quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Eu não sou a mãe perfeita - e nem quero ser

Se tem uma coisa que jamais entenderei nesse universo de fóruns, grupos do Facebook e afins sobre a maternidade, é a predisposição de quem participa para tentar impor seu modelo de maternidade. Mulheres ficam umas enfiando o dedo no nariz da outra pra dizer que o jeito certo de educar é o dela, e não o da outra. Mães questionam o pediatra alheio, mesmo sem ter nenhum conhecimento do histórico médico da criança. Questionam a alimentação do filho alheio. Julgam a situação da outra pela sua própria ótica. Todas querem/são mães perfeitas. Um danoninho dado a um bebê de 10 meses por um parente vira motivo pra começar a terceira guerra mundial.

Eu, particularmente, acho que falta moderação de todos os lados. Tem mãe que não quer dar nada industrializado pra criança comer nunca. Tem outras que dão papinha de biscoito maisena pro filho com 5 meses. Quem tá certa? As duas! E quem tá errada? As duas, se ambas questionam a decisão alheia. Mas parece que é impossível pensar dessa forma. A mulherada corre mesmo em criminalizar o consumo de danoninho pelas crianças, afinal, você já viu a quantidade de sódio, açúcar e conservantes que tem nessa bomba? Se der um, a criança vai ficar obesa e morrer aos 30 anos de um ataque cardíaco.

Se tem algo que aprendi com a maternidade é não dizer nunca. Eu não pretendo da porcarias pra Luísa enquanto ela for bebezinha. Mas não vou morrer do coração e nem me achar uma mãe pior se ela comer uma "porcaria" e gostar. Afinal, eu, Núbia, jamais vou fazer danoninho de inhame pra Luísa porque é mais saudável. E não questiono quem faz. Mas eu não farei simplesmente porque acho que, com moderação, criança pode comer porcaria sim.Aliás, bala, chiclete, chocolate, batata frita e cachorro quente faz parte de uma infância feliz.

E, não, não é pra viver disso e nem pra dar agora pra ela, com seis meses. Mas não pretendo ser mãe natureba. Se já acho chato adulto #geraçãopugliesi, eu é que não serei uma mãe assim com a minha filha. Ah, mas e se ela for gorda? Vou me culpar? Não, porque a ideia é ensinar a comer com moderação e se ela comer moderação e, mesmo assim, tiver tendência a engordar, paciência, essa é minha genética e eu apenas terei transmitido isso pra ela. TV é outro tópico que bomba nas discussões sobre a maternidade perfeita. "Meu filho não vê TV. A sua vê? Que absurdo!" Aqui em casa, Luísa vê TV. Adora o Peixonauta, a Peppa e o Julius Jr. Na escolinha, vê filminhos em inglês. Também, brinca, come, dorme. De novo, com moderação, não acho ruim. Se alguém olha torto pra mim, eu ignoro.

Participo de todos esses grupos porque colho muitas ideias e gosto da experiência de outras mães. Mas não pretendo e não quero ser uma mãe perfeita. Quero ser a melhor mãe que minha filha possa ter dentro das minhas possibilidades. Perfeita? Nunca. Dedicada, amorosa, presente e carinhosa eu sou e sempre serei. Mas não nasci pra ser a mãe perfeita e nem ter a filha perfeita dentro do molde de perfeição atual. Sou ótima em ser eu mesma e péssima em seguir modelos que estão na moda. Por exemplo, provavelmente eu nunca vou comprar papinha orgânica pra minha filha (embora no berçário dela, a comida seja assim). Mas minha filha sempre vai poder contar com meu colo, com meus elogios e com as broncas necessárias.

Penso que o nosso estilo de vida está criando uma geração de mães que competem entre si pra ver quem é melhor na arte de manter o filho saudável, dar tudo de bom e do melhor e ter a mais eficiente educação positiva. No meio dessa competição toda, eu sou a mãe que não sabe que tipo de mãe é, que sabe que tem um monte de defeitos, mas que se preocupa mais em dizer os nãos que forem necessários para minha filha ser uma adulta que sabe ser tolerante, ter valores e respeitar as pessoas, do que em proibir o danoninho que não vale por um bifinho.




5 comentários:

mary poppins disse...

E tem aí também uma questão que parece mais sutil do que apontar o dedo, mas que, pra mim, pesa idem como falta de respeito. Eu não ofereço nada a uma criança sem antes perguntar à mãe, a criança pode ter alergia, pode estar na hora do almoço/jantar ou simplesmente ser algo que a mãe nao quer que a criança consuma.

Minha filha, hoje, come praticamente.de tudo, mas prezamos pelos horários de almoço e jantar e evitamos comidas não saudáveis. Ja briguei com três pessoas desconhecidas, uma por oferecer refrigerante enquanto ela tomava suco (ela nunca tomou refrigerante e nunca pediu), uma pq quis dar sorvete na colher que estava comendo e outra pq ofereceu chocolate a 10 minutos da hora do almoço...

Não digo a ninguém como fazer, mas respeitem meu espaço

Aline disse...

Apoiado! Eu já enchi dessa guerra entre mães, quer ver no quesito amamentação... Afff....

Núbia Tavares disse...

Mary, nisso concordo contigo. Não dá pra oferecer coisas pra uma criança sem saber se a mãe aprova. Mas também acho errado é julgar a educação alheia. O que me motivou escrever esse post foi uma mãe dizendo pra outra que ela estava cometendo um crime por dar um danoninho pra um bebê de 11 meses.

Núbia Tavares disse...

Aline, exatamente! Antigamente, as mulheres não piravam com isso. Agora, é motivo pra brigas sem fim!

Núbia Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.