quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Contagem regressiva e uma restropectiva

Enquanto ela me chuta, escrevo. São os últimos momentos. Em breve, não escreverei por um bom tempo, porque sei que vai ficar impossível ter inspiração para o blog entre uma mamada e outra, entre uma noite mal dormida e um choro. Luísa, se Deus quiser, chega ao mundo em duas semanas. Será a hora de não apenas sentir sua cabeça, seus pezinhos e suas mãozinhas bagunçando pra lá e pra cá. Vou ver, tocar, cheirar, sentir, ouvir a pequena, aqui, nos meus braços.

São muitos medos, angústias, dúvidas e ansiedades. E uma alegria imensa em saber que depois de meses dentro da minha barriga, ela estará pronta pra vida nessa maluquice que chamamos de mundo. A barriga é o lugar mais quentinho e protegido em que ela poderia estar, eu sei. Dai talvez seja super difícil para algumas mães "cortarem o cordão umbilical". Algumas, nunca cortam, dizem. :)

Mas começo a compreender porque as mães sofrem tanto. Numa semana cheia de episódios lamentáveis e tristes sob todos os aspectos no Brasil, como não sofrer ao pensar que seu filho pode ser o menino que praticava furtos e foi amarrado ao poste? Ou que seu filho possa um dia, ser o pai de família que vai morrer enquanto trabalha, como o cinegrafista da Band? Ou que ele pode ser a próxima vítima de um assalto/roubo/assassinato?

É impossível não pensar em todas as mazelas do país em que vivemos e não pensar: será que vale a pena por mais uma criança no mundo? Como vou poder protegê-la? A verdade é que ninguém tem essas respostas. A gente só pode torcer para que tudo dê certo. Assim como a gente torce ao longo da gravidez para que tudo ocorra bem. O resto, é com ele lá em cima.

Gestação é um processo que testa a ansiedade e medos da mãe e do pai. Torcemos para que o desenvolvimento do feto seja saudável. Para que as morfológicas mostrem seu filhos crescendo sem problemas. Para que ele engorde e cresça de maneira adequada. Para que a placenta consiga fornecer alimentos e oxigênio suficientes para que ele cresça. Pra que ele venha ao mundo na hora certa, saudável, sem precisar passar por nenhum sufoco.

Uma das coisas mais incríveis que aconteceu nessa gravidez é que voltei a rezar. Não sou exatamente uma pessoa religiosa. Já fui muito quando era pequena. Mas o temor de que algo pudesse acontecer com a Luísa era tao grande que me rezei muito. Acho que nunca tinha conversado tanto com Deus. Um Deus sem religião definida, mas capaz de compreender as angústias e medos de uma mãe, foi o que encontrei. Foi muito bom encontrar a paz e a luz que eu precisava em alguns momentos de desespero que vivi.

Durante a gravidez, acabei descobrindo vários detalhes interessantes sobre mim mesma. Me redescobri grávida. Descobri que sou menos forte do que achava que era. Que sou capaz de me apaixonar um milhão de vezes pelo Sérgio se necessário. Que dou conta de muitas coisas, mas não de tudo. E que tem horas que precisamos ter limites. E que nosso corpo também tem limites. Descobri que provavelmente serei uma mãe mais desesperada do que jamais imaginei. E também descobri que sou capaz de lidar com imprevistos da vida, como uma gravidez não planejada.

Pensando em tudo o que aconteceu ao longo do ano tive sorte. Sorte em sair de um emprego que sugava meu tempo, paciência, felicidade em trabalhar. Fazendo as coisas do jeito que penso ser corretas, acabei tendo uma gestação mais tranquila, feliz e isso, não tenho a menor dúvida, fez bem demais pra Luísa.

Também tive sorte de encontrar um anjo chamado Karina Érika Ferrari Moreira, minha obstetra incrível (que achei no Help Saúde, ahahahahha). Educada, atenciosa, preocupada, engraçada. É bom saber que quem está cuidando de você e do seu bebê, está REALMENTE preocupado com as duas vidas, e não apenas "fazendo procedimentos". Altamente recomendo minha GO pra quem está pensando em ter um bebê e quer uma médica realmente boa.

Tenho muita sorte de ter amigos incríveis e uma família maravilhosa, que me ajuda, apoia, dá risada, ouve meus desabafos e mima muito a Luísa/eu. É tão incrível sentir tanto amor, carinho e afeição, mesmo que à distância, mesmo que pelo Facebook ou outra rede social, mesmo que por telefone. Dizem que a gente descobre quem ama a gente de verdade nos momentos difíceis. E eu concordo, porque uma gravidez não é nada fácil, e nunca me senti tão amada, amparada e querida.

Tive e tenho MUITA sorte de ter o melhor amigo/marido/pai do mundo comigo. O Sérgio foi a única pessoa que conheci e amei na vida que me fez ter vontade de casar e ter filhos na primeira vez que nos beijamos. É incrível como eu olho pra trás e percebo que ele procurou e me encontrou porque era pra ser assim, independente do que cada um, individualmente planejou para si. Não existe nenhuma outra pessoa no mundo mais perfeita para dormir e acordar junto do que ele. É incrível o amor, ternura, segurança, paixão, alegria e tantos sentimentos incríveis que ele desperta em mim. Eu olho para aqueles olhos que me olharam com uma profundidade nunca vista na primeira vez que nos vimos e enxergo o mesmo que enxerguei naquela ocasião. A certeza de que tanto brilho num olhar não era por acaso. Era porque era  pra ser ele. Para ser com ele. E cá, estamos, juntos, felizes, melhor do que jamais estivemos, mais unidos que nunca, contando os dias para a chegada da Luísa.

Tive uma gestão complexa do ponto de vista físico. Enjoei o tempo inteiro, tive que fazer repouso à partir da 28ª semana pra evitar parto pré-maturo, descobri uma doença que só existe em livro médico. E tive MUITA sorte que, mesmo com tudo isso, nossa pequena está melhor do que nunca. E, se tiver que ser e Deus permitir, é assim que ela nascerá, daqui há alguns dias: saudável, linda e enchendo nossa vida de felicidades.

Diante disso, só me resta agradecer. Obrigada.

#vemluísa
#sómaisduassemanas
#amorquenãocabenopeito
#obrigadaDeus






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