quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Meu relato de parto: Luísa chegou

Uma das coisa que mais fiz ao longos dos últimos meses foi ler relatos de parto e ver vídeos de parto. Li e vi de tudo: parto normal, cesariana, parto em casa, parto na banheira, parto normal de bebê pélvico, partos, partos e mais partos. E toda essa leitura me fez muito bem e me deixou tão segura da minha decisão que não poderia não fazer o relato do meu parto. Já adianto que ele será um relato longo. Porque sou detalhista e porque a experiência do parto me fez refletir e enxergar algumas coisas que acho essencial transmitir para fechar o ciclo da gravidez.

 Luísa era um bebê que nasceria de cesariana, obviamente. Foi o que sempre disse pra minha mãe, muito antes de um dia achar que eu seria mãe, quando ela me contava quando eu vim ao mundo (nasci de cesária por falta de dilatação da minha mãe, que sofreu até o último minuto tentando o parto normal). Por isso, quando iniciei o pré-natal, fiz questão de eu deixar claro para a minha médica que eu queria uma cesariana (até então, não tinha noção de que a maior parte dos médicos prefere a cesariana e que parto normal só é procedimento padrão no SUS).

Ai eu entrei no maravilhoso mundo da gravidez e comecei a entender todas as polêmicas que envolvem o tipo de parto. Li, li, li e devorei todo o tipo de informação sobre parto humanizado e os benefícios do parto normal. Quanto mais eu lia, mais que tinha certeza que queria cesária. No meio da gravidez, Luísa ficou pélvica desde a semana 24 e não virou. No final das contas, minha filha entendeu que a mamãe queria ser operada e ficou sentadinha.

Sai da consulta com mina obstetra, dia 19, com a quarta de internação para o dia 26/02. Ela queria que eu esperasse o carnaval passar para marcar a data. Eu disse que de jeito nenhum ia correr o risco de entrar em trabalho de parto no meio do feriado. Fizemos as contas e fechamos o dia 26. Só que nessa mesma consulta, minha pressão estava um pouco alta (13x8). Como eu tive um histórico de pressão levemente elevada no sétimo e oitavo mês, minha médica me pediu pra monitorar diariamente a pressão. Se passasse de 13x8, adiantaríamos o parto pra evitar o risco de descolamento de placenta.

Ponto. Ai, começou o meu surto. Nenhuma mãe do mundo quer gestar seu filho por  nove meses e perdê-lo no final. O Google, que eu não recomendo pra grávida nenhuma, tem relatos claros do sofrimento que é um descolamento de placenta no final da gravidez. Minha pressão, que sempre se manteve em 12, 11, estacionou no 13 por 7 e não baixava. Fui fazendo o acompanhamento e nada. Na sexta, cheguei a verificar a pressão umas 40 vezes ao longo do dia, com diferentes medidores. Em casa, na farmácia, com o aparelho da minha mãe, eu comecei a surtar. Na madrugada da sexta para o sábado, acordei passando mal. Medi a pressão e estava 14x7 em um aparelho e 15x7 em outro. Decidimos ligar pra minha médica assim que o da amanhecesse. Ligamos e ela nos mandou ir para o pronto socorro da Pro Matre.

Como sabia que existia  a possibilidade de fazer a cesária, resolvi não comer e fiquei só no iogurte que tinha tomado por volta das sete da manhã. Pronto socorro lotado. Chegamos às 10h e fui para o pré atendimento meio dia. Minha pressão foi aferida e estava 11x7. Mais uma hora de espera. Minha médica me liga querendo saber porque ela ainda não tinha sido acionada. Conversamos e ela fez o diagnóstico correto: “Núbia, vamos fazer seu parto porque se eu te mandar pra casa, você vai ficar preocupada e a tua pressão vai subir”. Dali meia hora, me chamaram. A médica que nos atendeu falou com minha obstetra e me colocou pra fazer um cardiotoco. Informou que o hospital estava lotado, mas que ia tentar um quarto pra internação. Sumiu.

Dali a meia hora, aparece um outro médico. O plantão tinha mudado e ele que ia me atender. Ai começaram os problemas. O médico resolveu que estava tudo bem comigo e que eu deveria ir pra casa. Explicamos toda a situação e ouvi que “se tivéssemos que internar toda grávida que acha que pode ter um descolamento de placenta, o hospital nunca teria vaga. Sua pressão agora está boa. Se subiu antes, não posso fazer um diagnóstico com base em algo que não vi”. Bom, ai eu surtei. Comecei a chorar e falei: “Ta bom, minha pressão tá ótima, talvez porque eu esteja desde as sete da manhã sem comer. Ai, vou pra casa, ela sobe de novo, minha placenta descola e minha filha morre. O que você e a Pro Matre vão me falar? Que sentem muito?”.

Ligamos pra minha médica e meu marido falou com ela, porque eu já não tinha a menor condição de raciocinar. Só falava que estava odiando aquele hospital e que se já não tivesse pagado o parto, ia pra outra maternidade. As lágrimas despencavam e eu fiquei completamente desesperada com a possibilidade de perder nossa filha. Minha médica falou com meu marido, com o tal plantonista e impôs que eu ficasse sendo monitorada no pronto socorro até ter uma vaga no centro cirúrgico e quarto pra me internarem. Graças a Deus, a partir daquele momento, não precisei mais ver a cara daquele ser insensível e idiota que não acompanhou a minha gravidez e queria saber mais do que minha médica se eu deveria ser internada ou não.

Um pouco depois, minha médica ligou pra avisar que tinha conseguido marcar o centro cirúrgico para as 18h30. Nunca me senti tão aliviada e chorei de novo, só que de felicidade. À 16h nos levaram para o quarto. Em seguida, já trouxeram a camisola e me avisaram para estar pronta às 18h. Fiquei tão feliz que comecei a falar com o Sérgio pelos cotovelos, sei lá o que. Quando vieram me buscar par a centro cirúrgico, por incrível que pareça, foi o momento mais tranquilo de todos. Deitei na maca feliz e até cantei “Hotel California” do Eagles, que tocava no rádio da recepção do centro cirúrgico quando dei entrada.

À partir dai, foi tudo rápido, incrível e maravilhoso. Eu estava serena. Toda a equipe que trabalhou no parto e me recepcionou era extremamente educada e sensível (diferente do plantonista FDP que me atendeu). Quando minha médica chegou com a instrumentista e a anestesista da equipe dela, minha vontade era sair da maca e dar um abraço nela, de tão feliz que eu estava por ela ter resolvido toda a questão, apesar da má vontade do plantonista. A Vanessa, anestesista, explicou o que aconteceria então. Confesso que não senti absolutamente nada além de uma picadinha pequena. Em seguida, veio o calor nas pernas e um pouco de tremedeira. Minha pressão caiu e comecei a ter refluxo. Durou menos de cinco minutos, acho, até o remédio para a pressão subir fazer efeito de novo.

Dali a pouco, o Sérgio entrou na sala e começou a operação. Minha médica foi falando e, rápido, avisou que já tinha estourado a bolsa. Em seguida, me deram parabéns e eu fiquei com cara de “Cadê o choro da minha filha????”. Demorou alguns segundos e ouvi aquele choro lindo, fraquinho, quase um resmungo. Morri de tanto chorar e de tanta felicidade com esse som! O melhor barulho que já ouvi na minha vida! Em seguida, a equipe trouxe ela pra eu ver, ainda toda roxinha e suja e a primeira coisa que pensei foi: “Meu Deus! Como ela tem cabelo!” O Sérgio apertava minha mão e a gente chorou horrores olhando praquele serzinho minúsculo.

Dai, ali no centro cirúrgico mesmo, já limparam ela. O Sérgio foi acompanhar e eu fiquei lá na maca. A anestesista me perguntou se eu tinha família e disse que sim. Ela pegou o celular do Sérgio e ligou pra minha prima pra avisar que estávamos na sala 4 do Espaço Vida. Dali a pouco, abriram o vidro e o Sérgio foi mostrar a Luísa, já limpa, pra minha mãe, prima e para o marido dela. Depois, ela veio pra perto e ficamos os três, juntos. A anestesista pegou o celular dele, tirou fotos e foi super bacana com a gente. Ela ficou bastante tempo na sala e só levaram ela quando o Sérgio também precisou sair. Dai, terminaram de fechar a barriga e fui para o pós operatório. A anestesista, de novo, me acompanhou, explicou o que aconteceria e, por volta das 20h, eu estava no quarto.

A Luísa só veio ficar com a gente por volta da meia noite. AO chegar, já coloquei no colo, dei peito e a bonita já pegou direitinho. Nasceu com 2.960, apgar 9/10 e 47 cm com 37 semanas e 5 dias (menor do que aparecia nas ultrassons). Linda e, o que realmente importa: SUPER SAUDÁVEL. Toda nossa.

Minha recuperação está bem tranquila. Não tive enjoo, azias ou dores. Na primeira levantada para o banho, só senti uma ardência, mas nada de tonturas. Também sinto arder os pontos, principalmente no local do nó, mas nada que seja horrível.

Só posso agradecer do FUNDO do meu coração a minha MARAVILHOSA obstetra, dra. Karina Érika Ferrari Moreira, à equipe dela que foi incrível também (a anestesista Vanessa é um anjo) e, com exceção do plantonista mala, preciso dizer que a equipe da Pro Matre é realmente sensacional. Amei ter a Luísa lá e se tiver filhos de novo no futuro, pretendo ter novamente nessa maternidade, apesar do plantonista.

Depois de acompanhar tantas polêmicas ao longo da gravidez, digo que tive um parto “humanizado” porque minha filha nasceu do jeito que eu queria e, ao longo de toda a gestação, nossas vontades sempre foram respeitadas, incluindo nessa reta final. E, como disse, o que realmente importa, independente das escolhas da mãe, aconteceu: Luísa está bem, saudável, enchendo nossa vida de amor e felicidade imensuráveis. Eu poderia ter esperando entrar em trabalho de parto, poderia ter tido um parto normal de bebê pélvico, poderia ter feito o que fosse, que não fosse a cesariana, que NADA mudaria o fato que realmente importa, que é ela estar bem e saudável, com a gente. E é por isso que, olhando pra trás, faria tudo de novo, do jeito que foi. Porque a minha escolha fez bem pra mim. E, consequentemente, pra ela também.





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