sexta-feira, 25 de abril de 2014

Minha experiência com a amamentação

Amamentação é um tema tão polêmico quanto tipo de parto. Até mais, eu diria. Principalmente porque, diferente da visão um tanto quanto assustadora do parto normal, ninguém vê foto por ai de mãe chorando de dor enquanto amamenta. Ou de bico de seio rachado. Ou de qualquer coisa que possa sugerir que amamentar é difícil pra cacete. Pois é. Amamentar é difícil pra cacete. Ou não.
Sim, é isso mesmo. Acho que porque morria de medo de amamentar, eu cai na turma do "ou não". Mas vamos aos detalhes.

Quando eu descobri que estava grávida, entrei no E-Family, um fórum sobre gravidez, filhos e etc. Lá eu conheci o lado B da amamentação. Nada daquela visão idílica da mãe segurando o bebê sorrindo. O que mais li foram relatos de mulheres tristes porque não conseguiam amamentar, de seio que rachava, de sangue saindo junto com leite, de mãe que chorava só de pensar nas dores que sentiria na próxima mamada. Enfim, um terror.

Comecei a ler tudo sobre como prepara o bico do seio pra amamentar, porque eu sabia que não seria o tipo de mãe que ia insistir na amamentação se ela virasse um inferno. E, por outro lado, tenho muita consciência da importância dos anticorpos presentes no leite materno para a criança nos seus primeiros meses de vida. Então, lá fui eu tomar sol no seio e passar bucha vegetal. Foi assim a gravidez inteira. Lembro até de um conselho da minha médica: esfrega bem a bucha que é melhor doer agora que depois. Fato. E foi assim, esfreguei até doer.

Só que, pra minha sorte, quando peguei a Luísa pra ela mamar pela primeira vez após o nascimento... a danada fez a pega correta, abocanhando a aureola do seio. E amamentar, pra mim, virou algo delicioso. Claro que, junto com a sorte de ter uma filha que nasceu profissional em mamar, eu também tive todos os cuidados do mundo com o seio durante a amamentação. Usei pomada Lasinoh o primeiro mês inteiro, assim como as conchas ventiladas, que ficavam o tempo inteiro protegendo o bico do seio e ajudando na formação dele. Eu só tirava as conchas pra amamentar. Com esses cuidados, digo que tive muita sorte: exceto por um dia que a Luísa mordeu o bico do seio e eu quase morri de dor, eu não tive NENHUMA rachadura, machucado ou nada.

O Regime de Amamentação

Bom, passado o trauma de conseguir amamentar, você ouvirá um milhão de vezes grávida de que deve amamentar em livre demanda exclusivamente até o 6º mês. Lindo na teoria, mas na prática, aqui não deu certo. A livre demanda eu abandonei na primeira semana. Luísa dormia no seio, então, mamava 10 minutos, apagava e acordava dali uma hora querendo mamar. Durante o dia, isso funciona bem. Pra madrugada, isso resultou na minha empregada chegar pra trabalhar, tocar a campainha durante meia hora e ir embora porque não atendi (quando ela finalmente dormiu, eu e o Sérgio capotamos). Com 6 dias, dei a chupeta pra enrolar e fazer ela espaçar as mamadas. Funcionou bem (embora até hoje ela não seja fã da chupeta) e ela passou a mamar de 2h30 a 3h.

Só que o peito não estava sendo suficiente para ela engordar dentro do esperado. Das mínimas 30g diárias que se esperava para o período, ela nunca engordou mais que 25g só com leite materno. Como, a principio, tanto nós quanto a Flávia, pediatra dela, queríamos manter a amamentação exclusiva, tomei remédio pra aumentar a produção de leite. Mas não deu. Com um mês exato de vida, entramos com o Aptamil 1. Luísa, novamente, pegou de primeira a mamadeira, assim como fez com o peito. A mamadeira que estou usando é da MAM, First Bottle, anti-cólicas. Dica de uma mãe que estava na Alô Bebê quando eu estava comprando. Maravilhosa, super recomendo!

Mas, voltando, eu MORRIA de medo dela começar a mamar na mamadeira e largar o peito, embora, quando começamos com o complemento, eu e o Sérgio já tínhamos claro na cabeça que se ela largasse o peito, era um pesar que assumiríamos, porque o importante para nós dois é que ela engordasse.

E assim se fez o regime de amamentação aqui em casa: leite materno + aptamil 1 (fórmula indicada pela pediatra da Luísa). No início, eu dava os dois seios e complementava com mais 30ml na mamadeira. Mas além de não ser prático, percebi que a Luísa ficava confusa. Então, fui adaptando até chegar nos moldes que amamento hoje: complemento a cada 3h e seio em livre demanda. Na madrugada, alterno uma mamada no peito e outra na mamadeira. As mamadas da noite sempre são na mamadeira porque sinto que ela dorme melhor (porque come mais).

Um alerta: há 2 semanas, Luísa não estava querendo o peito. Fiquei depressiva achando que ela ia largar por conta da mamadeira... Só que como ela estava inquieta e estranha, conversamos com a pediatra. Ai, descobrimos que ela possui refluxo oculto, um tipo de refluxo no qual o bebê não regurgita, mas fica com queimação e acidez. Pois foi só entrar com a medicação pra refluxo que ela voltou a procurar o peito e ficar muito tempo mamando nele. E como refluxo oculto não é exatamente simples de diagnosticar, fico imaginando quantas crianças já desmamaram por conta do refluxo e cuja conta ficou pra coitada da mamadeira...

Quer saber? Acho que não poderia ter feito uma escolha melhor. Principalmente porque eventualmente, preciso sair pra reuniões e preciso deixar ela com a minha mãe. Então, com o aptamil, eu não preciso me preocupar em estar fora de casa e ela não ter o que comer (principalmente quando se mora em São Paulo e uma ida até a esquina pode se tornar um martírio dependendo do trânsito). Eu também ODIEI a experiência de amamentar em público e se eu só desse peito, teria que ficar 6 meses trancada dentro de casa.

Enfim, por último, eu considero que peito + complemento é perfeito para o meu caso por uma outra razão: como minha alimentação não é das mais maravilhosas, eu garanto todas as quantidades exatas de vitaminas, proteínas, probióticos, sais minerais e afins com o aptamil (eu sei que vão dizer que o leite materno é completo, mas eu duvido que o meu, com a minha alimentação, seja). E, por outro lado, ela recebe os anticorpos que só o leite materno proporciona.

O resultado? Uma bolinha de quase cinco quilos, que pulou de um percentil de crescimento 10 pra 50.

Luísa antes

Luísa depois do complemento, com 1 quilo e meio a mais


PS. Eu não defendo regime A, B ou C de amamentação. Defendo que a mulher escolha aquilo que for melhor para a criança e para ela. Porque acho que a mãe deve estar bem para cuidar da criança. Se ela quiser amamentar exclusivo ou não amamentar, acho que a decisão deve ser respeitada. Aqui, pretendo manter essa fórmula enquanto tiver leite e/ou enquanto a Luísa quiser - até 1 ano. Mas conheço mulheres que amamentar filho de 2 anos e acho legal, embora não me veja fazendo. E conheço mulheres que não quiseram amamentar e acho que é direito delas não quererem. #meuseiominhaescolha

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