e deu positivo. No dia seguinte, fui ao laboratório e fiz o exame de sangue. O beta deu positivo. Entrei na internet e digitei "obstetra sp" e cai no site do Help Saúde. Lá, olhei um médico que tivesse horário pra atendimento o mais rápido possível e que ficasse num lugar acessível. Loucura total, né? Sem referência nenhuma, eu e o Sérgio fomos lá na Dra. Karina.

Aliás, anotem esse nome pra quando forem ter seus bebês: Karina Érika Ferrari Moreira. Eu dei MUITA SORTE porque ela é uma obstetra excelente em todos os aspectos. Atenciosa, cuidadosa (alguns diriam que até exagerada, mas eu prefiro assim) e muito boa médica. Sem contar que como ela também é especialista em ultrassonografia, você faz a ultrassom nas consultas mesmo. Ela te pede todos os exames possíveis, super se cerca de cuidado. E RESPONDE E-MAIL. Cansei de mandar e-mail pra ela perguntado coisas (mãe de primeira viagem é tudo louca e neurótica) e ela sempre responde. E, no final, o que foi matador pra ganhar minha confiança: quantos obstetras você conhece que dá o telefone da casa e o celular do marido para casos de emergência? É. E, embora eu vá fazer cesária, ela não é "médica cesarista". Inclusive, a cesarista da história fui eu, que enchi o saco dela pra marcar a data o quanto antes, enquanto ela queria esperar.

Resumo: escolhi a obstetra no escuro e me dei bem. Agora, você não precisa ir pro Help Saúde, pode ir direto na dra. Karina sem medo. :)

Escolha do nome do bebê:
Eu e o Sérgio já tínhamos discutido o tópico quando a gente nem imaginava que teria filho tão cedo. Seria Luísa se fosse menina. Menino, tínhamos dúvida, mas batemos o martelo em Miguel. Veio a Luísa - com s e acento porque Luiza com Z e gramaticalmente incorreto, embora bastante usual. Mas, sacumé, filha de jornalista, tinha que ser com a grafia correta. :D

Escolha do Hospital:
Consultei minha médica onde ela fazia parto. Dentre as opções, estavam quase todos os mesmo preço. Escolhi a Pro Matre pela facilidade de acesso, por ser apenas maternidade (prefiro, confesso) e por não ser tão cheio quanto o Santa Joana.

Enxoval:
Olha, eu não terminei de fazer ele até hoje. AHAHHAHAHA. Inclusive, até o chá de bebê, eu só tinha basicamente as roupinhas do primeiro mês. Depois do chá, olhei o faltava e complementei com o necessário. Fiquei com muito medo de exagerar e comprar coisas e não acabar usando. Mesmo assim, ainda acho que vai ter roupinha RN (ganhei muita coisa RN) que vão perder com um, dois usos, no máximo. Luísa vai nascer grande, dai minha preocupação. Mas se não der pra usar tudo, paciência. Sempre podemos doar ou trocar entre mamães. O importante é não desperdiçar. :)

Exagerar, mesmo, talvez eu tenha exagerado nos vestidos. Comprei vários sem dó (desculpa, sou louca por vestidos e não seria diferente com a minha filha). Mas digo que Luísa tem um enxoval ok, que ainda precisará ser complementado mais pra frente, principalmente quando chegar o inverno, porque roupas de frio ela tem poucas. O que não é problema pra mim, acho que uma coisa de cada vez.

Dentro do que comprei, basicamente comprei praticamente TUDO em dois lugares: Alô Bebê e AliExpress. Alô Bebê para o que não é roupinha e Ali Express foi o responsável pelo meu exagero com os vestidos, ahahahaha. Inclusive, não tenha medo de comprar no china. Chega rápido, é MUITO barato e eles entregam tudo certinho. Tem coisas com preços realmente incríveis, principalmente roupinhas mais arrumadas para as crianças. Comprem sem medo: eu também tinha e não me arrependo de NADA que comprei lá. E achei bem melhor do que via Ebay, que demora uma eternidade.

Para os mijões, body e macacão para o dia-a-dia, ganhei muita coisa e complementei na Alô Bebê. Não é exatamente o lugar mais baratinho do mundo, mas não é caro também. Eu digo que tem bom custo benefício porque, além de tudo, é uma loja que você vai e resolve tudo. E como ficar batendo perna é tenso quando você tem um bebê na sua barriga se mexendo e pesando, você procura praticidade. Portanto, elegi a Alô Bebê pra "comprar o que falta", já que dá pra achar tudo lá. Lado negativo? Pra enxoval de berço, não tem muita opção. E se você gosta de coisas bem diferentes e exóticas, esquece - mas ai, você pode esquecer 90% de todas as lojas e bebê, porque tudo é rosinha e azul (no máximo, acha um bege, lilás e amarelinho).

Para montar o enxoval, peguei a lista básica da Alô Bebê + lista que encontrei no E-family (melhor fórum/portal sobre gravidez e filhos que você pode encontrar na sua vida) e fui incluindo/tirando coisas com base na experiência de outras mães. Usei muito o fórum do E-family para entender o que realmente é necessário, no que investir, etc. Um exemplo é que nunca me importei com fraldas de pano porque, afinal, estamos em 2014, pra que fralda de pano? Pois é. Descobri que quase todas as mães acabam comprando poucas e se arrependendo lá. Dai, fui fazendo a adequação conforme a experiência de outras mães.

Alguns itens do enxoval da mamãe como cinta, sutiã de amamentação, calcinha pós parto, comprei tudo na Marisa Online. E as vestimentas da maternidade, me permiti gastar um pouquinho mais e comprei na Jojê e Amy Amy porque, né, não custa tentar ficar apresentável pra receber as visitas!

De complementos, ganhamos coisas fofíssimas como o tapetinho da Fischer-Price e o móbile, o carrinho, bebê conforto e o berço móvel/cercadinho da Burigotto. Obrigada a todos familiares e amigos envolvidos por esses presentes super legais, uteis, necessários e incríveis. <3 p="">
Compramos, ainda uma babá eletrônica Siga-me que ainda não chegou, mas pela qual estou ansiosa, já que é o item mais minha cara de tudo (ou vocês acham que eu não vou querer ficar olhando minha filha o tempo inteiro? Sem contar que é o único item "tecnológico" da coisa e eu amo tecnologia, rs). E ainda vou parar e investir alguns reais no que todas as mães dizem que é um dos melhores investimentos, que é a cadeirinha que vibra e toca música da Fischer-Price (por sinal, eu estou vivendo um caso de amor com essa marca, quero tudo, só falta o dinheiro, ahahahahah).

E amanhã tem a parte II da organização da vinda da Luísa. :)










quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Contagem regressiva e uma restropectiva

Enquanto ela me chuta, escrevo. São os últimos momentos. Em breve, não escreverei por um bom tempo, porque sei que vai ficar impossível ter inspiração para o blog entre uma mamada e outra, entre uma noite mal dormida e um choro. Luísa, se Deus quiser, chega ao mundo em duas semanas. Será a hora de não apenas sentir sua cabeça, seus pezinhos e suas mãozinhas bagunçando pra lá e pra cá. Vou ver, tocar, cheirar, sentir, ouvir a pequena, aqui, nos meus braços.

São muitos medos, angústias, dúvidas e ansiedades. E uma alegria imensa em saber que depois de meses dentro da minha barriga, ela estará pronta pra vida nessa maluquice que chamamos de mundo. A barriga é o lugar mais quentinho e protegido em que ela poderia estar, eu sei. Dai talvez seja super difícil para algumas mães "cortarem o cordão umbilical". Algumas, nunca cortam, dizem. :)

Mas começo a compreender porque as mães sofrem tanto. Numa semana cheia de episódios lamentáveis e tristes sob todos os aspectos no Brasil, como não sofrer ao pensar que seu filho pode ser o menino que praticava furtos e foi amarrado ao poste? Ou que seu filho possa um dia, ser o pai de família que vai morrer enquanto trabalha, como o cinegrafista da Band? Ou que ele pode ser a próxima vítima de um assalto/roubo/assassinato?

É impossível não pensar em todas as mazelas do país em que vivemos e não pensar: será que vale a pena por mais uma criança no mundo? Como vou poder protegê-la? A verdade é que ninguém tem essas respostas. A gente só pode torcer para que tudo dê certo. Assim como a gente torce ao longo da gravidez para que tudo ocorra bem. O resto, é com ele lá em cima.

Gestação é um processo que testa a ansiedade e medos da mãe e do pai. Torcemos para que o desenvolvimento do feto seja saudável. Para que as morfológicas mostrem seu filhos crescendo sem problemas. Para que ele engorde e cresça de maneira adequada. Para que a placenta consiga fornecer alimentos e oxigênio suficientes para que ele cresça. Pra que ele venha ao mundo na hora certa, saudável, sem precisar passar por nenhum sufoco.

Uma das coisas mais incríveis que aconteceu nessa gravidez é que voltei a rezar. Não sou exatamente uma pessoa religiosa. Já fui muito quando era pequena. Mas o temor de que algo pudesse acontecer com a Luísa era tao grande que me rezei muito. Acho que nunca tinha conversado tanto com Deus. Um Deus sem religião definida, mas capaz de compreender as angústias e medos de uma mãe, foi o que encontrei. Foi muito bom encontrar a paz e a luz que eu precisava em alguns momentos de desespero que vivi.

Durante a gravidez, acabei descobrindo vários detalhes interessantes sobre mim mesma. Me redescobri grávida. Descobri que sou menos forte do que achava que era. Que sou capaz de me apaixonar um milhão de vezes pelo Sérgio se necessário. Que dou conta de muitas coisas, mas não de tudo. E que tem horas que precisamos ter limites. E que nosso corpo também tem limites. Descobri que provavelmente serei uma mãe mais desesperada do que jamais imaginei. E também descobri que sou capaz de lidar com imprevistos da vida, como uma gravidez não planejada.

Pensando em tudo o que aconteceu ao longo do ano tive sorte. Sorte em sair de um emprego que sugava meu tempo, paciência, felicidade em trabalhar. Fazendo as coisas do jeito que penso ser corretas, acabei tendo uma gestação mais tranquila, feliz e isso, não tenho a menor dúvida, fez bem demais pra Luísa.

Também tive sorte de encontrar um anjo chamado Karina Érika Ferrari Moreira, minha obstetra incrível (que achei no Help Saúde, ahahahahha). Educada, atenciosa, preocupada, engraçada. É bom saber que quem está cuidando de você e do seu bebê, está REALMENTE preocupado com as duas vidas, e não apenas "fazendo procedimentos". Altamente recomendo minha GO pra quem está pensando em ter um bebê e quer uma médica realmente boa.

Tenho muita sorte de ter amigos incríveis e uma família maravilhosa, que me ajuda, apoia, dá risada, ouve meus desabafos e mima muito a Luísa/eu. É tão incrível sentir tanto amor, carinho e afeição, mesmo que à distância, mesmo que pelo Facebook ou outra rede social, mesmo que por telefone. Dizem que a gente descobre quem ama a gente de verdade nos momentos difíceis. E eu concordo, porque uma gravidez não é nada fácil, e nunca me senti tão amada, amparada e querida.

Tive e tenho MUITA sorte de ter o melhor amigo/marido/pai do mundo comigo. O Sérgio foi a única pessoa que conheci e amei na vida que me fez ter vontade de casar e ter filhos na primeira vez que nos beijamos. É incrível como eu olho pra trás e percebo que ele procurou e me encontrou porque era pra ser assim, independente do que cada um, individualmente planejou para si. Não existe nenhuma outra pessoa no mundo mais perfeita para dormir e acordar junto do que ele. É incrível o amor, ternura, segurança, paixão, alegria e tantos sentimentos incríveis que ele desperta em mim. Eu olho para aqueles olhos que me olharam com uma profundidade nunca vista na primeira vez que nos vimos e enxergo o mesmo que enxerguei naquela ocasião. A certeza de que tanto brilho num olhar não era por acaso. Era porque era  pra ser ele. Para ser com ele. E cá, estamos, juntos, felizes, melhor do que jamais estivemos, mais unidos que nunca, contando os dias para a chegada da Luísa.

Tive uma gestão complexa do ponto de vista físico. Enjoei o tempo inteiro, tive que fazer repouso à partir da 28ª semana pra evitar parto pré-maturo, descobri uma doença que só existe em livro médico. E tive MUITA sorte que, mesmo com tudo isso, nossa pequena está melhor do que nunca. E, se tiver que ser e Deus permitir, é assim que ela nascerá, daqui há alguns dias: saudável, linda e enchendo nossa vida de felicidades.

Diante disso, só me resta agradecer. Obrigada.

#vemluísa
#sómaisduassemanas
#amorquenãocabenopeito
#obrigadaDeus






segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

37 SEMANAS

Quando a semana 37 chega, toda mamãe respira aliviada. Esse é o marco que separa os bebês entre pré-maturos ou não. Se a gestação chega nesse ponto, sabemos que as chances de ter complicações no parto devido à prematuridade se reduzem consideravelmente. Pra quem teve a gravidez classificada como de "alto risco" desde à 28ª semana e teve que tomar remédio pra evitar parto pré maturo, isso significa tirar pelo menos uns 100 quilos dos ombros - no caso, dos meus.

Olho a barriga mexer pra lá e pra cá, sem que eu tenha qualquer controle, e só consigo sorrir. Sei que essa história de ser mãe ainda nem começou na minha vida, mas me sinto feliz e satisfeita de tudo ter dado certo até agora. Já sei que nunca mais minha vida será a mesma, mas rezo e torço pra que tudo sempre acabe bem. Sei que terei noites de insônia, terei dores de cabeça, mil preocupações para o resto da vida. Que vou amar muito a Luísa, que um dia ela vai sair de casa, que podemos brigar muito, que serei a mãe "chata" na adolescência e depois, a velhinha ranzinza quando ela estiver adulta. E que tudo isso faz parte do ciclo da vida. Rezo pra morrer velhinha e que, quando isso acontecer, que a Luísa esteja bem, adulta, saudável, com juízo, caráter e tendo alguém pra ela amar.

Sei que apesar da minha ansiedade - mais duas semaninhas! - fazer com que esse tempinho final pareça uma eternidade, tudo vai passar muito rápido. Hoje ela se estica dentro de mim, fazendo da minha bexiga um pula-pula. Vou piscar o olho e a mocinha estará se formando na faculdade. Portanto, quero MUITO conseguir curtir ao máximo tudo, cada momento, cada instante da vida da Luísa. E tentar ter o equilíbrio pra educar sem mimar ao extremo ou ser "ausente". Peço sempre que eu saiba equilibrar os "nãos" e os "sims" para que a Luísa se torne uma pessoa que entenda a importância de ter limites, de respeitar o próximo. Porque acho que as lições mais importantes da vida de toda pessoa é saber respeitar o outro e entender que nada cai do céu - é preciso trabalhar duro e enfrentar muitas dificuldades nessa vida para crescer e ser alguém melhor.

Mas, por enquanto, minha realidade é esperar. Mais duas semanas. Ou talvez menos - tudo depende dela me esperar até a data da cesária ou de querer nascer antes. Tudo está pronto: o quarto tá arrumadinho. Todas as roupinhas estão lavadas, passadas e arrumadas. Do enxoval, só falta comprar uma lixeira e a garrafa de café, coisa que resolverei amanhã. Todos os lençóis, edredons, mantas e afins também já está lavado e limpo. Na mala da maternidade, só falta jogar meu kit de higiene pessoal e roupa, porque todo o resto já tá lá: as seis trocas de roupa, lembrancinhas, quadro da porta da maternidade e o enxoval da mamãe. Consegui até contratar uma pessoa pra me ajudar nos afazeres domésticos agora que o trabalho vai aumentar. Sim, está tudo pronto à espera da pequena Luísa. 

Cabeça vazia, mil medo surgem. Vou dar conta? Como ela vai ser? Vai nascer saudável? Vai ter muitas cólicas? Ou será um bebê tranquilo? Vou conseguir amamentar? Vou saber cuidar? Vou saber pegar nela? Será que vou me desesperar? Será que vou saber ser mãe? O tal instinto maternal vai surgir? E meu sono, vai ficar leve? Vou saber dar banho? Trocar fralda? Vou dar conta de cuidar de um serzinho que precisa de mim para sobreviver? 

Trinta e sete semanas.
Falta pouco e falta muito pra minha vida começar de novo. 
A expressão "esperar um bebê" nunca fez tanto sentido sentido.

#vemluísa

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Quem Raquel Sherazade representa?

Minha opinião sobre as colunas da Raquel Sherazade: vi poucas, e as poucas que vi, são rasas, fracas e cheias de clichês e lugares comuns.Em resumo, são extremamente superficiais.  Não digo que ela é burra, porque considero que existe a possibilidade de que suas opiniões são superficiais pelo fato de falar na TV - e TV demanda linguagem simples e pobre, fácil de ser compreendida por qualquer um. Eu também não a conheço, por isso, vou dar a ela o benefício da dúvida.

As poucas colunas da Raquel que li foram após reclamações na minha timeline do Facebook. Queria saber quem era a tal jornalista cujo pescoço estava sendo pedido pela esquerda burguesa paulista. Em resumo, encontrei uma animadora de debates de faculdade que se mostra extremamente conservadora nos costumes. É a cara do que no Brasil se passou a chamar de "reaça". Do que já li, ela é "reaça, energúmena, racista, nazista, facista, xenófoba, homofóbica". Logo, deveria ser proibida de falar. E ser demitida sumariamente do posto de apresentadora/colunista do Jornal do SBT.

O mundo no qual vivo hoje é um mundo permeado por pessoas que fizeram faculdade, possuem trabalho e vivem do lado de cá da marginal - ou seja, no centro limpo e sem barracos de São Paulo. Mesmo sem cruzar a ponte, o que mais vejo são pessoas dando opiniões e dizendo que representam pobres, negros da periferia, mulheres, gays e qualquer minoria que você possa imaginar. Quase todos são de classe média, vivem razoavelmente bem e tiveram acesso à educação e cultura. Acho normal e entendo perfeitamente todas as argumentações e indignações dos meus amigos. Raquel Sherazade é boçal e não representa realmente a juventude de classe média que possui educação e é politicamente correta.

Mas Raquel Sherazade representa uma grande quantidade da população brasileira. Essa população que ela representa não é a elite que compra no Shopping Cidade Jardim e JK Iguatemi, que viaja pra Miami, Paris e NY e que paga mil reais num jantar. RAQUEL SHERAZADE REPRESENTA AS CLASSES C, D e E. Representa quem mora do outro lado da marginal, nas periferias da cidade. Ela representa a população do interior do país. As senhoras que frequentam cultos evangélicos e dão dízimo em igrejas neo pentecostais achando que assim terão sua vaga no céu. Ela representa o povo de recebe bolsa família, ou que vive de salário mínimo. Raquel Sherazade faz sucesso com aquele "bando de nordestinos que elegem o PT por causa do bolsa família" - só pra usar um termo do "reaça" padrão.

Quem acha que bandido bom é bandido morto, no geral, são as pessoas com menor acesso à educação. A noção de "direitos humanos" é resultado do aumento do nível educacional. Quanto mais educado um povo/nação/estado, maior é o respeito aos direitos humanos e às minorias. Esse, obviamente, não é o caso do Brasil. Ainda estamos há anos-luz de ser um país civilizado. Temos um volume de adultos analfabetos gigantesco. Temos hordas de jovens saindo da faculdade sem dominar o português. Gente que estudou em escola ruins, com professores despreparados, fez uma faculdade péssima e mal sabe interpretar texto - e que lê a coluna do Antonio Prata e não entende a ironia óbvia do texto, só pra citar um caso recente.

A maior parte das pessoas neste país não lê livros, jornais ou revistas. Quem tem na TV sua principal fonte de informação são as pessoas das classes mais baixas. E são elas que aplaudem o fasciscmo,xenofobismo, racismo, homofobia e afins da colunista/apresentadora do SBT. Silvio Santos é tudo, menos burro. Ela não está no cargo que ocupa se esse gênio da televisão brasileira não soubesse muito bem que seu público - que é composto de tudo, menos da elite branca - se vê representando nas colunas indignadas da jornalista, mulher e nordestina Raquel Sherazade (acho importante lembrar disso, porque ela faz parte de pelo menos, duas minorias pelas quais aqueles que a abominam adoram dizer que defendem).

Enquanto a classe média consegue mil (dez, vinte, cinquenta) compartilhamentos indignados contra a Raquel Sherazade, o grosso da população aplaude o que ela fala na TV. E, não, embora não seja de esquerda, nem de longe concordo com o que já vi a tal jornalista falando. Mas é burrice achar que ela estaria opinando sobre matar bandidos, manter "Deus é fiel" nas células, contra o aborto e afins, se ela não tivesse uma audiência gigantesca que a aplaude e pensa exatamente como ela.

A maior parte das pessoas que lerem esse texto vão achar um absurdo. Outra pequena parte, vai discordar por achar que ela é "incrível". Mas quem sustenta o espaço que a Raquel tem no SBT não sou eu, você ou qualquer campanha de "fora sherazeda" no Facebook. O cidadão de bem tão odiado por quem odeia a Sherazade não é o homem, héreto, branco, de classe média alta que viaja para fora do pais todo ano. Quem mantém a Raquel ali, falando o que pensa, é quem é pobre. O cidadão de bem racista é quem mora na periferia, na zona rural, nas cidadezinhas pequenas e pobres dos rincões desse país.

Goste ou não, o fato é esse.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Verão, amigo, vem cá bater um papo...

Oi, verão, tudo bem com você?

Pelo visto, sim. Você está radiante, quente, brilhante, hot, né?

Que ótimo pra ti. Porque pra mim não está legal.

Eu sei que nossa relação nunca foi muito legal. Sempre achei o inverno mais atraente que você. Não tenho culpa se acho sobretudo mais sexy do que um vestido colado no corpo.

Sei também que você não tem culpa de eu ter nascido num país tropical, onde passo a maquiagem e dali dois minutos, você derrete ela.

Mas nossa relação já foi muito melhor, né?

Por exemplo, eu convivo muito bem contigo quando estou na praia. Ou dentro de uma piscina. Ou quando chove e minha cabeça não vira uma torradeira ambulante.

Também acho nossa relação perfeitamente saudável quando um ventilador e um banho gelado resolvem essa sudorese chata que você provoca em mim e no resto a humanidade.

Sim, é chato. É desagradável se sentir com uma cachoeira com odor desagradável, entende? Sendo eu, ou sendo outras pessoas, essa sensação que você provoca em nós não é legal. Mas dentro de certos limites, ok.

O problema, verão, é que você tá meio que passando dos limites, né? E aquela chuvinha marota que você mandava todos os anos? Não precisa alagar a cidade, mas ela podia dar as caras, né? Ia fazer tão bem, viu?

E também sinto saudades quando você, apesar de todo esse calor, me deixava dormir. Poxa, custa colaborar?

Amigo verão, eu to grávida! De nove meses! Você sabe o que é isso? Não,  né? Então, vou te falar: é cansativo. Porque estou enorme. E você está colaborando pra me deixar mais inchada, cansada, sem conseguir pensar.

Tem uma pessoa se remexendo dentro de mim. Isso me faz ficar mais cansada e transpirar mais. E logo agora, você inventa de vir com toda a força do universo? Tu tá de sacanagem comigo, né?

Querido, eu preciso trabalhar! Dá pra ajudar ai? Pega leve! To quase te achando elitista. Porque de tanto calor, só os ricos escapam. O que você tem contra pobres sem ar condicionado e dinheiro pra ir pra praia e mulheres grávidas? Pode falar? Porque você só pode ter preconceito contra a gente!

Verão, é o seguinte: nunca te amei, mas sempre te aturei. Mas se você continuar desse jeito, vou ter que cortar relações contigo, tá ligado?

Então, pega leve ai e dá um refresco.

Grata,

Núbia Tavares

ps. essa foto ai embaixo sou eu e meu humor em relação à você, só que ao contrário.




sábado, 1 de fevereiro de 2014

E os gatos?

Desde que comecei a contar para as pessoas que eu estava grávida, escuto apergunta:

- Mas, e os gatos?

Confesso que essa pergunta não fez o menor sentido na primeira vez que ouvi. Nem na segunda, nem na terceira. E jamais fará. Não sei em que momento do mundo isso aconteceu, mas aparentemente, é consenso de que se você está grávida, não pode ter um gato. O que basicamente mostra que vivemos no século XIX ainda, dado o tamanho preconceito em torno do bichano e de como ele pode ser prejudicial a uma grávida.

Gatos não atrapalham a gravidez. Ah, sim a toxoplasmose. Claro! Obviamente, as pessoas ignoram que apenas 1% dos gatos são infectados pelo vírus. Que pra pegá-lo, é preciso ingerir fezes. Você conhece alguém que come cocô de gato? Eu não. E, considerando que meus gatos nasceram e cresceram dentro de um apartamento (só descobriram que passarinhos existem há um ano, quando nos mudamos pra casa), cai ainda mais a possibilidade deles terem tido contato com o vírus que causa toxoplasmose na vida.

Quando falei pra minha médica que eu tinha gatos desde criança, ela tinha certeza que eu já teria imunidade contra a toxoplasmose. Pra surpresa dela, eu não tinha. Repeti o exame mais duas vezes ao longo da gestação e todos deram negativo.Ela ficava implorando pra eu não deixar os gatos não subirem em cima das coisas (como se fosse possível  ahahahahah). Até chegou a me perguntar se eu não tinha onde deixar os gatos temporariamente.

Nesse meio tempo, fui levar o Riquinho na nova veterinárias dele, aqui perto de casa, por conta de uma dermatite fúngica que ele pegou em setembro. A veterinária estava grávida de nove meses. Como mãe de primeira viagem, comecei a fazer várias perguntas de curiosa. E resolvi perguntar sobre a bendida da toxoplasmose. A Dra. Ana Paula me contou que era a segunda gestação dela. O pai dela também é veterinário e ela convive com gatos desde criança. Além de ser veterinária há treze anos. E, advinha? Ela também não tem imunidade contra toxoplasmose. Porque convivendo com bichanos diariamente, nunca pegou a doença.

Contei pra minha médica e foi o que eu precisava pra ela parar de me perguntar sobre os gatos. Ficou até surpresa em saber que alguém que convivia tanto com gatos não tinha tido até hoje a bendita da toxoplasmose. Na prática, a única coisa que parei de fazer em relação aos gatos na gravidez foi deixar de limpar a caixa de areia. Só isso.

Depois disso, passei a fazer questão de explicar pra todo mundo sobre "os gatos" quando me perguntam. Até porque, o que as pessoas esperavam que eu fizesse? Jogasse os gatos na rua? Crio os dois desde bebê. São meus filhotes de quatro patas. A única coisa que acontece quando você tem gatos e fica grávida é continuar a ter os gatos, oras.

Passada a fase da toxoplasmose, agora me perguntam: E os gatos? O que você vai fazer quando a Luísa nascer?

Novamente, não vou jogar os gatos na rua. Introduzir uma criança na vida de gatos não é simples, mas também não é nada de outro mundo. É uma questão de adaptação que, dadas as devidas proporções, é semelhante a adaptação do irmão mais velho ao novo irmãozinho.

Ludwig morreu de ciúme quando adotei o Riquinho. Aliás, as brigas entre os dois só cessaram quando castrei ambos. Quando os gêmeos lindos vieram passar férias aqui em casa com o papai Sérgio e a tia Núbia, Ludwig ficou três dias num ciúme sem tamanho. Fazia fuzzzz pros dois e chegou a dar uma patada no Lipe. Ao final de 15 dias, ele ficava se esfregando na Lygia. Acostumou-se. Percebeu que as crianças não representavam perigo e que continuávamos a dar atenção pra ele. O Riquinho virou um boneco das crianças, que pegavam ele no colo e corriam com ele pra lá e pra cá. A Lyginha, que é alérgica à pelo, só ficou com o olho irritado no primeiro dia. Depois, não teve nem sinal de rinite por conta dos gatos. Tudo, uma questão de adaptação e paciência. Por que seria diferente com a Luísa?

Os gatos vão se adaptar a ela, oras. Por medida de segurança, colocamos gradinha no quarto dela, da mesma maneira que já temos no nosso (eles não dorme com a gente e não vão dormir com ela). Mas, durante o dia, com a minha supervisão ou do Sérgio, os gatos vão conviver com a Luísa. E vice-versa.

Faz bem para crianças conviverem com bichos. Ajuda a fortalecer a imunidade, diminui o risco de alergias e ensina, desde pequena, as crianças a terem responsabilidade. Ou seja: quando a Luísa nascer, os gatos vão continuar como parte dessa família, como são desde a época em que a família era apenas eu e o Ludwig.

ps. pra quem quiser entender melhor essa relação de gatos, toxoplasmose e gravidez, também indico o post da Paula, do Paulatinamente sobre o tema. Vale a leitura!