segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Estamos todas loucas

Sim, estamos. A maternidade enlouquece. Ao ponto de mães que se conhecem da internet se ofenderem num nível que se fossem nossos filhos, estaríamos envergonhadas de criar criaturinhas tão intolerantes.

Esses dias estava num grupo de Facebook que participo. Uma mãe postou um link para uma matéria sobre um bebê que tina morrido sufocado na cama dos pais e acrescentou o seguinte comentário: "sobre cama compartilhada".

Foi o suficiente para chover uma enxurrada de comentários acusando a autora do tópico de ser preconceituosa, de falar besteira. Teve uma mãe que disse que quem não faz cama compartilhada não se conecta de verdade com o filho.

Lembrei também dessa página no Facebook - Menas Main - que destila uma raiva incomum sobre mulheres que não optam pelo parto humanizado e pela amamentação prolongada. Lembro que quando descobri essa página, fiquei tão chocada que senti pena das crianças, filhas dessas mães que querem ser tão boas, que gastam sem tempo ridicularizando outras maneiras de criar filhos.

A verdade é que estamos todas inseguras que agimos como cachorros acuados. Ou, pra adequar à minha realidade, como gatos. Vou pegar o Ludwig como exemplo. Ele é um gato tão medroso e assustado, que avança, dá patada e morde por medo de ser atacado.

Acho nossas reações como mães muito semelhantes. Temos tanto medo das nossas escolhas e que outras pessoas questionem nossas escolhas, somos tão pressionadas e, muitas vezes, mal resolvidas, que nossa reação é atacar qualquer questionamento que se possa fazer sobre algo que tenhamos adotado na nossa maneira de criar filhos.

E, nessa ansiedade inteira para sermos perfeitas, acabamos cometendo erros que eu, particularmente, considero gravíssimo: que é atacar qualquer coisa que nos contrarie, sem parar para pensar ou raciocinar sobre o que estamos fazendo e porque estamos agindo tão na defensiva.

Eu compreendo que uma mãe que queria um parto natural fique muito puta quando alguém a chame de louca ou irresponsável pela sua escolha. Mas não entendo essa mesma mãe reagir tentando ridicularizar quem opta por uma escolha diferente da dela. Embora essa seja a reação natural, a ideia não é combater preconceitos? Como se combate preconceitos criando outros?

Um dos pontos que nunca gostei e jamais me atraiu nos grupos de parto humanizado é exatamente essa necessidade de falar mal da cesária. Será que não podemos exaltar o parto normal sem ridicularizar ou diminuir a outra opção?

Outra situação que me deparei esses dias num grupo de mães que participo foi um desabafo de uma mãe que amamenta contra a amiga que não quis amamentar. Ela questionava se a amiga realmente amava a filha, já que ela se recusou a dar o peito. Eu amamento, não pretendo parar tão cedo, mas sempre acho que se a mulher opta por não amamentar - seja lá quais forem as razões dela - temos que respeitar. Afinal, estamos proibidas de não querer amamentar sem sermos crucificadas?

Parece que quando o tema é maternidade, é impossível escolher um caminho sem tentar desmerecer outros caminhos, outras escolhas, outras alternativas. E é por isso que acho que estamos todas loucas. Porque não acho que a tolerância mora por ai. E entendo que mais do que parto, peito ou qualquer outra coisa, ser mãe é ensinar princípios para formar um cidadão que saiba respeitar o próximo, seja educado, tenha bom caráter, etc. Agora, como faremos isso se não conseguimos nós mesmas respeitar as diferenças entre nós, sem conseguimos tolerar nossas próprias diferenças?


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Primeiros Selfies da Lulu

Ai sua filha está enlouquecida porque você tirou o catarro dela com aspirador nasal, berrando sem parar.

O que a menas main aqui faz? Dá o celular pra quiança se acalmar, claro. E o que ela faz?

TIRA UM MONTE DE SELFIE.






Pode isso, Arnaldo?

A bolha da maternidade

Sim, a maternidade é uma bolha. E você não tem consciência dela. E quando toma, tenta escapar, mas invariavelmente falha. Não sei se isso vai mudar (espero que sim), mas sou realmente uma daquelas pessoas monotemáticas que só falam sobre o filho se deixar. Eu realmente não entendia porque as mulheres tinham filhos e ficavam desse jeito. Por isso, me sinto na obrigação de escrever esse texto.

Primeiro, pra fazer uma mea culpa. Desculpem o tema único na minha vida: a maternidade e seus subtemas (parto, amamentação, etc). É difícil pensar em qualquer coisa fora da bolha quando tem uma bebê linda na sua frente de fabricação própria e mil descobertas. Porque, sim, uma das coisas mais incríveis de se ter um filho é ver ele crescer e virar gente. Eu fico babando o suficiente pra encher a Cantareira e acabo esquecendo que meu time tá ai, na merda, que nunca mais fui a um bar, que nem tenho roupas que cabem em mim, já que to aqui com meu corpitcho pós parto de mulher normal (ou seja, gorda e barriguda).

Aproveito pra pedir desculpas para todos os meus amigos e amigas que fizeram aniversário ou me convidaram pra qualquer coisa nos últimos 7 meses e eu não aceitei. Acreditem,  não foi por mal ou por falta de vontade.  A logística de sair com um bebê e o tanto que ele demanda é algo tão gigante que, às vezes, é melhor não ir a atrapalhar todo mundo. E peço desculpas também por ter ficado chateada por me sentir esquecida pelos meus amigos sem filhos que me "esqueceram" nesses meses de maternidade. É normal e natural, mas às vezes, é difícil de entender pra gente que tá aqui, gorda, cansada e sem tempo pra ser qualquer coisa que não seja ser mãe.

E pra quem não sabe, quero contar: a vida na bolha é cansativa. Ou melhor, exaustiva. A gente fica aqui, rodeada de fraldas, chupetas e fóruns e grupos de mãe brigando pra impor o seu modelo de maternidade, entre um cochilo e outro. Mas a vida na bolha também é bem bacana. A gente fica boba a cada consulta médica, cada quilo, cada roupinha perdida. Entre sorrisos pra cá e uma sentadinha pra lá, a gente entende porque é tão incrível ficar aqui dentro da bolha. A gente renuncia, mesmo sem querer e temporariamente, a ser a mulher e vira mãe porque, no final das contas, tem um serzinho rindo pra ti quando ganha um colo e beijo.

E também, no meio dessa bolha, a gente acha outras pessoas normais que estão apenas tentando sobreviver à maluquice que é a maternidade. E a gente se ajuda e, quando vê, fica feliz por alguém que nunca viu na vida. Se emociona porque o filho da amiga de fórum que era alérgico comeu ovo. Fica feliz que acabou a fase de cólicas da outra amiga. E comemora quando a bebê da sua colega que acorda a cada 2h passa a dormir 6h seguidas.

Pra quem está fora da bolha, isso tudo parece uma insanidade. E é. Mas, a menos que você decida não ter filhos, a bolha te espera. Pelo menos, durante um tempo, já que dizem que, com o tempo, eles crescem e saem debaixo da nossa asa. Mas, mesmo sendo mãe, vira e mexe, eu corro pra baixo da asa da minha mãe. A gente até sai da bolha uma hora, mas aparentemente, ela sempre estará ali, pronta pra te receber de volta.

No momento, estou totalmente imersa na bolha e, por isso, não esperem me ouvir falar sobre outras coisas por um bom tempo. Mas não desista de mim. Prometo que, com planejamento e se você tiver um pouquinho de paciência, eu tento dar uma escapadinha pra tomar um chope e falar sobre a vida, o universo e tudo mais que rola na vida ai fora.