quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A bolha da maternidade

Sim, a maternidade é uma bolha. E você não tem consciência dela. E quando toma, tenta escapar, mas invariavelmente falha. Não sei se isso vai mudar (espero que sim), mas sou realmente uma daquelas pessoas monotemáticas que só falam sobre o filho se deixar. Eu realmente não entendia porque as mulheres tinham filhos e ficavam desse jeito. Por isso, me sinto na obrigação de escrever esse texto.

Primeiro, pra fazer uma mea culpa. Desculpem o tema único na minha vida: a maternidade e seus subtemas (parto, amamentação, etc). É difícil pensar em qualquer coisa fora da bolha quando tem uma bebê linda na sua frente de fabricação própria e mil descobertas. Porque, sim, uma das coisas mais incríveis de se ter um filho é ver ele crescer e virar gente. Eu fico babando o suficiente pra encher a Cantareira e acabo esquecendo que meu time tá ai, na merda, que nunca mais fui a um bar, que nem tenho roupas que cabem em mim, já que to aqui com meu corpitcho pós parto de mulher normal (ou seja, gorda e barriguda).

Aproveito pra pedir desculpas para todos os meus amigos e amigas que fizeram aniversário ou me convidaram pra qualquer coisa nos últimos 7 meses e eu não aceitei. Acreditem,  não foi por mal ou por falta de vontade.  A logística de sair com um bebê e o tanto que ele demanda é algo tão gigante que, às vezes, é melhor não ir a atrapalhar todo mundo. E peço desculpas também por ter ficado chateada por me sentir esquecida pelos meus amigos sem filhos que me "esqueceram" nesses meses de maternidade. É normal e natural, mas às vezes, é difícil de entender pra gente que tá aqui, gorda, cansada e sem tempo pra ser qualquer coisa que não seja ser mãe.

E pra quem não sabe, quero contar: a vida na bolha é cansativa. Ou melhor, exaustiva. A gente fica aqui, rodeada de fraldas, chupetas e fóruns e grupos de mãe brigando pra impor o seu modelo de maternidade, entre um cochilo e outro. Mas a vida na bolha também é bem bacana. A gente fica boba a cada consulta médica, cada quilo, cada roupinha perdida. Entre sorrisos pra cá e uma sentadinha pra lá, a gente entende porque é tão incrível ficar aqui dentro da bolha. A gente renuncia, mesmo sem querer e temporariamente, a ser a mulher e vira mãe porque, no final das contas, tem um serzinho rindo pra ti quando ganha um colo e beijo.

E também, no meio dessa bolha, a gente acha outras pessoas normais que estão apenas tentando sobreviver à maluquice que é a maternidade. E a gente se ajuda e, quando vê, fica feliz por alguém que nunca viu na vida. Se emociona porque o filho da amiga de fórum que era alérgico comeu ovo. Fica feliz que acabou a fase de cólicas da outra amiga. E comemora quando a bebê da sua colega que acorda a cada 2h passa a dormir 6h seguidas.

Pra quem está fora da bolha, isso tudo parece uma insanidade. E é. Mas, a menos que você decida não ter filhos, a bolha te espera. Pelo menos, durante um tempo, já que dizem que, com o tempo, eles crescem e saem debaixo da nossa asa. Mas, mesmo sendo mãe, vira e mexe, eu corro pra baixo da asa da minha mãe. A gente até sai da bolha uma hora, mas aparentemente, ela sempre estará ali, pronta pra te receber de volta.

No momento, estou totalmente imersa na bolha e, por isso, não esperem me ouvir falar sobre outras coisas por um bom tempo. Mas não desista de mim. Prometo que, com planejamento e se você tiver um pouquinho de paciência, eu tento dar uma escapadinha pra tomar um chope e falar sobre a vida, o universo e tudo mais que rola na vida ai fora.


Um comentário:

maes fevereiro disse...

Nossa!
Eu amoooooooo, essa bolha!
Estava muito bom enquanto era eu e ela em casa o dia inteiro. Faz uma semana que retornei ao trabalho e num posso ter um segundo livre que vou voando pra minha bonequinha.
Durante a gravidez morremos de medo, né? Depois a gente não que mais outra vida. :)

http://passosdemae.blogspot.com.br/