sexta-feira, 28 de março de 2014

Murphy e a Maternidade

Sabe aqueles filmes da Sessão da Tarde que mostram pais de primeira viagem enlouquecidos com bebezinhos que aprontam altas confusões? Acreditem, aquilo não é apenas ficção. É uma realidade diária quando se tem um bebezinho em casa. Eu custei muito a acreditar nisso, mas nada por ser mais verdadeiro. 

Por isso, preparei uma listinha com as situações papelão mais comuns que você vivencia com um bebê. Vamos a ela?

1. A campainha sempre toca quando você não pode atender.
Murphy é infalível. O dia tem 24 horas, mas o carteiro, o entregador de pizza, o vizinho, o porteito ou sei lá quem sempre tocarão a campainha da sua casa quando você estiver sozinha, dando banho, amamentando ou tentando acalmar a quiança que está aos berros com fome ou cólica. Vale para o celular também. Aqui em casa, meu telefone fixo e celular fazem uma sincronização incível. os dois sempre tocam ao mesmo tempo, bem na hora que a quiança tá no peito mamando.

2. A fralda vai vazar quando você sair com a quiança e esquecer de levar uma troca de roupa extra.
Murphy, de novo, não perdoa. Se você esquecer de levar uma roupinha a mais na bolsa, tenha certeza de que seu bebê lindo vai resolver fazer o maior cocô que houver na vida, a fralda vai vazar e a quiança vai ficar cagada. Pra evitar esse tipo de situação, eu sempre carrego duas trocas de calor e uma de frio na bolsa.

3. Ele vai fazer cocô logo após você dar banho/trocar a fralda
Isso é fato. Estudos apontam que 90% das crianças adoram fazer cocô após se verem dentro de uma fralda limpinha. E, normalmente, é aquele cocô bonito que suja das costas à barriga e, muitas vezes, te força a dar um banho na quiança. Outra situação comum: basta você precisar trocá-la em público, que assim que você abrir a fralda, vivá uma avalanche de cocô. Luísa é expert, por exemplo, em fazer cocô e xixi na maca da pediatra, do hospital, ao fazer um exame, etc.

4. Ele vai fazer xixi assim que você tirá-lo da fralda - e o xixi vai te molhar
Meninas possuem mira maior e melhor know how nesse quesito, mas não pense que mãe de menina escapa dessa. Luísa é expert em fazer xixi no caminho do quarto para o banheiro, quando ela está peladinha, pronta pra entrar no banho. Acho que ela faz isso pra eu entrar no clima do banho, já que molhada do xixi dela, também serei forçada a tomar um. E quando ela não faz xixi antes, faz depois, quando você tirou ela da banheira e ela está enrolada na toalha de banho. Por isso, fica a dica: tenha, no mínimo, umas 3 toalhas. Se eu não tivesse, estaria ferrada aqui, já que a Luísa conseguiu fazer xixi na toalha três dias seguidos.

5. Seu bebê estará dormindo como anjo no seu colo. Quando você colocar ele no berço...
Vai berrar feito bezerrinho que não mama há 7 dias. Não existe nada mais eficiente para acordar bebês do que colocá-los no carrinho, berço, etc. Além disso, na madrugada, após mamar, eles conseguem ser ainda mais malandros. Ficam quietinhos, você põe no berço, tá tudo lindo. Quando você deita na cama... eles abrem o berreiro. Luísa conseguiu fazer comigo isso, uma noite, seis vezes seguidas. É um festival de nina a criança, ela dorme, você bota no berço, deita na sua cama, a quiança acorda, você levanta, pega ela e recomeça todo o ciclo de novo que vou te contar, viu?

E pra quem não tem filho e tá lendo isso e se perguntando de onde se tira paciência pra viver esses momentos e não perder o bom humor, te digo: nada como um rostinho angelical de pedindo colo pra você dar risada com todo o processo.




Se alguém tiver mais itens a acrescentar na lista de Murphy para Mães, basta deixar um comentário. :)


quinta-feira, 27 de março de 2014

Música de ninar?

Direto ao ponto: eu não sei cantar músicas de ninar. Na verdade, sei "Atirei o Pau no Gato" e "Ciranda Cirandinha". Mas a primeira, acho melhor não ficar cantando considerando que temos dois gatos na casa que vão conviver com a Luísa para o resto da vida deles. Vai que ela cresce ouvindo e leva a sério o papo de atirar o pau, né? Melhor não. E ficar repetindo "Ciranda, cirandinha" sem parar não é o meu forte.

Não gosto de  músicas infantis, no geral. mas, enfim, eu tenho uma "bebéia" de pouco mais de um mês e preciso cantar pra ela. Sim, é uma necessidade, porque eu preciso trabalhar e cantar é uma maneira vem eficiente para acalmá-la após as mamadas (e fazê-la dormir). Sem contar que é uma maneira muito eficiente de estimular a audição e aumentar a relação mãe e filha. Só que eu não sei/gosto de músicas de ninar. Como faz? Adapta!

Quando estava grávida, li que era legal estimular a audição do bebê desde a barriga. Então, enquanto trabalhava, colocava músicas pra Luísa ouvir. Nessa toada, ela ouviu muito Bethoveen, Mozart, Vivaldi e Tchaikovsky, meus clássicos preferidos. E também ouviu muito Franz Ferdinand, Kaiser Chiefs, Strokes, REM, Blind Melon, Beatles, Rolling Stones e Dire Straits, minhas bandas preferidas. E, de quebra algumas músicas especificamente, ela ouviu dezenas de vezes. Como "Get Lucky" do Daft Punk e "We are young" do Fun. Cantava essas músicas pra ela na barriga e não foram poucas as vezes.

E não é que, agora, fora da barriga, ela também curte ouvir e se acalma quando eu canto essas músicas pra ela? Então, eu adaptei o ritmo de músicas que eu gosto para o estilo "ninar" e uno o útil ao agradável. Então, "Why dont we sing this song all together" vira "Plim, plim, plim, plim this song all together" pra fazer a quiança feliz. Outra adaptação é emendar o refrão de Glad You Came com "pirinpimpim". Outras adaptações bastante frequentes aqui envolvem  "parapara", "firinfinfim" e qualquer palavra terminada em "inha".

Penso que, mais do que pagar mico por ser uma mãe que não conhece canção de ninar, eu estou trabalhando em prol de livrá-la da má influência do funk, sertanejo universitário e afins no futuro. Afinal, bom gosto tem que começar de algum lugar, certo? 
Por hora, o gosto musical da mamãe está no topo da parada de sucesso da sonequinha da Luísa.



I´m glad you came, Luísa!


segunda-feira, 24 de março de 2014

Roupas e fraldas RN: quanto comprar? + Bônus: anestesia da cesária

O post de hoje é pra ajudar as mamães com dúvidas. :)

ROUPAS RN

Recebi no meu Facebook uma dúvida de uma amiga fofíssima, a Cícera, que está na 38ª semana de gestação. Será que 6 conjuntos de roupinhas RN são suficiente? Também vejo que muitas mamães têm dúvidas sobre a quantidade de fraldas.

Então, vou dividir um pouquinho da minha nova experiência com vocês, começando pela resposta para a pergunta: 6 conjutos de roupinhas RN são suficientes?

A resposta é: depende do tamanho do seu bebê!

Muitos bebês já nascem tão grandinhos que não chegam a usar roupinha RN e vão direto para o P. Outros, como a Luísa, ainda estão sobrando dentro das roupinhas RN com um mês de vida. E olha que todo mundo, começando pela minha médica, apostava que ela seria um bebê grandão - a diferença de tamanho da última ultrassom para o nascimento foram de 400 g a menos e 2 cm menor do que o exame apontou. Ela nasceu "petitzinha".

Eu, que achei que tinha roupina RN demais (8 conjuntos no total) e até pedi para  não me darem mais roupinhas RN no meu chá de bebê, vi minha filha sobrando dentro das roupinhas RN. E acabei comprando mais três body após sair da maternidade RN, porque teve um dia que juntou fralda vazada com empregada faltando no trabalho e eu tinha UM body e um macacão só pra colocar na Luísa.

Mesmo assim, eu acho que entre 4 e 6 é uma quantidade de conjuntinhos de roupas suficiente. Porque, se o bebê nascer grande, você não perde tanta roupinha assim. E se ele nascer pequeno, você compra o que falta na quantidade exata.

Luísa no dia em que saímos da maternidade: nadando dentro das roupinhas RN


FRALDAS

Quando fiz meu chá de bebê, deixei livre para as pessoas trazerem fraldas do tamanho que quisessem e da marca que desejassem (apenas falei que dava preferência por Pampers e Huggies Turma da Mônica porque sabia que essas eram as que tinham menor propensão a dar alergia).

Ganhei dois pacotes de fralda RN  e acabei não me preocupando muito porque, de novo, achei que a Luísa ia ser grandona e não precisaria de muitas fraldas desse tamanho (a Rafa, minha amiga que teve bebê um pouco antes, comentou que só tinha usado com a Alice até 20 dias de vida). Com 100 fraldas RN, achei que era suficiente.

De novo, Luísa pequena, usamos fralda RN até hoje (já comprei mais 3 pacotes de 40). Considerando que uso, em mésia, 8 fraldas por dias, para um bebê padrão médio, 4 pacotes de fraldas RN com 40 unidades seria a quantidade ideal pra ter nesse início. Mas pode ser que seu bebê nasça grandão e você nem use. Ou pequeno, e você use a mais. O que eu recomendo é: tenha dois pacotes e vá comprando sob demanda. Assim, você evita o desperdício.

Dica: entre fraldas RN, A Pampers é, disparada, o melhor tipo. Tive muito problema de vazamento com a Huggies nesse tamanho. Sem contar que a Pampers vem com o indicativo de uso. Pra quem não tá acostumada a trocar fralda, saber, só de olhar, que a fralda está cheia, ou que dá pra esperar mais um pouco, é bastante prático. Outra fralda que Luísa usou na maternidade, a PomPom, eu também achei ok durante os dias que estava lá. Mas como na maternidade eles ainda não fazem a quantidade de cocô que passam a fazer conforme vão crescendo, não deu pra saber se ela segura bem o xixi e o cocô ou não.

Melhor fralda RN: Pampers. Luísa, com 20 dias, sobrando dentro da fralda.


A ANESTESIA DA CESÁRIA

Esse é um bônus do post. Como hoje, duas amigas diferentes comentaram que morrem de medo da anestesia da cesária, eu vou falar um pouco sobre a minha experiência com essa etapa do parto cirúrgico que deixa as mulheres em pânico. Pois é: eu não senti nada além de uma pequena picada, como se alguém me desse um belisco. Minha médica, desde que falei que queria a cesária, me falou sobre a Vanessa, anestesista que fez meu parto. Fez mil elogios à aplicação dela e vou te falar: era tudo isso mesmo que a Karina falava. Não senti quase nada.

Como funciona: Você tá lá, com a roupinha, deitada na maca. Você senta e a anestesista avisa que vai aplicar uma anestesia para aplicar a anestesia - sim, é isso. Eles passam um tipo de anestésico, local, pra aplicar a anestesia. Então, você abraça o joelho e fica quietinha e a anestesista te diz que você vai sentir uma picada e um líquido entrando. Eu só senti a picada, não senti líquido nenhum! Ai, ela te manda deitar de uma vez na maca. Dai, sentada, você joga o corpo pra frente e deita de uma vez. Vai ser a última vez que você vai conseguir se mexer assim pelas próximas horas, ahahah!

Então, você começa a sentir um calor nas pernas e treme um pouco. Minha pressão também caiu e tive refluxo por alguns minutos, até o remédio para subir fazer efeito. Para mim, essa foi a pior parte. Porque eu sentia o vomito vindo até a amígdala e voltando e não tinha controle nenhum sobre isso. Achei que fosse vomitar na maca. Eu falava isso pra Vanessa, anestesista e ela me acalmava e dizia: calma, tá tudo normal. E passou super rápido mesmo! Portanto, se você tiver o acompanhamento de um bom anestesista, não tem o que temer, porque a dor é MUITO tranquila. Tipo, tirar sangue. Pelo menos, minha experiência foi essa.

Esse tópico está ilustrado com essa foto porque não bastou ter uma mão ótima pra aplicar a anestesia: a Dra. Vanessa ainda foi a fotógrafa oficial dos primeiros momentos da família. :)


Se alguém tiver outra visão e experiência para contar, é só deixar um recadinho ai nos comentários!

Beijos

terça-feira, 18 de março de 2014

Sobre filhos: façam

Eu olho para a Luísa dormindo e só penso que há sentimentos que são realmente inexplicáveis. Eu poderia escrever um milhão de linhas e usar todos os adjetivos de amor, ternura, felicidade e paixão e nada seria suficiente pra explicar tantos sentimentos que transbordam do meu coração. Eu sei que um dia ela vai crescer e ter vergonha da mamãe, achar a mãe chata e não ter paciência comigo. Faz parte do ciclo da vida.

Pais e filhos, mães e filhas, vivem num ciclo eterno de encontros e desencontros. E quanto mais seu filho vira gente, pensa por si só, maior é o risco de vocês se afastarem por diferença de personalidade. Quando você vira mãe, pai, precisa saber disso e se preparar psicologicamente para esse rompimento futuro. Mas enquanto os conflitos não surgem e os dilemas são mais "simples", a gente sente tanto amor, tanta paixão, tanta coisa boa, que mesmo sabendo que seu bebê não será seu bebezinho pra sempre, a gente já sabe que todo o pacote que envolve ter filhos é a melhor coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa.

Eu nunca tive muita convicção da necessidade da maternidade para a minha felicidade até eu descobrir que estava grávida. Ter filhos era minha terceira ou quarta prioridade. E agora, eu só consigo pensar que eu só podia estar louca de não ter desejado a minha vida inteira ter um pacotinho de felicidade só pra mim. Cada espirro, cada soluço, cada careta, cada chorinho, cada soneca, tudo é tão lindo, perfeito, tão gostoso de olhar e pensar "puxa vida, como essa pessoinha saiu de dentro de mim?" que, de verdade, eu tenho vontade de chorar de felicidade cada vez que paro pra pensar na grandeza e privilégio que é ser mãe.

 Qualquer desencontro futuro ou qualquer stress da gravidez (há quem ame, eu não curti muito a gravidez em si), qualquer amontoado de noites mal dormidas vale a pena quando a gente olha para a serenidade no rosto do seu bebê enquanto ele dorme. Por isso, se alguém me perguntar o que eu penso sobre ter filhos, hoje, eu só digo o seguinte: façam, porque é o maior amor que você pode sentir nessa vida e você só descobre essa imensidão de sentimentos vivendo tudo isso.





terça-feira, 11 de março de 2014

Sobrevivendo ao caos

Primeiro mês com bebê em casa é um caos. Pra algumas mulheres mais pra outras menos. Mas, no geral, vai ter sempre aquele dia que você para, olha pro seu filho e pensa: "Ainda bem que eu te amo tanto, porque, né?".

Ontem eu tinha que levar a Luísa ao pediatra e, depois, tirar meus pontos no consultório da obstetra. O papai já voltou ao trabalho e, dessa forma, escalei a vovó pra me acompanhar na saga "sair de casa com um recém nascido".

Tinha me programado pra sair às 11h, já que a consulta da Luísa era 12h e a minha, 13h30.
Só que, na madrugada de domingo pra ontem, Luísa resolveu dar show. Acordava chorando, eu dava o peito. Mamava dez minutos e apagava. Não adiantava paninho molhado, tirar roupa, nada. Capotava. Dali uma hora, acordava chorando. Ai dá eu enrolando ela pra dar, pelo menos, 2h de espaço entre uma mamada e outra, na esperança dela mamar mais e dormir mais. Que nada. Foi assim até 8h da manhã, com eu dormindo entre 20 e 30 minutos no máximo ao longo da noite. 

Como já eram 8h e minha assistente do lar chega às 8h30, resolvi esperar acordada, já que na última vez que a Luísa fez isso, eu e o Sérgio capotamos tão profundamente que ela chegou em casa, ficou meia hora tocando a campainha e foi embora porque a gente não escutou (!?!?!) nada. Mas... o filho da Cida ficou doente e... ela não veio! Esperei até 10h e nada. Nisso, Luísa acordou querendo peito e, como ficaríamos muito tempo na rua e não sabia se ia conseguir amamentar ela nesse período, lá fui eu dar de mamar, achando que ela ia mamar uns 20 minutos. O que? Ela resolveu emendar uma mamada de 40 que só terminou 11h. 

Nisso, eu, linda, descabelada, de camisola, corro pra me arrumar pra sair. Pus a primeira roupa fácil que achei no guarda roupa e prendi o cabelo, já que era a única coisa que dava pra fazer. Ai, aquele caos: pega bolsa, checa se tá tudo lá dentro, chama táxi, pega o bebê conforto, pega a pasta da maternidade pra levar pra médica. Acrescente ai a minha mãe dizendo que era preciso colocar uma coberta na criança (não sei porque avó quer encher a criança de luva, touca, meia e coberta num puta calor).

Nisso, lembrei que precisava parar no banco pra pegar cheques pra pagar minha médica. Pede pro taxista para, pede para o taxista pegar o caminho com menos trânsito porque, nisso, já eram 11h30. Mas, ufa, deu tempo! Consulta ok, tudo lindo, Luísa resolve chorar de fome. Ai, dou quinze minutos de peito, corro pra chamar um táxi. Nisso, eu to morrendo de fome. Resolvo pedir pro táxi me deixar no Shopping Paulista porque minha médica fica na rua de trás. Para, compra lanche e sai igual louca pelo meio do shopping com bebê no bebê conforto numa mão e o lanche na outra. E a minha mãe, que tava com minha bolsa e a dela, querendo levar o bebê conforto (o lanche ela não se ofereceu pra carregar, né? ahahahah). Ai, eu chego no consultório. Minha médica olha meus pontos, tira e senta comigo. Ela fala

- Núbia, calma. Eu sei que você tá cansada, exausta, mas fica tranquila que o primeiro mês passa. Parece que não tem fim, mas tem. Você vai ficar cansada, vai ficar deprimida, vai chorar. São os hormônios. Não se preocupa se ficar um pouco deprê. Parece que tá tudo um caos, mais vai dar tudo certo, viu? Eu escuto tudo e só penso: ok, dra. Karina, já entendi que estou com a cara mais de acabada do mundo.


Ainda bem que essa cara de anjo compensa tudo, né?

#muitoamor
#firstmonth
#cansadamasfeliz

segunda-feira, 10 de março de 2014

Mãe de primeira viagem e suas pirações

No geral, eu, Núbia Tavares, sou uma pessoa cautelosa e medrosa. Odeio correr qualquer tipo de risco e nada me deixa mais em pânico que não estar no controle da situação. Definitivamente, não sou uma pessoa que acha legal convites para pular de paraquedas, fazer trilhas (eu vou cair), entrar no mar agitado, andar de banana (odeio, certeza que vai sobrar um pé na minha cara), fazer tirolesa e qualquer outro tipo de atividade que possa colocar minha vida em risco.

Quando criança, eu evitava ao máximo subir me árvores. Na única vez que me arrisquei, aos 8 anos, cai e torci o tornozelo. Odiei aquilo com todas as minhas forças e, desde então, eu evito qualquer tipo de aventura que possa me fazer quebrar um osso. Posso dizer que tenho sido competente na missão, já que nunca tive que colar nada no meu corpo e tenho me mantido ilesa.

Agora, peguem uma pessoa completamente pilhada com evitar acidentes e joguem um bebê pra ela cuidar. Sentiu meu drama? Mas ai, lendo aqui e lá, eu descobri que muita das minha pirações são completamente comuns a todas as mamães novatas. Por isso, se você se ver em uma das situações abaixo, don´t worry, be happy and welcome to the team.

1. Ficar mexendo a barriga pra ver se seu bebê está bem: no final da gravidez da Luísa, minha vida era chacoalhar a barriga e falar "acorda, Luísa!". Era só eu ficar mais de uma hora sem sentir os movimentos dela que entrava na pilhação. E mexia, falava, comia chocolata, tomava sorvete ou água gelada. Fazia de tudo, até sentir ela mexer.

2. Ficar pilhada com a pulseira da maternidade: Quando o Sérgio me contou que quando os gêmeos nasceram ele não sossegou até colocarem a pulseira de identificação nos bebês, eu dei risada. Quando a Luísa estava pra nascer... comecei a repetir pra ele pelo amor de Deus vigiar nossa filha pra ela não ser trocada na maternidade! Pra nossa sorte, na Pro Matre, a pulseira de identificação é colocada na própria sala de nascimento. Então, o risco de ter se bebê trocado é praticamente nulo. Mas  não custa checar, não é mesmo?

3. Ficar checando se seu bebê está respirando: sou pilhada com refluxo, engasgos, morte súbita e afins. E como a respiração do recém nascido é muito fraquinha, minha vida é ficar colocando a mão no peito da Luísa quando ela tá muito quietinha pra checar se ela está respirando, se está bem.

4. Se assustar com qualquer grunhido: a melhor coisa para uma mãe de primeira viagem é ter um marido que não é pai de primeira viagem. Porque quando seu bebê começar a reclamar de manha, ele vai te explicar que você não precisa se desesperar e correr pro berço pra por a criança no colo. Resmungos, grunhidos e afins são normais, mas quem disse que a gente aguenta a cria falando longe da gente?

5. Fazer uma pesquisa no Google e ter certeza que o pior acontecerá: gente, o Google é ótimo, é incrível, ajuda pacas... exceto se você está grávida ou é mãe de primeira viagem. Não importa se seu filho está apenas com uma tosse ou se você apenas está sentindo um desconforto. O resultado da pesquisa do Google vai traçar o pior cenário possível e você terá certeza de que algo terrível está para acontecer com você e seu filho. Mães são pessimistas por natureza e o Google ajuda a reforçar essa característica. Evite.

6. Dar peito pra tudo: No começo, a gente não sabe porque o bebê está chorando. E como quase tudo a gente resolve com peito... Ele passa a ser a solução pra tudo. Chorou? Dá peito. Acordou? Dá peito. Tá com gases? Dá peito. Depois de um tempo, a gente aprende que tem coisas que o peito não resolve. Mas até descobrir... dá o peito!

Por enquanto, essas são minhas neuroses. Mas tenho certeza absoluta que outras novas virão por ai, porque, de novo, mães são pessimistas. E o pessimismo faz a gente surtar... E as suas neuroses, quais são? Você tem alguma? Divida com a gente nos comentários do post. :)




sexta-feira, 7 de março de 2014

Culpa de mãe

Nem completei duas semanas como mãe e já saquei que o maior problema da maternidade moderna não é trocar fraldas, passar a noite em claro ou ver seu pimpolho(a) doente. Nosso grande problema se chama "culpa". Em resumo, a culpa mór de quase todas as mulheres é não conseguir ser como as mães de antigamente, que não precisavam trabalhar fora. Com tantas cobranças - ser ótima profissional, linda mulher e mãe perfeita - morremos de culpa por não podermos dar conta de tudo da maneira que gostaríamos. Até ai, tudo normal. O problema é que, talvez por não termos consciência da culpa maior, entramos na pilha do roteiro para ser uma mãe perfeita e, naquilo que escapamos do script, o mundo desaba e passamos a nos considerar as piores mães do mundo.

Vou usar meu exemplo pessoal. Pelo manual da mãe politicamente correta dos grupos de Facebook, eu me deveria culpar por:

1. Não ter feito uma dieta saudável na gravidez e ter comido chocolate e tomado refrigerante
2. Ter feito uma cesária, e não um parto normal humanizado sem anestesia
3. Não ter feito yoga ou pilates durante a gravidez
4. Não ter achado incrível ficar inchada e gigante no último trimestre da gravidez
5. Ter comprado chupeta e mamadeira pra minha filha - e ter dado chupeta pra ela com uma semana de vida
6. Não achar nada idílico a dor da Luísa mordendo meu seio
7. Ter zero encanação caso não seja possível amamentar apenas com leite materno até os 6 meses e seja necessário dar leite artificial

Coloquei "deveria me culpar" porque eu realmente não me culpo por nenhuma das decisões que eu tomei ou que eu venha a tomar na criação da Luísa. Leio muito, devoro o tema e faço o que acho melhor para a Luísa dentro do estilo de vida que eu considero melhor pra mim. E, no meu caso, xiitismo de qualquer lado não é  minha praia. Da mesma maneira que não vou deixar de amamentar minha filha porque o peito cai, também não vou ficar insistindo na amamentação se isso se tornar uma tortura - sim, porque tem mãe que sente tanta dor que chora só de pensar que daqui a pouco o filho vai acordar e vai querer mamar. Mas a verdade é que nem toda mãe está preparada para a avalanche de cobranças que são feitas a partir do momento em que você engravida por todos - família, amigos e grupos de mães do Facebook.

O que mais leio na internet são mulheres se sentido menos mãe, incompetentes, incapazes, sofrendo porque, na prática, um parto normal dói pra cacete e ver seu filho chorando de fome porque seu leite não é suficiente não é nada legal. E como a mulher se cobra que ela deveria achar lindo tudo isso, sofre de um milhão de culpas por não conseguir ser a mãe perfeita. Mas o que mais me choca nisso tudo é que 80% dessa culpa é externa. A mulher se sente culpada porque é cobrada por todos a ter uma postura X ou Y. E é incrível como TODO MUNDO acha que sabe o que é melhor pra sua gravidez e bebê do que você mesma. Todo mundo aponta, reclama, acha defeito e te convence de que você não está fazendo as coisas como deveria. E como é o seu début na maternidade, você acaba acreditando que os outros estão certas e você, errada. E, logo, você não está sendo mãe o suficiente. E dai, a chuva de culpa.

Quando eu vejo mulheres sofrendo e se achando piores porque tiveram que dar complemento para o filho aos 4 meses e no grupo de amamentação que ela participa no Facebook dizem que ela tá errada, eu gostaria de pegar a pessoa pela mãe e falar: amiga, senta e sinta a naturalidade com a qual minha mãe me conta que deu mamadeira pra mim na maternidade. Agora, olha pra mim e escuta: considero a minha mãe a melhor do mundo. Invejo nossas mães que, mesmo cuidando de nós de maneira que hoje, são consideradas erradas, faziam isso sem culpa e sem cobrança. Há 20, 30, 40 anos, ninguém achava que você era menos mãe por dar mamadeira, chupeta ou sopinha para o seu filho. Por que, então, adoramos apontar o dedo para os outros e dizer que fulana é preguiçosa, menos mãe ou sei la mais o que por não cuidar do seu filho de maneira A, B ou C?

Não que eu ache que as coisas não mudam. Muito pelo contrário: considero lindo o tanto que a ciência evoluiu e como fomos aprendendo como cuidar cada vez melhor dos nossos bebês. Mas acho que o xiitismo com que muitas mães tratam o tema contribui para a criação de um problema que, no final das contas, não é tão determinante assim. Afinal, um dente torto de uma chupeta se pode consertar, assim como nunca vi nenhuma criança morrer porque tomou sopinha aos quatro meses de idade. Claro que se você puder dar apenas peito ate os 6 meses, é maravilhoso e incrível (inclusive, é o que pretendo fazer, se possível). Mas sou completamente contra qualquer sentimento de culpa caso o script da maternidade ideal não se concretize. Principalmente porque sabemos que entre o que idealizamos e o que vivemos, normalmente há uma grande distância. E é preciso entender que mais importante que a maneira como você vai colocar seu filho no mundo ou como vai alimentá-lo, são os valores e princípios que você ensinará para ele. É isso que te fará ser uma boa mãe.

Se você dá só peito, se dá complemento, se fez o parto assim ou assado, isso realmente não importa tanto quanto achamos que importa ou tanto quanto dizem pra gente.  Você sera mais mãe se souber dar amor, carinho, atenção e ensinar seu filho a ser uma boa pessoa, ter caráter, respeitar o próximo e ser honesto. Não precisamos de mães que encarem a maternidade como um protocolo a ser seguido para ganhar o diploma de perfeição das amigas do Facebook e que se culpam, sofrem e se martirizam por não terem alcançado aquela perfeição almejada e propagada como a ideal. Precisamos de mães que compreendam que a maneira como educamos nossos filhos é a nossa grande contribuição para a transformação da nossa sociedade - seja para melhor ou para pior. E que uma sopinha ou água antes dos seis meses, não faz tanto mal quanto formar um ser humano sem princípios e moral.


quarta-feira, 5 de março de 2014

Mala da Maternidade: o que usei e o que não usei

Esse post é um guia prático para ajudar as mamães de primeira viagem na organização da mala da maternidade. Eu tinha muitas dúvidas sobre o que levar. Acabei levando tudo e não usando muita coisa. Portanto, achei que poderia ser bacana dividir a experiência com quem ainda vai passar por esse processo.



Enxoval da mamãe: 
Absorvente pós parto: nos dois primeiros dias tive fluxo muito intenso. Minha sorte que comprei e leve, porque o absorvente que deram na pro matre não aguentou. Usei no primeiro banho, as enfermeiras colocaram dois absorvente e não adiantou nada. Em meia hora, vazou e sujou minha camisola (que era pra receber visitas) e o lençol. Pra mim, foi útil.

Absorvente de seio: comprei, mas não usei na maternidade, só agora comecei a usar.

Camisolas: levei três, mas devia ter levado quatro. Por conta do acidente com o oabsorvente, tive que improvisar pra tirar a mancha da camisola e não ficar suja na frente das visitas. Comprem as com alça removível pra amamentar. Levei uma que não era de maternidade e era um saco ficar tirando a alça na hora de dar o peito.

Penhoar: foi o que salvou com o episódio das camisolas. Levei dois, mas acabei usando só um, preto, que combina com tudo. Achei super útil.

Cinta pós parto/sutiã de amamentação/calcinha pós parto: Não usei a cinta pós parto que levei. Mas usei todas as calcinhas (quatro no total).  Acho essa calcinha pós parto horrorosa e não vejo a hora de me livrar dela, mas ajuda muito! A cinta eu uso quando vou sair, porque pra dormir, incomoda muito.  Sutiã levei dois e foram suficiente.

Maquiagem: pra quem elogiou a foto que coloquei no tópico do meu relato de parto, bendito seja meu kit maquiagem. Nada como uma base, um pó, rímel e batom pra tirar aquela cara de sono. Se acharem que vão receber muitas visitas, levem.

Conchas de amamentação: Estou usando desde o primeiro dia as conchas da marca Avent com base de silicone, um dos melhores investimentos até agora.

Bico de silicone: levei e não precisei usar porque dei sorte e a Luísa fez a pega correta de cara.

Pomada Lansinoh: É a melhor invenção da humanidade, risos. Levem e usem desde o início, ajuda DEMAIS no cuidado dos mamilos. Não tive, até agora, nenhuma rachadura, fissura, etc.

Enxoval do bebê: 

Roupas: Levei seis trocas, só usei quatro (fiquei de sábado a terça no hospital). Cada troca era composta de um body manga curta e um macacão com pezinhos de manga comprida. Nas trocas, as enfermeiras colocavam o body manga curta por baixo do macacão. Separei por saquinhos e etiquetei por dias, facilita demais, principalmente para quem for fazer cesária e não tiver tempo de explicar para o acompanhante como orientar as enfermeiras.

Mijão/mantinha: Levei três e usei 1) pra colocar em cima do próprio berço da maternidade 2) pra cobrir a Luísa 3) saída da maternidade. Não precisa mais que isso pra quem for ter nesse calor.

Luvas, meias e sapatinhos: Levei tudo e não usei NADA! Muito mais prático os macacões com pezinho. E luva a minha GO e a pediatra não recomendam pra evitar sufocamento. Sapatinho, então, tentei colocar e ela tirou.

Enfeites de cabelo (para mãe de meninas): Levei uma faixa que só usei pra sair da maternidade. Na metade do caminho, a Luísa já tinha tirado a faixa da cabeça.

Todos os itens de higiene da Luísa: A Pro Matre, onde a Luísa nasceu, dá tudo. Então, não levei nada - e ainda voltei pra casa com um monte de coisas que deram lá.

Espero ter ajudado! :)


terça-feira, 4 de março de 2014

Amamentando

O meu maior medo em relação à maternidade sempre teve nome: amamentação. Sei lá em qual momento isso surgiu, mas comecei a enlouquecer que não ia conseguir amamentar. Na minha cabeça, o cenário estava montando: meu peito ia rachar, o leite ia empedrar, eu ia chorar pra cacete e não conseguiria amamentar. Sou uma pessoa muito sensível à dor no geral - por exemplo, eu tomo anestesia pra fazer limpeza de dente. Dai, pra concluir que seria muito difícil amamentar, foi um passo.

Passei a gravidez esfregando a bucha vegetal com toda força do mundo no seio. Tinha horas que tinha vontade de chorar de dor, mas sempre me lembrava de uma frase da minha médica: melhor doer agora que depois. Então eu passava a bucha, tomava sol e rezava pro meu cenário de caos não acontecer.

Quando peguei a Luísa pela primeira vez pós parto, já tinha passado da meia noite. A enfermeira me deu ela no colo e eu encostei a pequena junto ao seio. Nessa hora, milagrosamente, eu esqueci de todo o terror que alimentei durante a gravidez. E, por um milagre... Luísa pegou o peito certinho de cara. E mamou, mamou e mamou. E dai, todos os meus anseios sumiram e ficou o prazer incrível e imensurável de amamentar.

Não que tudo seja flores: nesses 10 dias de vida da Luísa, ela já mordeu meu mamilo, eu amamentei chorando uma vez e senti muita ardência no peito. Mas não sei se foram os cuidados de antes, os cuidados de agora (concha de amamentar e pomada Lansinoh são invenções de Deus, acreditem), ou mesmo sorte. Mas estou curtindo imensamente o ato da amamentação. É lindo, emocionante, sabe que você está alimentando aquela coisinha linda, pequena, delicada. Dá vontade de chorar quando eu paro pra pensar.

Pra não ser uma mãe muito babona, eu fico conversando com ela, batendo papo enquanto ela se alimenta. Também brigo, porque Luísa consegue ser esfomeada e preguiçosa ao mesmo tempo. Então, pra fazê-la mamar, eu preciso ficar estimulando ela pra bonitona não apagar nos cinco primeiros minutos de mamada. Aliás, o fato de a Luísa ser dorminhoca foi muito mais complexo nesses primeiros dias do que a "dor" da amamentação que eu tanto temia. Porque ela mamava dez minutos, apagava, dormia 30 minutos e acordava esfomeada. Jogue isso pra madrugada e pense na diversão que é acordar de meia em meia hora pra alimentar sua filha.

Mas mesmo esse problema, conseguimos superar. Entrei, novamente, para o clube da maternidade politicamente incorreto e encontrei na chupeta a solução para regrar a Luísa melhor. E ela nem ama muito a chupeta - prefere chupar o dedo. Mas a chupeta tem sido uma boa aliada pra fazer ela esticar o tempo de mamada - e mamar mais, e dormir mais. E, acreditem, isso faz toda a diferença para o bem estar dos pais. E acho fundamental para o bem estar da criança os país estarem bem, curtindo esse processo de adaptação ao mundo aqui fora.

Do caos que eu esperava, por enquanto, só estou conhecendo o prazer e a emoção incrível que é amamentar e ser mãe. :)



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