terça-feira, 15 de julho de 2014

Amamentação: a boa convivência entre peito e mamadeira aqui em casa

Quero começar esse post dizendo que eu jamais imaginei que ainda estaria amamentando a essa altura do campeonato quando estava grávida. Na verdade, achava que nem ia conseguir amamentar. Quem lê esse blog sabe que passei a gravidez neurótica com a amamentação. Eu sou muito sensível à dor e achava que não ia conseguir amamentar. Só que tudo deu certo e cá estou eu, amamentando e tendo leite faltando uma semana pra Luísa completar cinco meses. E complementando com a mamadeira há quatro meses. E tudo em harmonia. Por isso, o post de hoje é de dicas para as mães entenderem que fazendo as coisas da maneira correta e com um pouco de sorte, dá pra dar a mamadeira sem desmamar.

A primeira dica é: amamentação é insistência. Se você quer amamentar, vai ter que ser insistente, porque é mais fácil não amamentar. A criança costuma dormir melhor (mais tempo) quando toma o leite artificial. la é prática e dá liberdade pra mamãe - e, sendo sincera, os primeiros meses com um bebê parecem prisão domiciliar em muitos aspectos. E muita gente vai te falar que o leite do peito "não sustenta". Eu, particularmente, tenho vontade de enfiar a mão na cara da criatura quando escuto esse tipo de argumento. Mas acabo explicando gentilmente que meu leite sustenta sim, obrigada. Tanto que Lulu já dorme a noite inteira - das 22h às 8h - independente da última mamada ter sido de leite materno ou artificial.

Muitas mulheres desistem de amamentar porque o leite diminui e a criança se irrita com isso.E, ficando irritada, ela passa menos tempo no peito. E, ficando menos tempo no peito, o leite seca. Eu passei por uma crise dessas quando a Lulu tinha dois meses. Pra completar, na época, ela teve refluxo oculto e como o leite do peito é mais leve, ela ficava com azia. Na época, eu achei, do fundo do coração, que ela ia desmamar. Foi quando comprei minha bomba elétrica porque estava decidida a dar meu leite na mamadeira pra ela continuar tomando o pouco que me restava.

Mas tive sorte de ter uma ótima pediatra - que detectou o refluxo oculto. Tomando o Label, ela voltou a mamar no peito. Em complemento, passei a tomar plasil em complemento ao equilid - que tenho minhas ressalvas e logo explicarei o porquê. E insisti com o peito. Colocava a Lulu lá e deixava ela chupetando. Só quando via que ela já tinha passado pelo menos um tempo, eu dava o complemento. Também tirei a mamadeira da madrugada, deixando só o peito. Nessa época, mandei a rotina pro espaço e adotei a amamentação em livre demanda. Aos poucos, o leite voltou à produção normal.

Nessa época, foi tentador deixar a amamentação pra lá, porque era uma rotina muito cansativa. Tirar leite com a bombinha, deixar a criança mamar o quanto quiser, tomar o equilid e beber litros de água. Por isso eu bato na tecla da insistência. Como coincidiu com a época que a Luísa ficou doente e me impressionou ela não ter febre de gripe enquanto eu tive uma febre de 39ºC, foi dai que tirei forças pra abraçar a causa da amamentação. E dar mamadeira não é simples também. É um saco esse processo de lavar mamadeira, esteriliza, etc. Sem contar que as fórmulas especiais para crianças até um ano não costumam ser baratas. Aqui, Luísa toma o Aptamil 1 como complemento, que custa entre R$ 38 e R$ 45 a lata.


Ei! Você é pró amamentação mas dá complemento na mamadeira? Isso não é contraditório?

Bom, eu sou favorável ao que é melhor para a criança dentro das circunstâncias que a família vive. A Luísa ama o peito, mas não toma o leite gorduroso do final da mamada. Por isso, apesar de mamar bem, ela não engorda só com o leite materno. E, sim, já tentei ordenhar o leite mais aquoso do início da mamada. Mas o negócio é que ela não gosta do peito quando ele começa a ficar vazio. Ela não pega ele quando ele está mais mole. Por isso, eu complemento, pra ajudar no processo de ganho de peso. Essas são as minhas circunstâncias. Mas como me convenci de que o leite materno é realmente tudo isso que as xiitas da amamentação dizem, eu estou aqui me esforçando pra tentar amamentar até um ano pelo menos.

Mas a criança não larga o peito porque mamar na mamadeira é mais fácil?

Tem uma blogueira famosa que usou esse argumento para justificar o desmame da filha aos 3 meses. Sinceramente, eu não acreditei nesse caso específico. Achei que pra ela, ficou mais prático desmamar e ela deu essa desculpa pra ser politicamente correta em lugar de simplesmente admitir que amamentar não é prático. Uma bobagem porque acho que as mulheres podem escolher amamentar ou não e isso não deveria ser motivo de vergonha ou culpa. Mas, voltando, um dos papas da amamentação exclusiva, o pediatra espanhol Carlos González, explica bem esse equívoco. Na verdade, a mamadeira é mais difícil, porque exige que a criança aprenda um novo movimento de língua. Isso pode gerar a chamada "confusão de bicos", que pode levar a criança a desmamar. Isso é o que diz o especialista. Já EU tenho lá minhas dúvidas sobre a real existência da confusão de bicos (a Encantadora de Bebês também não acredita nisso).

Achismos à parte, penso que o  deu certo aqui em casa foram alguns fatores. O primeiro é que quando introduzi a mamadeira, com 1 mês, Luísa já tinha aprendido a mamar bem no peito. Segundo, até hoje, o bico da mamadeira é o 0 (RN)  - que exige maior força de sucção da criança. JAMAIS trocarei o bico enquanto ela mamar no peito e tenho pra mim que esse é o maior erro que as mamães cometem ao introduzir a mamadeira. Só uso o bico de 3 meses pra mamadeira de suco que ela começou a tomar na semana passada porque ele não passa no bico RN. Se for dar mamadeira, use o bico zero e não troque por nada nesse mundo.

Mas se meu leite diminuir, o que eu faço?

Bom, quanto mais feliz a mamãe, melhor é a produção de leite. A primeira dica que dou é tomar litros e litros de água e chá de erva doce. Ajuda muito na produção. Eu tomei Equilid por indicação da pediatra da Luísa, mas tenho lá meus senões ao remédio. Isso porque o aumento na produção de leite é efeito colateral. O remédio é pra esquizofrenia. Ele ajuda muito a evitar o baby blues - a queda hormonal pós parto que pode deixar uma mãe completamente triste e chorosa e, em alguns casos, evoluir pra uma depressão pós parto. Dado esse fato, eu prefiro o Plasil, que também é muito eficiente em aumentar o leite. Mas nada ajuda tanto a aumentar a produção como deixar a criança no peito. Portanto, insista, insista e insista.


E por quanto tempo você pretende amamentar?

Essa é a pergunta para a qual não tenho resposta. Sinceramente, não acho que vou ser o tipo que vai sofrer quando desmamar a criança. Por outro lado, gostaria de amamentar pelo menos por um ano, mas também, não muito mais do que isso. Se isso vai acontecer? Eu não tenho a menor ideia. Pode ser que daqui duas semanas eu não tenha mais leite. Pode ser que daqui há três meses a Luísa não queira mais o peito (embora há estudos que comprove que naturalmente, seja difícil uma criança desmamar antes de um ano). E pode ser que quando ela complete um ano, eu ainda tenha leite e continue amamentando. Claro que não quero uma criança de cinco anos pendurada no peito, mas a OMS recomenda a amamentação até 2 anos, com exclusividade até os seis meses (essa parte eu já pulei, sorry).

Pra encerrar, digo que apesar de todas as dificuldades relativas à amamentação, eu morro de felicidade toda vez que minha filha sorri, agora, ao ver meu seio. É uma cena maravilhosa e que me enche de amor e felicidade.


Um comentário:

Natalia Vinholo Ribeiro disse...

Nubia,concordo com voce,o ideal é ter uma criança bem e saudavel, se nao der pra ser 100% peito, sem problemas! Eu ja havia trabalhado isso na minha cabeça durante a gravidez, pensava, se eu nao tiver leite, vou das LA sem problema, nunca quis fazer a amamentação um drama!
O bico da mamadeira tmb é mto importante, como usar um bico mais largo se o peito sai bem pouquinho? Vc ta certissima!
Beijos pra vc e pra linda linda linda Lulu, uma princesa tão bem cuidada que nunca vi!!!