terça-feira, 26 de agosto de 2014

A maternidade e o Palmeiras

E minha filha nasceu em 2014. E o time do meu coração está completando 100 anos em 2014. Hoje. E, embora o nascimento da minha filha tenha me feito dar menos atenção do que normalmente eu costumo dar para o meu time do coração, o amor é o mesmo. É como ter um filho mais velho. Quando nasce um menor, ele demanda mais. E recebe mais atenção. Mas você continua amando igual.

Ser mãe me fez perceber como amar o um time é como amar um filho. Tem momentos difíceis. Cansativos. Enlouquecedores. Que você quer fugir para as colinas. Mas ai, aparece aquele sorriso. Aquele jogo inesquecível. E como não amar isso enlouquecidamente?

A gente chora de tristeza. Chora de cansaço. E chora de alegria. Uma alegria imensa, gigantesca. E essas alegrias valem por todo e qualquer momento difícil. Um simples sorriso compensa toda uma noite em claro. Um simples gol, na final de um campeonato Paulista, apaga todos os anos de sofrimento e humilhações. 

Os momentos bons são tão intensos que compensam qualquer momento ruim. Mesmo aqueles que fazem a gente ter vontade de desistir e faz a gente se perguntar: meu Deus, será que eu nasci pra isso? Pra ser mãe? Pra torcer pra esse time com esse bando de jogador vagabundo? E a resposta é sempre "sim". Sim, não há nada melhor do que amar um filho. Sim, não há nada melhor do que ser palmeirense. Não se abandona um filho. Não se abandona o Palmeiras. Nunca.

Em 2014, eu descobri que ser mãe e ser palmeirense é muito semelhante: em ambos os casos, estou padecendo no paraíso. E nada poderia ser melhor, sendo tudo exatamente do jeito que as coisas são.

Obrigada, Luísa. Obrigada, Palmeiras. Meus amores eternos, imutáveis, e inabaláveis.  Estaremos sempre juntos, vivendo as delícias e as dores  da vida em verde e branco.



quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Seis meses com Luísa

E o tempo voou e cá estamos nós. Seis meses. Meio ano. Você, cada dia mais esperta, curiosa, atenta. Eu, cada mais apaixonada por você. Nós, cada vez mais cúmplices. Eu estava cheia de medos até às 16h daquele sábado, 22 de fevereiro. Foi quando eu e o papai nos instalamos no quarto da maternidade. Finalmente você chegaria. Foram tantas angústias, medos e incertezas ao longo dos nove meses em que você esteve dentro de mim. Mas nós conseguimos e chegamos ao fim. E logo você nasceria. E logo estaria comigo. E ai, uma paz tomou conta da mamãe. Acho que nunca me senti tão tranquila do que naqueles momentos em que eu estava na maca, indo para o centro cirúrgico. Eu estava tranquila e calma porque sabia que, dali em diante, tudo daria certo. E deu! Você nasceu linda, cabeluda e fazendo biquinho. Você nasceu esperta, mamando certinho, ajudando a mamãe a superar o medo da amamentação ser algo ruim. Você se comportou bem, sendo um bebê sem cólicas - outro medo que a mamãe tinha. Você dorme bem, bastante, igual à mamãe e ao papai. Você ri, chora berra.  Dá uma canseira danada na mamãe. E quando eu me pego pensando: Jesus, o que eu faço agora? Você sorri pra mim. Em todos os momentos difíceis nesses seis meses (e eles foram muitos) você sempre sorriu pra mim quando eu estava em meio as lágrimas, me lembrando que problemas existem, mas nada é maior do que esse nosso amor. Você me consolou com esse sorriso perfeito. Você me faz sentir a maior felicidade do mundo quando vou te buscar de manhã no seu berço, me vê, e abre o sorriso. Você me faz ver como é gigante e indescritível o amor que sinto quando a saudade bate enquanto você está na escolinha. Você me lembra o quanto compartilhar é a coisa mais incrível desse mundo cada vez que está junto a mim, mamando. Você me mostra como não há nada mais importante do que ter saúde cada vez que tosse, espirra ou o nariz escorre. Você me faz ver que olheiras, cansaço, crpor gordo, roupas que não cabem, falta de tempo pra se arrumar, comer ou até mesmo escovar os dentes, é uma bobagem perto da imensidão de sentimentos que é ter você na minha vida.

Obrigada, Luísa, pelos seis meses mais fantásticos e transformadores da minha vida.

#obrigadabebê
#mãedemenina
#amormaior






quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Sobre Cama Compartilhada

E dai que eu sempre fui totalmente contra cama compartilhada. Afinal, lugar de bebê é no berço, certo? Além disso, é uma prática que a OMS condena por representar riscos para o bebê.

Mas acontece que eu adoro fazer tudo o que a OMS recomenda. Só que ao contrário. E quando a Luísa ficou gripada, com dois meses e meio, ela veio pra nossa cama.

Até então, ela dormia  no berço desmontável no nosso quarto. Mas, doente, sem querer comer, como eu ia deixar minha pequena e frágil bebéia sozinha dentro de um berço? Nem ferrando. Carreguei ela pra cama.

Nas primeiras noites, mal dormia, com medo de sufocar ela. Depois, descobri as delícia de amamentar deitada. Ficamos de lado, ela pega o peito, eu a abraço e ela mama. Muito melhor do que ficar sentada na poltrona!

Ela se curou e foi para o berço. Mas quando acordava de madrugada, pra chorar, eu pegava e trazia pra amamentar na minha cama. E não devolvia mais para o berço. E ela começou a dormir super bem. E nos acostumamos com a rotina. O primeiro sono no berço, o segundo, na cama da mamãe e do papai.

Só que ai teve uma noite que a mamãe dormiu esperando ser acordada às 4h da manhã, as usual. Quando acordei, levei um susto. Eram 6h30 e a Luísa não tinha chorado! Corri pro berço pensando no pior. Mas ela só estava dormindo.

E assim seguiram-se os dias. E assim eu tenho um bebê que dorme a noite inteira, entre 22h e 8 ou 9h. E foi assim que a cama compartilhada ajudou minha filha a ter um sono tranquilo. Hoje, às vezes, eu tenho que ir buscar ela no berço de manhã, porque ou ela não acorda, ou acorda, fica brincando com o móbile e esquece de mamar.

Sem nana neném, sem choro controlado, sem traumas, eu boto ela no berço, dou um beijo e digo, "boa noite, filha, durma bem". E ela dorme.


Luísa e a escolinha

Graças a Deus, tenho um trabalho que me dá a flexibilidade de ficar com minha filha. Só que nem sempre é possível e depois de seis meses trabalhando em 50% da capacidade, conversamos muito aqui em casa e decidimos: Luísa iria pra escolinha.


Primeiramente, gostaria de dizer que adoraria ganhar na mega sena e não precisar trabalhar. Adoraria ser mãe em tempo integral e ter como único trabalho além da Luísa, escrever neste blog. Até porque, quem é mãe, sabe: não há trabalho tão árduo e difícil como cuidar de uma criança. A gente fica acabada. E eu não faço parte da camada da população que pode ter empregada e babá. Logo, ficou apertado cuidar de uma empresa, coordenar funcionários, manter clientes felizes, ir atrás de novos clientes e cuidar de um bebê no meio dessa confusão toda.

Por outro lado, não me agradava a ideia de deixar minha filha a semana inteira no berçário; afinal, ser a dona do próprio negócio me permite poder acompanhar mais de perto essa fase mágica onde um bebê começa a aprender a ser gente. Tendo isso em vista, fui atrás de escolinhas e achei uma perfeita pra nós. Na School Be Do, onde a Luísa vai, há um sistema que eles chamam de "Day Care", onde a criança não precisa ir todos os dias. Eles aceitam a criança esporadicamente e você paga pelo dia de uso. Fui conhecer a escolinha, amei o atendimento a estrutura, a equipe pedagógica e a dona. Berçário pequeno, só pra criancinhas até 4 anos, bilíngue, cheio de atividades legais.

Então, batemos o martelo: Luísa iria 2x por semana pra escola pra mamãe poder dar um gás no trabalho. E lá fomos nós para o primeiro dia de aulas. Arrumei a bolsa dela com a listinha de coisas pedidas pela escolinha, peguei a Lulu e fomos. Chegando lá, ela foi direto pro colo da Maria, berçarista que já tinha ficado com ela nas duas visitas que fiz à escolinha antes de me decidir por ela. Nem um chorinho. Ela foi pra sala dos bebês e eu fiquei na recepção preenchendo mil papéis. Demorei uns 40 minutos fazendo isso. A adaptação, oficialmente, é de 2h. Fui lá na sala de bebês após 1h. Luísa estava no colo da Maria (ela é a bebê mais nova), vendo os videozinhos em inglês que estavam sendo mostrado para os bebezinhos. Me viu, fez uma cara de interrogação, como querendo falar "por que você não me pega no colo?". Mas não chorou. Fiquei dez minutos, ali, acompanhando a atividade, olhando pra ela. Ela também ficou olhando o tempo inteiro pra mim, mas não chorou, só me olhou. 


Se eu tinha qualquer dúvida sobre a minha decisão, acabou ali. Sai e avisei que já ia pra casa, pois ela estava bem e eu também. Cheguei em casa e fui trabalhar. Duas horas depois, liguei na escola pra saber se estava tudo bem (mas eu sabia que estava). Comunicaram pra mim que ela tinha chorado um pouco pra dormir, mas que era normal por ser o primeiro dia. Eu quase respondi que era normal porque ela sempre chora pra dormir (e não chora pouco). Pedi algumas fotos e, pouco tempo depois, uma das moças que trabalham na escolinha me mandou várias fotos no whatsapp. Ela parecia normal, tranquila. Fiquei feliz.

Quando deu a hora, fui lá buscar. A Maria trouxe ela e, junto, a agenda dela com todos os horários de comida, sono e a rotina do dia. As tias acham ela uma boneca e disseram que ela gosta muito de música. Me senti super orgulhosa, ahahahaha! Peguei a pequena, que estava sonolenta, entre no táxi e vim pra casa (muita chuva pra vir andando). Ela começou a acordar, olhou pra mim e sorriu. Acho que ela aprovou a escolinha. E eu também.

E digo que, diferente de 99% das mães, não sofri. Não me acho uma mãe pior por ela ir pra escolinha "tão cedo". Não sinto ciúme das tias do berçário, mesmo que ela adore a tia Maria no futuro. Fiquei imensamente feliz de ver minha filha ir para uma ótima escolinha que, tenho certeza, vai ajudar muito nesse desenvolvimento inicial dela. E fiquei muito orgulhosa do bom comportamento e os comentários das "tias" sobre a minha "princesa". 






Eu não sou a mãe perfeita - e nem quero ser

Se tem uma coisa que jamais entenderei nesse universo de fóruns, grupos do Facebook e afins sobre a maternidade, é a predisposição de quem participa para tentar impor seu modelo de maternidade. Mulheres ficam umas enfiando o dedo no nariz da outra pra dizer que o jeito certo de educar é o dela, e não o da outra. Mães questionam o pediatra alheio, mesmo sem ter nenhum conhecimento do histórico médico da criança. Questionam a alimentação do filho alheio. Julgam a situação da outra pela sua própria ótica. Todas querem/são mães perfeitas. Um danoninho dado a um bebê de 10 meses por um parente vira motivo pra começar a terceira guerra mundial.

Eu, particularmente, acho que falta moderação de todos os lados. Tem mãe que não quer dar nada industrializado pra criança comer nunca. Tem outras que dão papinha de biscoito maisena pro filho com 5 meses. Quem tá certa? As duas! E quem tá errada? As duas, se ambas questionam a decisão alheia. Mas parece que é impossível pensar dessa forma. A mulherada corre mesmo em criminalizar o consumo de danoninho pelas crianças, afinal, você já viu a quantidade de sódio, açúcar e conservantes que tem nessa bomba? Se der um, a criança vai ficar obesa e morrer aos 30 anos de um ataque cardíaco.

Se tem algo que aprendi com a maternidade é não dizer nunca. Eu não pretendo da porcarias pra Luísa enquanto ela for bebezinha. Mas não vou morrer do coração e nem me achar uma mãe pior se ela comer uma "porcaria" e gostar. Afinal, eu, Núbia, jamais vou fazer danoninho de inhame pra Luísa porque é mais saudável. E não questiono quem faz. Mas eu não farei simplesmente porque acho que, com moderação, criança pode comer porcaria sim.Aliás, bala, chiclete, chocolate, batata frita e cachorro quente faz parte de uma infância feliz.

E, não, não é pra viver disso e nem pra dar agora pra ela, com seis meses. Mas não pretendo ser mãe natureba. Se já acho chato adulto #geraçãopugliesi, eu é que não serei uma mãe assim com a minha filha. Ah, mas e se ela for gorda? Vou me culpar? Não, porque a ideia é ensinar a comer com moderação e se ela comer moderação e, mesmo assim, tiver tendência a engordar, paciência, essa é minha genética e eu apenas terei transmitido isso pra ela. TV é outro tópico que bomba nas discussões sobre a maternidade perfeita. "Meu filho não vê TV. A sua vê? Que absurdo!" Aqui em casa, Luísa vê TV. Adora o Peixonauta, a Peppa e o Julius Jr. Na escolinha, vê filminhos em inglês. Também, brinca, come, dorme. De novo, com moderação, não acho ruim. Se alguém olha torto pra mim, eu ignoro.

Participo de todos esses grupos porque colho muitas ideias e gosto da experiência de outras mães. Mas não pretendo e não quero ser uma mãe perfeita. Quero ser a melhor mãe que minha filha possa ter dentro das minhas possibilidades. Perfeita? Nunca. Dedicada, amorosa, presente e carinhosa eu sou e sempre serei. Mas não nasci pra ser a mãe perfeita e nem ter a filha perfeita dentro do molde de perfeição atual. Sou ótima em ser eu mesma e péssima em seguir modelos que estão na moda. Por exemplo, provavelmente eu nunca vou comprar papinha orgânica pra minha filha (embora no berçário dela, a comida seja assim). Mas minha filha sempre vai poder contar com meu colo, com meus elogios e com as broncas necessárias.

Penso que o nosso estilo de vida está criando uma geração de mães que competem entre si pra ver quem é melhor na arte de manter o filho saudável, dar tudo de bom e do melhor e ter a mais eficiente educação positiva. No meio dessa competição toda, eu sou a mãe que não sabe que tipo de mãe é, que sabe que tem um monte de defeitos, mas que se preocupa mais em dizer os nãos que forem necessários para minha filha ser uma adulta que sabe ser tolerante, ter valores e respeitar as pessoas, do que em proibir o danoninho que não vale por um bifinho.